domingo, outubro 18, 2009
Não me lembro de me ter esquecido
Construí com tantos erros a minha bandeira
Em todo o tempo ganhei
Não me lembro de ter perdido
Trouxe sim comigo o sorriso
Cada imagem na minha mente
Para me relembrar de onde sou
De onde vim e para onde irei
Não construí estátuas nem heróis
Vou andando...
Caminhando por aí, pela vida
E que vida...
Talvez um dia pare para descansar
E repousar os meus olhos já cansados
Sobre a história que fiz com as minhas mãos
Debruçar-me sobre o meu pensamento
Escrever num papel ou sei lá
Ou talvez me ilude
Que precisei de tudo o que fiz para ser feliz
Talvez...
Não sei, quem sabe alguém conte a minha história
Ou que ela venha em algum livro velho que não li
Talvez seja apenas eu que a conte
Para mim aqui ou em outro lugar
Para que não me esqueça que a vida
É um empréstimo fiel que Deus me fez...
domingo, outubro 04, 2009
É como olhar para o conjunto do que sou
Do que vivi, do quanto amei
Vejo-me ao espelho
E em mim cada pedaço de vida vivida
Sentir-me eu mesmo
Como se tivesse acumulado em mim
Todas as experiências que conquistei
Cada minuto desesperado
Para alcançar uma batalha desprotegida
No campo do mundo...
Falo comigo por vezes em voz alta
Mas para que ninguém me ouça
Falo-me a mim mesmo sozinho...
Que sonho mais sério e real!
E a minha voz ouço-a tão perto
Ecoa pelas paredes desta sala
Murmura o meu nome devagar
Não tão grande o sonho mas a vida...
Que sem sentido morreria
Mas com tanto rumo
Só pode ter o sentido da verdadeira felicidade...
Sempre...
segunda-feira, setembro 28, 2009
Em qualquer momento descubro a minha essência
Em qualquer rua descubro-me
Amo este lugar em que subitamente me encontro
Onde em todo o tempo sinto que nasço e renasço
É aqui que pertenço
Lugar de almas simples e fugazes
Que talharam a história
Que iluminaram as fontes do saber com tanto conhecimento
Aqui sim... Também me sinto tão bem
Tão eu... Tão loucamente eu...
Que murmúrio tão perto de mim
Que voz é esta tão intensa cá dentro
Que sentimento tão sincero tenho...
Por este povo que me abraça
Sem mesmo querer faço parte deste mundo tão intenso
Nunca poderia partir deste mundo
Sem antes estar aqui tão perto de mim
sexta-feira, setembro 11, 2009
Sinto-me um estranho a cada dia
Caminho pelas ruas antigas
E guardo para mim o sabor desta viagem
Guardo só para mim...
O intenso sabor de cada momento
Olho cada pedaço de pedra erguido aqui
Faz-me feliz...
Caminho pelas ruas
Onde tantos outros já passaram
Onde tantas histórias já se fizeram
Onde tantos caminhos se cruzaram
Amarro-me a cada momento
Escrevo e evoluo
quarta-feira, agosto 19, 2009
Quantas pessoas para nos ensinar um dom
Quantas palavras num papel...
Para descrever uma vida
Quantos passos para perder o sabor
O simples sabor da noite de verão
Quantos olhares para compreender o mundo
Quantas lágrimas para perceber a tristeza
Quanto tempo para entender toda uma vida
Quantos caminhos...
Quantas ruas e quantas estátuas temos de erguer
Para sermos nós próprios
Para sermos guerreiros em cada batalha
Quantas vezes temos de perder
Para ganhar o que está por vezes tão longe
Quantas...
Agosto de 2009.
Paris.
E eu aqui, no meio da cidade que toda a gente romantiza, a tentar perceber se a minha vida avança ou só faz pose.
A casa pequena, paredes grandes, janela virada para as galerias lafayette onde ainda se ouviam passos, risos e garrafas a bater em sacos de plástico. A cama tem um lençois amarelos. Eu sou só mais um, mas a cabeça teima em achar que estou a viver uma espécie de capítulo especial.
Tenho o caderno na mesa. Sempre o caderno.
Já vem comigo desde casa, trago dentro dele metade da minha alma em rascunho.
Antes de vir, escrevi:
“É tarde e parto para outro lugar
As memórias vão comigo
Para não me esquecer quem sou
De onde vim…”
Na altura pareceu-me frase de filme.
Agora, sentado aqui num quarto parisiense com o cheiro a corredor antigo, pareceu-me só um tipo a tentar convencer-se de que fugir para outra cidade resolve alguma coisa.
A verdade é que eu queria tudo:
Queria conhecer Paris, queria conhecer o mundo, queria conhecer-me a mim, queria amar-te, queria ser escritor, queria ser tudo ao mesmo tempo.
Vinte e tal anos na cara, excesso de sonhos na cabeça e um coração que ainda acreditava que a vida, no fundo, no fundo, ia correr bem.
Foda-se
Saí de casa.
A cidade ainda não tinha adormecido.
Paris à noite parece uma daquelas pessoas bonitas que sabem que são bonitas e nem precisam de se arranjar muito. As ruas antigas, cheias de pedra, carregadas de uma história que eu não conhecia mas sentia nos pés.
Escrevi depois:
“As ruas antigas únicas
Carregadas de romantismo
Em cada esquina vêem-se beijos longos
Abraços e lágrimas…”
E é mesmo assim.
Cada esquina parece um postal ilustrado: casais encostados a paredes, a pontes, a árvores, beijos demorados, como se o mundo fosse acabar ali mesmo.
Foda-se, que cidade indecente para quem está cheio de amor e ao mesmo tempo sozinho.
Caminho sem mapa.
Gosto da sensação de me perder.
A verdade é que não me perdia de verdade – Paris está cheio de placas, de linhas de metro, de turistas, de luz. A minha verdadeira confusão não é geográfica, é cá dentro.
Aqui, nesta noite quente de agosto, eu sinto duas coisas ao mesmo tempo:
-
Uma puta de uma alegria por estar aqui.
-
Uma puta de uma saudade de ti.
É como se o meu peito tivesse sido alugado a dois inquilinos ao mesmo tempo: o miúdo encantado com a cidade e o homem que já tinha medo de te perder.
Lembro-me de olhar para o Sena e pensar que aquilo podia muito bem ser uma metáfora barata da minha vida: um rio que segue, que leva tudo, que não volta, mas que brilha à noite com reflexos bonitos para enganar quem olha de longe.
Encostei-me a uma ponte num destes dias
Vi os barcos a passar, cheios de gente a tirar fotografias
Nas margens, grupos de amigos, garrafas de vinho, música, risos grandes.
E eu ali, a viver uma cena que qualquer guia turístico descrevia, mas por dentro a viver outra coisa qualquer.
Um descompasso.
“Aqui… respira-se cultura.
Respira-se amor, transpira a verdade escondida.
Aqui… é tudo tão parecido comigo.”
Escrevi isso depois, mas naquela noite já o sentia.
Paris parecia-me uma versão visível daquilo que eu tinha cá dentro:
um misto de velho e novo, de luz e sombra, de gente perdida e gente que achava que sabia para onde ia.
Passava e perpassava pelas avenidas, a absorver tudo:
– o cheiro do metro
– o fumo dos cigarros à porta dos cafés
– o som das línguas misturadas
– vendedores ambulantes a dizer “bonjour, my friend” em todas as direções
Um mundo de culturas livres, e eu sentia que, pela primeira vez em muito tempo, o mundo lá fora combinava com a confusão cá dentro.
Mas, claro, tu estragas-me sempre a festa.
Ou melhor: a falta de ti.
Porque, no meio de tanta luz, a tua ausência faz sombra
Cada casal que via era um lembrete.
Cada riso partilhado um eco daquilo que eu queria viver contigo.
Pensei:
Se estivesses aqui, isto seria perfeito.
Nós dois a andar pelas ruas, a rir de coisas parvas, a inventar histórias sobre as pessoas que passavam, a beijar-nos nas pontes.
Mas não estás.
E então Paris é, ao mesmo tempo, a cidade onde eu me sentia em casa e a cidade onde tudo me lembrava que me faltava alguma coisa.
É lixado estar num lugar destes, lindo mas com um coração em guerra.
Regressei a casa tarde.
Tinha o corpo cansado, os pés a latejar, a cabeça cheia de imagens novas, o peito cheio de saudade velha.
Sentei-me na cama com o caderno.
Escrevi:
“Paris…
Je t’aime…”
E depois parei.
Porque senti que não era só à cidade que eu estava a dizer isso.
Era à vida.
Era a ti.
Era a tudo o que ainda podia acontecer.
Tinha medo.
Claro que tinha.
Medo de não ser capaz de fazer nada do que sonhava.
Medo de ser só mais um gajo que volta de Paris com meia dúzia de fotos e nenhuma mudança verdadeira.
Medo de te perder.
Medo de me perder.
Mas naquela madrugada, pela primeira vez em muito tempo, senti também qualquer coisa parecida com coragem.
Ali, longe de casa, longe das rotinas, longe dos sítios onde sempre fui o mesmo, percebi que talvez eu conseguisse ser outra coisa.
Não outra pessoa, eu não queria deixar de ser eu, mas uma versão minha menos encolhida.
Fechei os olhos e ouvi o som abafado da cidade a entrar pela janela entreaberta.
Pensei: “Talvez eu também seja feito disto: ruas antigas, beijos que não dou, luzes que ainda não acendi.”
Por instantes, a tristeza e a alegria fizeram um pacto de tréguas dentro de mim.
Não era paz, mas era um intervalo suportável.
Peguei na caneta e escrevi mais uma vez, como se fosse um compromisso:
“Passo e perpasso pelas avenidas
E não me canso.
Em vez disso danço.”
Na prática eu não danço porcaria nenhuma.
Ando, tropeço, penso demais.
Eu ainda acredito que podia dançar com a vida sem levar sempre um pontapé nos joelhos.
Fechei o caderno.
Deitei-me na cama estreita, com o som de Paris lá fora.
E antes de adormecer, pensei :
– Se um dia eu me esquecer quem sou, que estas páginas me devolvam.
– Se um dia tu leres isto, que saibas: eu já te amava aqui, no meio de uma cidade que não fazia ideia de quem eu era.
Depois, deixei a madrugada acabar sozinha.
domingo, agosto 09, 2009
As ruas antigas únicas
Carregadas de romantismo
Em cada esquina vêem-se os beijos longos
Abraços e lágrimas
As luzes da noite tocam as portas do céu
Iluminam este palco intenso de cultura
Onde em outros lugares é tão escuro para ver
Aqui... Respira-se cultura...
Respira-se amor, transpira a verdade escondida
Aqui... é tudo tão parecido comigo
E é tudo tão presente e antigo
Pessoas andam livres pelas ruas
É um mundo de culturas livres
Passo e perpasso pelas avenidas
E não me canso
Em vez disso danço...
São tantas as ruas únicas
Que não me perco
Cada uma tem um palco único
Cada uma um cheiro intenso
Paris...
Je t'aime...
quinta-feira, julho 30, 2009
terça-feira, julho 07, 2009
Vejo-te e conheço-te tão certa
Os teus olhos tocam-me inteiros
A música embala-te e sinto-me menino
Gosto mais do sabor deste momento
Gosto do intenso sabor da saudade anunciada
Essa saudade que sei que sinto
Cai-te bem o sorriso
E os olhos que me deixam sem jeito
Sem saber o que faço apetece-me um abraço
quinta-feira, junho 25, 2009
quarta-feira, junho 17, 2009
segunda-feira, junho 01, 2009
Eles são caminhos longos desenterrados
Deixa-os aos nobres e aos poetas
Assim... Deixa o tempo voar e as nuvens passar
Conta histórias do que não fostes
Deita-te e morre...
Embala-te no sorriso dos Deuses
Porque eles acompanham-te na viagem
Truão... Deixa-te de sentidos e sentimentos
As noites quentes e frias que percorres há anos
São iguais...
Não há nada de novo aqui para veres...
Apenas o murmúrio da penumbra da noite
O teu crepúsculo mais distante
A tua noite... Um abismo colossal
Deita-te e morre Truão...
E deixa a glória aos imortais do amor...
Porque eles são a Lua e o Sol juntos
E são estátuas constantes no caminho
Truão meu bobo não te deixes levar pela ilusão de Maya...
sexta-feira, maio 29, 2009
Deixas o olhar de quem morde um beijo
Um coração que bate doce
Porque não dizer-te...
Que quando passas deixas o perfume que sonhei
E vacilam os pilares do meu viver
Que quando passas deixas o teu nome escrito
Nos meus olhos...
Nas minhas mãos que escrevem...
Nos meus dedos...
Porque não dizer-te...
Que quando passas te sinto perto
Tão perto...
Porque não sussurrar-te...
Quando passas o meu mundo pára...
terça-feira, maio 19, 2009
Tanto para viajar
Quantos caminhos para percorrer
Numa noite de Lisboa...
Quantas ruelas e murais claros
Quantos temas de conversa pela rua
Desconversados na ternura
Olhares penetrantes e doces
Quantas vidas até te ter
A Lua tão nua...
Há tanta coisa para sonhar
Tanto que não se diz e se diz tão direito
Quantos caminhos para um beijo
E um dia uma dança tão crua
Num jardim qualquer de rua
De forma tão fugaz e nua
domingo, maio 10, 2009
Apenas eu e o meu pensamento
Uma estrada marginal
Uma madrugada cheia de sentimento
Envolvo-me com o cheiro do mar
É arrepiante todo este momento
Nem quero saber se estou perdido
Quero andar...
Vaguear...
Perder-me quem sabe...
Só eu...
Que noite... Luxuriante
De tão vazia ficou tão calma...
E de tão calma ficou tão doce
quinta-feira, maio 07, 2009
A ternura da minha viagem
Invoco os Deuses
Para me sentir acompanhado neste trilho
Aguardo o momento da chegada
Um destino sem tempo
Tempo fugaz
As minhas asas cansadas de voar
E os meus caprichos de menino homem
Agora que me vejo a viajar
Faço uma promessa...
Jamais irei parar
Guardo para mim
O cheiro e o sabor desta viagem
Tão simples e intensa
segunda-feira, abril 27, 2009
Ainda não encontrei a vida...
Tenho aqui os amigos que construí
Viajámos juntos...
Divagámos pela noite e fomos verdadeiros
Os mundos antigos deixaram-nos ser
Olho para mim...
Tenho um bom motivo para sorrir
Sou eu... mais velho
A minha cara já não é de menino
Talvez o homem menino...
O cabelo, as rugas, os sinais
O tempo passa mas eu evoluo...
O tempo passa mas eu estou aqui
E de tempos em tempos vejo o meu reflexo
Nas janelas das casas
No comboio, no carro
São espelhos de água que se dilatam no tempo
Vejo-me e sou eu mesmo assim
Assim maduro e consciente
Por vezes tão perto de mim
Que me arrepio...
domingo, março 22, 2009
As minhas próprias palavras...
Radiantes e tenebrosas
Desfaço-me delas porque não as quero
É que ás vezes caio para não me levantar
Outras levanto-me para deixar de cair
Sacudo-me das frases inundadas
E desempregadas no seu todo
Deixem-me! Palavras...
Deixem-me sozinho por momentos
Porque em todo eu não cabem as palavras
Que não quero dizer...
A minha vida toda eu procurei-as
E agora não as quero...
Elas que me transportaram
E me deixaram...
Agora eu deixo-as
Sacudo-as...
Mato-as...
Quantos caminhos até as não ter
Quantas vidas até as não querer...
domingo, março 15, 2009
E ver-te dormir
Deitar-me ao teu lado
E sentir-te perto
Sentir-me completo
Mas tu não sabes que eu estou lá
Posso sentir o teu corpo esta noite
E guiar-me por entre as cortinas do teu rosto
E enquanto adormeço
Sinto o calor do teu abraço
Do teu corpo
Saboreio o suave murmúrio do teu cheiro
Que se espalha por mim
Sonho acordado neste delírio quase divino
E deixo-me levar pelo encanto deste sentido
sexta-feira, março 06, 2009
Por entre as cortinas da minha mente
Olho o céu e tento não voar
Conto as horas para poder acordar
Uma vez mais transporto-me
Deixo-me levar por esta corrida
Encontro-me...
Desfaço-me em poucos pedaços
Esta noite há pessoas a dançar
As músicas tocam mas nenhuma é minha
Canto para mim
E envolvo-me num desencontro
Afastado do tempo
Sento-me aqui sem nada para fazer
E nem sequer uma ponta de silêncio
Para me fazer companhia hoje
Respiro este ar cansado e turbulento
Saudade do mar e do cheiro da areia
E esta folha de papel
A única coisa que tenho agora
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Vou buscá-las no caminho das estrelas
Sigo Sul a caminho da eterna glória
Sou semblante dos cometas
Atarefado no meio do cosmos
Percorro o centro do teu olhar
E desvio o meu caminho pelo Universo
Repouso numa outra galáxia também
Tento desvendar no meio deste mundo
Quem são estes seres astrais…
Voo por entre o espaço articulado
E canso-me de me cansar
Sou eu que visito os astros
E pinto no céu os sorrisos azuis
As nuvens acompanham a minha loucura
E alcançam comigo outros mundos
sábado, janeiro 17, 2009
Alcanço o meu infinito
È noite e a Lua acompanha-me
Desfaz-se um sabor amargo
Deixo-me levar pela incontornável passagem do tempo
E elevo-me ao simples gigante que sou
Levanto voo e viajo
Alucino...
Olho os meus olhos e envelheço
Voo para lá de mim mesmo
E ultrapasso a minha sombra
Distante percorro o meu pensamento
Sou transparente
Incolor...
Que fome tenho do mundo!
Sinto a noite e como-a...
Como se quisesse tocar o infinito
Talvez partilhar uma lágrima
Um sorriso...
Uma época na eternidade
Que desejo secreto...
Uma subtileza no meio do silêncio
Mais do que esta viagem
Sou eu que me encontro...
E que me satisfaço neste âmbar de mel