segunda-feira, julho 24, 2017

Às vezes quando estou aqui
Tento imaginar-te junto a mim
A sorrir ou simplesmente em silêncio
O meu pensamento voa
E não quero parar
Não sei para onde vou
Nem quanto tempo demoro
Só quero imaginar-te
Pequena e confortável no meu abraço
E para mim quero que fiques tão na minha pele
Mesmo que seja por poucos minutos
Por pouco tempo
Para que me recorde que estou vivo
E que ainda sinto
Mesmo que seja um breve sentir
Como um suspiro de felicidade
Mesmo que seja curto
Pois sei que a vida voa e o tempo passa
E de certeza que passa
Então sinto-me bem
Ao sentir-te tao perto do meu pensamento
Do meu refúgio
Da minha pele

sexta-feira, julho 21, 2017

Quero que saibas uma coisa
Talvez não seja uma coisa qualquer
Porque no encanto da noite
Nada é despercebido
Então eu não sou o homem
Mas sim o menino
Que se perde no teu olhar
Talvez para se encontrar
É que no escuro da noite também te encontro
E a cor da tua pele deixa-me sonhar
E não te conhecendo, conheço-te
E não te tocando, toco-te
E não te falando, falo-te
Porque é assim a noite calma e escura
Quando penso em ti

terça-feira, julho 18, 2017

Perco-me na noite contigo
Ouço a tua voz que passa por mim
Como uma doce palpitação
Que me faz sonhar
Desconheço o sabor desse abraço
Mas quero envolver-me nos teus braços
Procurar o silêncio calmo do teu sorriso
E se assim for...
Tocar o teu rosto, o teu cabelo
E já é tarde...
Não quero deixar-te ir
É então que fecho os meus olhos
Imagino o teu beijo que se desfaz na minha boca
Como quem morde um sorriso
Adormeço já tarde mas feliz
E assim sou

quinta-feira, maio 25, 2017

Sinto saudade da saudade de te ver
E a noite passa ardente
Sem ter razão para adormecer
Podia agora nesta noite escrever
Um poema triste
Mas só me lembro de uma palavra
Saudade
De falar contigo
De te ver
Mas a noite passa e tu estas ausente
Sem que ninguém me veja
Escondo-me numa madrugada
Tao distante que mais parece uma eternidade

quinta-feira, maio 18, 2017

Quanto mais penso em ti
Menos o tempo passa
E parece que o tempo ecoa
E todo eu quero ser teu
Oh! Deixa-te ficar junto a mim
Para devagarinho os meus braços te apertarem
Os meus olhos beberem o teu sorriso
Porque o tempo passa e perpassa
E eu nos meus crepúsculos da noite
Vejo-o fugir lentamente
Talvez porque queira estar junto a ti
Aninhar-me no teu leito
E deixa-lo passar

terça-feira, maio 16, 2017

Desboto-me com a noite
E com a noite fico
Pois é tão tarde e já não quero adormecer
Poiso as minhas mãos nos olhos
E permito-me chorar devagarinho
Como se nada fosse
E tudo fosse...
Pois que importa?
As almas também choram
E a minha tem cá uma coragem para fraquejar...
Mas só não quero adormecer esta noite
Nem me sentir abandonado neste ato de coragem

Tenho saudades
E ainda só passou um dia sem te ver
Na verdade passou uma eternidade por mim
Falei de ti á noite
E na minha solidão beijei os teus lábios
Beijei-os perdidamente
Quantas vezes me apeteceu
Vem-me buscar, peço-te...
E tira-me esta saudade que eu sei de onde vem
Prende-me os braços junto aos teus
Sente o meu coração faminto
E beija a minha boca apaixonada
Fala-me como gostas de mim
Eu escuto-te calmamente
Como se das tuas palavras saíssem os acordes
De uma qualquer guitarra antiga
E quebrassem o silêncio
Da minha solidão
Da minha saudade

quarta-feira, maio 03, 2017

Como que se parasse no tempo
Escrevo algumas palavras
Não sei para onde vão
As palavras...
Contento-me que sejam puras
Só assim podem viver na eternidade
Que mais eu poderia querer...?
Se no interior da tua ausência
Me dá para escrever...
O tempo não pára de passar
E as palavras são só uma desculpa para te recordar
Pois é que te recordo nesta noite
E sabe-me tão bem
Manter-te aqui junto delas
Das palavras...
Como que se as pintasse contigo
E todo eu não estivesse longe de ti
Deixo-as aqui escritas neste momento
Para me lembrar um dia que vivi
Que fiz parte desta onda frenética
Que é a vida
Mas a tua ausência enlouquece-me
Deixa-me para aqui
Longe do mundo...
A pensar em ti

sexta-feira, abril 28, 2017

Trago comigo uma memória simples
Desta minha vida agridoce
Onde sinto ainda uma profunda saudade
Que me satisfaz recordar
A chuva que caia entre nós
Por entre o mundo
Perto daquele mar
Naquela nossa monotonia alegre
O teu cabelo molhado junto ao meu rosto
E um beijo surpreso
Que de tão simples
Tocou os pilares da minha memória para sempre
É isto o amor? Pergunto aos deuses
Se for então deixem-me recordar vivendo junto a ti
Pois agora posso sonhar novamente

quinta-feira, abril 27, 2017

Sabes, as vezes quero falar-te
Pegar no telefone e dizer-te "olá como estas?"
Ouvir o silêncio do outro lado
E depois ouvir a tua voz
O teu sorriso
Imaginar-te num lugar teu
Onde só tu podes estar
E falar-te
Simplesmente contar-te coisas banais
Do meu dia
Ouvir dos teus lábios uma acolhedora cumplicidade
Ouvir o teu dia e dizer-te que gosto de ti
Que sinto isto por ti
Como que cá dentro não existisse mais espaço
E me perdesse nas palavras tentando explicar-te
Que não me apetece desligar o telefone

A noite já vai longa
Não deixo de pensar em ti
Não tenho para onde ir
Nem tampouco mão em mim...
Assumo ao mundo
Que sou louco por ti
Grito em voz alta
Sou completamente louco
Doido varrido...
Quero só para mim o teu sorriso
Aquele teu olhar apaixonado
Como quem esconde um beijo
E pede outro
E mais outro...
Quero aquele abraço apertado
Que me embala seguro
E não me deixa cair

quarta-feira, abril 26, 2017

Sou quase o vento
Em ti penso...
E é quase verão nesta noite cadente
Os anjos dizem-me para te procurar a cada instante
Mas eu encontro-te todos os dias...
Pois eles não sabem que no meu pensamento
Te olho e te falo a todo o momento
Encontro-te em todas as portas
Nos carros
Nas ruas
Nas paredes nuas
Este encontro e desencontro
Que arde por mim dentro
E me queima de saudade
Inunda-me de uma triste e estranha felicidade
É então que o amor acontece
Em todos os minutos que penso em ti
Não o amor luxuriante, lascivo, esse não...
Mas sim o amor que se destina a ser vivido
Não o vais ler em nenhuma folha
Não vem nos livros
Nem em página alguma de poesia
Nem eu mesmo sei descrever
Rio-me sozinho
Pois não sei chorar quando penso em ti

domingo, abril 16, 2017

Ontem,
Quando te vi...
Estava tão irreconhecível para mim mesmo
Que não sabia o que pensar
Precisava ver-te
Olhar-te...
Embalar-me num qualquer convite do teu olhar
Que pudesse em mim deixar um toque de desespero
Compreender porque tenho este estranho sentimento
De gostar de ti...
Pois quando ouço a tua voz ao telefone
Sinto-te tão perto...
Mas ontem...Quando te vi...
Quis falar-te do que sinto
Dizer-te o quanto odeio o estranho sabor das palavras que não saem
Palavras que nem eu sei pensar
Palavras quase gritadas
Quis perguntar-te onde tenho de ir para te ver a todo o instante










Um falso silencio instala-se...
É assim quando te vejo
Pois os meus olhos procuram-te incessantemente...
É então que caminho para além de mim
E te procuro nesta viagem
Não sei a que portas bater
Nem tão pouco tenho músculos de aço para me proteger
Nem uma espada tenho para me defender
Mas procuro-te
Procuro-te nesta angustia demorada
Neste dia-a-dia inocente
Imagino-te nestas noites em que penso em ti
E quero falar-te
Para te dizer que flutuo como uma pena
Neste silêncio esculpido
Em que pareço um quase nada
Levanto-me para cair numa madrugada distante
Que me eleva a tristeza de não te ter



sexta-feira, abril 14, 2017

Sabes...
Por vezes embarco em conversas comigo
E estava a dizer-me que tenho saudades tuas
Saudades de te pedir um beijo
Mas mais do que esse beijo
Tenho saudades de ti...
Dizia-me a mim próprio que de alguma forma necessito estar ao teu lado
Se me permites a pergunta
Queres estar comigo?
Sei que não ouviste bem
Baixa te um pouco e digo te ao ouvido
Sim curva-te um pouco
Vem aqui junto a mim
Vem comigo fazer parte da minha idade
Da minha infância até a minha velhice
Serenos e tranquilos
Cúmplices
Vens?
Desculpa o modo sincero caricato e infeliz
É que neste momento sou eu próprio sem o habitual filtro da vida
Durante tantos anos parece que me ausentei
E agora apareces de novo aqui
E eu tenho sede de ti
Anda vem comigo
O tempo agora é outro
Também tenho medo
Mas quanto mais medo tenho
Mais brilham os meus olhos
Quando penso em ti

terça-feira, abril 11, 2017

Quando cai a noite...
O barulho da solidão desliza sobre mim
Penso nela...
Como nunca pensei...
Como se a tivesse beijado hoje pela ultima vez na boca
Como se tivesse feito amor com ela na cama
E ainda sentisse o meu corpo vibrar
Como se a tivesse abraçado hoje
E esse abraço durasse a eternidade
Sinto-a como a deixei há dez anos
Sinto-lhe o sabor da pele salgada
Percorro todas as noites que passaram por nós num só momento
Todos os abraços apertados
E penso-a...
Fecho os olhos e penso nela
Sinto-a...
Tenho-a aqui tão perto
Aqui comigo...
Tão junto a mim que me arrepio
Tão perto que me esqueço que estou sem ela
Tão linda
Intacta no meu pensamento...
Porquê agora?
Que fiz eu?
Porque não agora?
Apetece-me gritar o nome
Soletrá-lo devagar...
Pintá-lo nas paredes das casas
Falar dela a toda a gente...
Ser feliz...
Mas num murmurio quase aflito
Compreendo só para mim que não está aqui
Dez anos de solidão e alguns dias que não tive junto dela
E agora sozinho adormeço
Como se tivesse o coração vazio
Deixo-me ficar
Assim deitado
A pensar nela...








sexta-feira, março 10, 2017

A mulher mais bonita do mundo
Dormia tão nua e deserta
Numa tela que foi pintada de olhos fechados
Naquele dia a mulher amanheceu
Acordou e tornou-se água do mar
E a vaidade desapareceu e ficou a beleza
Então ela tinha cabelos de água negros
A pele dela era de sal doce
Ela era linda
Os olhos negros lindos
A mulher mais bonita do mundo
Nasceu com o mar vestido de Lua
E naquele dia estava toda ali
Ela era linda
Acordou e sentou-se á janela
Voou e entregou-se para a Luz
Reflectia as ondas do cabelo dela
O seu sorriso navegava na água doce
Para lugar nenhum e para todo o mundo
Viaja sem vela enquanto exista água no chão




quinta-feira, junho 23, 2016

As vezes, quando me esqueço dos outros
Lembro-me de que algo para trás ficou
É quando me sinto triste
Por não conseguir andar para trás no tempo
É também assim nesse momento
Que sinto que o tempo não parou
E que algo em mim ficou como que estagnado
Um sentimento que não sai mas mata
Um sentimento que se congelou durante a minha vida
Um sentimento que se mantém e me destrói
Ás vezes esse sentimento dura algumas horas
Outras das vezes dura dias
Depois passa...
Mas volta...
Como um vai e vem frenético durante anos diferentes
No entanto iguais
Acompanhados por este sentimento que se mantém em alerta
Será assim para toda a minha vida?
Uma questão que coloco nos momentos em que os dias passam
E este sentimento teima continuar
Escondo-o como se estivesse a dançar
Num baile de máscaras ambulante
Que se dilata no meu sorriso
Mas habita no meu ser
E faz parte do palco da minha vida
Como uma tragédia que não tem fim
Senão o próprio trágico fim da eternidade
Este sentimento antigo que protege a saudade que eu gosto de ter
Mas que me destrói
Acompanha-me como se fosse a minha pele

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Quando olho para mim

Analiso se estou parado no tempo

Ofuscado pela corrida desenfreada dos dias passados
Reparo então que o mundo andou ao contrário
E sem saber procuro-me
Reparo nos meus traços
Os meus anseios
As muralhas que criei
Revejo-me no Universo que não é mais do que eu
Pois sou dono do mundo
E este é dono de mim
Andamos de mãos dadas
Pois então corremos de um lado para o outro
Como duas crianças
E o tempo passa
Passa aqui e ali
Passa sem parar porque não há tempo
Não há tempo para parar



Não tenho nada que já tivesse esquecido
Pois quando o tempo passa fica a memória
Como se se tratasse de uma manta de retalhos
Muito elaborada e de cores tão vivas
Mas mesmo assim alguns tons passam despercebidos
Como que se ficassem esquecidos
Ocultos aos olhos de quem os não vê
Mas as cores não mentem
Assim como as recordações não se esquecem
Talvez os pensamentos outrora pensados se desvaneçam
Mas não tenho nada aqui dentro que já tivesse esquecido
E é tão bom lembrar-me do tempo que passou

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Este é o nosso planeta
Visto de longe 
Redondo ofuscado pelas nuvens e tempestades
Cheio de batalhas e guerras sem fim
Durante décadas e centenas de anos
Desde sempre 
E o que aprendemos até agora
Nada 
Um nada que para além do vazio
Não nos fez aprender nada...

quinta-feira, abril 03, 2014

Quanto mais penso mais pequeno sou...

terça-feira, fevereiro 25, 2014

A minha voz embarca num grito aflito
Uma noite inteira passa devagarinho
E não passa por mim a brisa da madrugada
Porque navego já longe dos meus sentimentos 
Numa mancha negra que se mostra na noite vazia
Voo neste silêncio quase gritado 
Quase vazio e cheio de nada 
E aguardo o nascer do dia 
Porque quanto mais navego 
Mais sinto o meu grito 
Voo devagar e magoado 
Cansado e sem rumo
Desamparado aqui me encontro 
A precisar da minha luz 
Que desapareceu assim numa batalha sem sentido
E preciso tanto da minha chama acesa
Nesta noite sem sono e um sabor a abandono


quarta-feira, janeiro 15, 2014

De repente o mundo ficou rápido
Tempestuoso e frio
E a água gelou
Congelou...
As árvores pararam de crescer
Os meus pássaros pararam de cantar
E a minha sentença desenrolava-se
Escrita por alguém
Num livro dourado de metal
Eu fiquei á espera
Que me fosse retirado um ultimo folego
E sem querer encontrei um pequeno ramo
Ao qual me segurei
Com força...
Agarrei-me ali sem sentido
O frio congelou-me e sentia o peito apertado
O meu coração abrandou
Eu podia agora pensar mais devagar
O mundo ficava mais lento
Mais limpo
Mais puro
Deixava-me levar
E perguntei-me como será?
Como será encostar-me aqui?
Congelar o corpo nu
Até que alguém me venha resgatar da vida
Até que alguém note que existi e que vivi

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Quem me quiser falar que me chame
Já não vejo ninguém...
Se alguém me vir foi um acaso
Se alguém me reconhecer é um engano
Ou um fracasso da memória de alguns
Mergulhei convicto  há muito tempo
Sob um céu de águas estagnadas
Onde outrora a água era água
Vinho era vinho
E amor era amor
Esta dor que arde dentro de mim
Num perpétuo movimento
Onde numa sinfonia turtuosa nado para longe
Até ao meu desembarque
Em terras distantes
Vivo aqui na água
Mas não dentro dela
Vivo aqui no mundo
Mas não dentro dele

terça-feira, agosto 20, 2013

O que está para além de mim também sou eu
Encarrego-me de me entender 
Ás vezes consigo...
Outras continuo o caminho que me é dado a conhecer
Pois não sei caminhar de outra forma
O que sou para além de ser também sou eu
Por vezes escondido na minha floresta 
Não me iludo quando não me encontro 
Sei apenas que o tempo me encontra
Por vezes sóbrio e transparente 
Outras camuflado pelo véu desta existência
A noção de estar vivo expande-se com uma suave respiração 
O resto são banalidades 
Relembro para mim o grande poder que é o pensamento


sexta-feira, janeiro 18, 2013

Um filho nunca é nosso
È como todos nós, livres e senhor dele mesmo
Podemos dizer que tem os nossos traços
As nossas cores
Os nossos sorrisos
Mas ele é ele
O meu tem o sorriso da minha alma
Possui o melhor de mim
Tem parte da cor da minha pele
E o cabelo igual ao meu de quando eu era assim miúdo como ele
Tem os olhos carinhosos da mãe
Quando olho para ele dá-me vontade de apertá-lo
De abraçá-lo e de o proteger
Mas é ele quem me protege...
Quem me faz sonhar e mudar
Porque quando olho para ele descubro quem eu sou
No meio da corrupção do mundo
Quando olho para ele amo-o a cada segundo
Porque sei que o tempo é vago e escorregadio




quarta-feira, junho 27, 2012

È necessário vivermos durante anos
Aprender a estar connosco para após algum tempo
Reconhecermo-nos diante da face dos nossos filhos
E como que por coincidência
Revemo-nos diante do ser mais belo
Talvez com as mesmos receios, os mesmos medos
Talvez até com os mesmos olhos
A mesma voz, o mesmo sorriso
Até mesmo o andar pode ser igual
Foi necessário caminhar tanto
E de tantos passos andar
Saborear o quanto é bom ter no mundo uma parte de nós
Um bocado de mim
Uma centelha deste meu ser tantas vezes errante
È tão bom ter-te comigo
Saber que não és meu mas sim parte de mim
Como um prolongamento da minha vida
Da minha alma
Do meu ser
Amo-te

sábado, janeiro 14, 2012

Conto os dias, as horas e os anos
Conto só para mim desde a minha nascença
Todos os minutos são meus
Só meus...
E por vezes sinto-me um farrapo
Por não os aproveitar
Não os ver ou sentir
E passa o dia e a noite
Por vezes sempre iguais
Desfaço-me em ritmo lento
E aperto o meu talismã contra o peito
È sinal de desespero dizem...
Para mim, sinal de paz
Enfim sou eu, coisas da alma
Embriagado pela busca que me conduz
Vou contando devagar
Um dia acabo no infinito
Acordado de um sonho bom

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Por vezes encontro no tempo
Uma recordação feliz do que fui
Talvez para me lembrar que um dia irei voltar atrás
Fazer uma longa caminhada de volta
Para me encontrar com a vida
A vida... Essa puta...!
Tinha umas coisas a dizer-lhe...
Até tinha...
Ainda não fiz paz comigo
Quando fizer já terei engolido todas as palavras
Mas talvez no final me lembre do que fui
Ou talvez me iluda até morrer
Quem sabe quando o tempo me deixar em paz
E o fim seja um bom final feliz
Deus saberá o que fazer de mim

terça-feira, agosto 30, 2011

Vês estes olhos?
Tão escondidos do mundo
Não se dão a ver
Alcançaram em tão pouco tempo
O mundo que tocaram
O mundo que quiseram ver
E perderam-se tantas vezes que perdi a conta
Percorreram distâncias que poucos tocaram
E aqui estão eles!
Uns olhos que de tão cansados
Se decidiram misturar com a multidão que não os conhece
Não os desvenda...
Nem quer saber
E aqui ninguém os vê ou sente
Ninguém os vê com olhos de ver
Ninguém os toca
È divino quando não nos conhecem
Quando passamos ao lado
Quando nos passam ao lado
Por momentos sou quem mais sou
Eu mesmo num turbilhão desperto
Longe, mas de mim tão perto
E ninguém sabe por onde andei
Só eu sei o quanto aqui estou
O quanto fui e quanto amei
De tanto cair me levantei
E aqui estou passo e ando
Corro e não descanso
Porque sou eu
Sem ter mais ninguém
Só eu
Quando passam não sei quem são
Não se mostram como eu
Não me deixo ver
Não me deixo...
E quero esta solidão
Só para mim
È que ás vezes sinto-me egoista
E a solidão é a companheira dos lugares
Tão bem caminhados
Somos irmãos
Tornou-se sangue do meu sangue
Parte da minha carne
Lágrimas das minhas lágrimas
È assim que passo por quem me olha
Não se conhece...
E não me conhece

terça-feira, junho 07, 2011

Tinta azul...
Papel congelado
Uma noite de Inverno
Sem sentido a minha mão desliza
O aparo suave transporta o meu ser
A minha alma repousa agora nesta folha
Liberto-me das amarras do cansaço
E aqueço este papel branco com a minha memória
Pois que não tenho mais ambição
Senão aquela de ser eu mesmo agora
Eu próprio e este momento
È então que me liberto para descongelar esta folha
O azul borra mais umas palavras
Uns rabiscos que me lembram o frágil que sou
È que nem sempre sou forte...
È que sempre que viro as costas a mim mesmo
Congelo como este papel que agora aqueço
E não me esqueço...
Vou-me descongelando aos poucos
Com o tempo
E o tempo, esse fiel amigo vai passando
Como se não parasse
Afinal eu paro por vezes...
E não descanso
Só me canso

domingo, maio 08, 2011

De novo aqui
Palavras á mistura...
Sentimentos sagrados que evoluem
De novo aqui para mim
Só para mim
Um novo sentimento que me abala
E para quê? Para onde?
Talvez por onde...
Por onde andei
È que por vezes confundo-me
E não me encontro
Misturo-me
Abraço-me
Fundo-me com o agora
E grito para além do que é silêncio puro
De novo aqui...
Talvez para me sentir

domingo, janeiro 30, 2011

Quando olhamos para a nossa vida
Num estranho momento
Como se fosse numa sala vazia
As amarras do tempo mostram-se nitidas
Como se quisessem tocar o infinito
O pensamento puro e vazio
Uma sala limpa e vazia
Sem janelas
Paredes brancas
Chão branco
Independencia material
Faz-me recordar quem sou
O caminho tão perdido que fiz
As vezes que me desencontrei
Sim, no vazio encontro-me...
As vezes que o tempo me deixou parar
Que retrato cru e nu, tão vazio

sexta-feira, agosto 06, 2010

A Lua que sai à noite
Deixou no céu um rasto
Uma luz tremida que se reflecte
Faz lembrar um cometa
É a noite imensa carregada de mistério
Sigo vagueando pela estrada
Já tarde, são quatro da manhã
Alcanço um lugar que é meu
E a Lua caiu eternamente no meu caminho
Um sonho que já vai doce
Depois... Pergunto a Deus quem sou
Responde-me em sinais
No céu vejo os traços
Meio desajeitados
Tão perto falam-me de mim
E dizem tudo o que sinto...

domingo, junho 13, 2010

Já é tarde...
A noite avança
Vem para aqui
Aqui...
Junto de mim
Fica aqui e não saias
É tarde...
Não é nada!
Fica aqui! Onde vais? Aqui...
Não pode passar o momento
Que passe a noite...
Que venha o dia e ele passe também
O momento fica aqui!
Não sai daqui!
Fica...
Fica comigo esta noite...

quinta-feira, maio 20, 2010

Pinto-me de negro
Para me confundir com a noite
Essa bebida nocturna que ofusca o Sol
Agarro a noite aqui
Pois ela deixa-me sair
Um mundo cruel que só em sonho abandono
Pinto-me de negro
De luto...
De preto...
Não sou a sombra
Sou a noite...
Sou o som do Oceano
As ondas...
E em breve sou azul
Sou a madrugada ausente
Sou o mundo
O Homem...
O Menino...
Sou eu renascido de mim
Que nasço com este som
Nesta noite de tão negro azul pintado
Embalo a Lua num abraço feliz...

terça-feira, abril 13, 2010

As palavras que por vezes me completam
Nascem de mim...
Numa harmonia doce quase amarga
Inovam-se a cada instante
Bebo delas o sabor de cada segundo
E faço parte delas
Da mesma forma que elas se conservam
Então... Quase que por instantes
Elas falam a minha vida
Deixam no tempo a minha respiração
O meu olhar e a minha vida
Flutuam no mundo...
Palavras...
Unidas com o eterno sabor do momento
É um conjunto de sentimentos
Tão complexos...
Tão livres...
Tão geniais no seu Universo
Que se deixam deambular pela eternidade
Por vezes as palavras são tão brutais
Que não as quero escrever…
Nem as ouso pensar…
Andam lado a lado com a solidão
Têm diálogos com o meu ser triste
Sorriem com a satisfação
Rio-me delas e com elas me vejo
E sei que essas palavras...
Essas frases...
Contêm toda a minha vida

quinta-feira, abril 08, 2010

Talvez seja proibido
Falar nos dias que amo e nunca os conto
Talvez assim seja...
Porque por um dia falhado na vida
Serão mil anos de solidão intensa
Talvez então seja proibido
Como o sinal tão encarnado
É como quando passamos e ninguém nos passa
Quando vemos e ninguém nos olha
Quando falamos e ninguém nos diz nada
Talvez assim seja...
Vivermos na sombra do que passa proibido
Como o sinal vermelho...
Então passo devagar
E olho o mundo que passa
Com estes meus olhos de ler
Para que não passe de novo por mim
O que já passou
Talvez então seja assim...
Proibido...

terça-feira, abril 06, 2010

A noite passa...
Os meus olhos repousam
Gostava que estivesses aqui
Meu amigo, gostava que me visses agora
Já não sou o menino pequenino
Ou o Filipe pequenino
Meu velho amigo...
Como eu gostava que aqui estivesses
Partiste para tão longe
Deus... Esse grande desconhecido
Abraçou-te e levou-te para essa distância bruta
Meu velho amigo...
É com alegria que relembro o teu sorriso
A noite passa calma

segunda-feira, abril 05, 2010

Uma velha certeza...
Talvez o Sol tão longe
Essa linha no horizonte
Talvez me encontre e fale comigo
Talvez de amor
Talvez do tempo
Não sei...
Talvez não
Talvez uma resposta aberta
Que faço aqui e onde estou
Procuro-me
Talvez me encontre

domingo, abril 04, 2010

A rua calma
Passo devagar
A tarde tem sabor de primavera
Voo sobre a cidade
O meu pensamento vai longe
Distante...
Cruza-se na estrada que é hoje minha

quinta-feira, abril 01, 2010

Cem páginas brancas...
Demasiada tinta num só momento
Antes distante do que tão perto
Os meus dedos perpetuam as palavras
Que de forma desmedida
Pintam o meu rosto
E os sentimentos mudam de cor
Cem páginas brancas...
Desfiguradas por alguma batalha interior
Esfaqueadas e abertas ás feridas do tempo
Rasgadas outras cem...
Cem folhas...
Esquecidas ao vento
Cem anos de solidão
Passados num só momento
Um abismo profundo
Um sonho de heróis
Um caminho distante
Um sonho Utópico...

terça-feira, março 30, 2010

Por vezes mais vale não sonhar
Para não cair em desarmonia com a vida
Porque sonhar nos dias de hoje
Parece o vazio que não leva a nada...
Um caminhante sem estrada
É pior do que um homem sem sonhos
E os sonhos esses ficam para os amantes
Para os casais e para as crianças
Não... os sonhos não são para os que procuram o amor
Sonhar não é amar...
E amar não é esperar pelos sonhos
Talvez seja viver dentro de um sonho
Talvez seja fundir-se com a pureza da própria harmonia
Não...
Não sonho mais, nem mais um segundo
Talvez tenha desistido
Já não sei amar também
Talvez então me tenha esquecido do amor em algum canto
E entristeço... entristeço quando me apetece
E que importa?
Ninguém se importa quando estamos sós
Tanto faz para os outros
A vida passa...
E os sonhos vão ficando pelo caminho
Pintados nas folhas,
Escritos nas árvores...
Nas paredes ou nos vidros embaciados dos carros
Mas neste vazio há sempre um resto de sonho
Talvez a cada momento que não amo
Lembro-me de algum sonho que sonhei
Merda!
Puta de vida que passa despercebida...
Rouba-me os sonhos em cada esquina
Merda, merda, merda...
Perco a esperança...
Enlouqueço...
Não quero o tormento do coração que não sabe amar
Não quero...

sábado, março 27, 2010

Quero ver-te
Olhar-te nos teus olhos com o meu silêncio
Quem sabe ouvir a tua voz
E dela retirar o teu sorriso intenso
Para me rir também
Queria ver-te nesta noite
Apenas para me deitar sossegado
E descansar em paz...
Ah... Sim apenas ver-te...
Talvez de longe
Bastava olhar-te...
Saber que estás bem
Sabia-me bem ver-te hoje
E ouvir-te...

terça-feira, março 23, 2010

Segredos...
Tantos e tão poucos
São meus também
Apetece-me desvenda-los...
Os segredos tão teus
Talvez na intimidade de um sorriso
No gesto do silêncio
Ou na presença de um olhar
Talvez no inicio da madrugada
Ah... Segredos...
Que seria deles sem um confidente
Que pernoita no silêncio da noite
Segredos tão secretamente guardados...

sexta-feira, março 12, 2010

Nesta meia-noite que passa
Ouço o vento frio aqui fora
Entrego-me aos desafios da minha mente
Escrevo estes rabiscos numa mesa de madeira forte
E parto para um lugar mais quente
Quem sabe a praia do Sul
Parece que sinto o cheiro a maresia
E as gaivotas que costumam pousar na areia nua
O vento imagino-o mais quente
Finjo então que me sento
Nesta escada velha junto a um farol antigo
Ouço o mar que me fala mas que se zanga comigo
É que subitamente vejo passar um tempo que não é o meu
Nem sei o que sinto
Não me cabe a mim saber
Apenas desafio a minha mão
Que descreve sem sentido a minha alma
Estas palavras que não saem...
Mas que vão aparecendo timidamente
E de tanto pensar perdem-se...
Perdem-se talvez com o frio da noite
E esta meia-noite que passa
É mais uma meia-noite que de meia não tem nada
E é tão vazia como antigamente...
Tão carregada de horas vagas que não passam
Uma fria noite de Inverno que não passa
Gela-me tanto os dedos que não os sinto
E o meu corpo está todo frio, todo gelado
Assim como eu estou por dentro
Alma congelada que divaga
É só isso e mais nada...

quarta-feira, março 10, 2010

Ah... quero o cheiro...
E o toque...
A presença e o olhar
Quero só para mim
Toda a essência a que tenho direito
Cada pedaço...
Doce ou amargo
Tanto me faz
Cada acorde em harmonia perfeita
Um tom que faz desta valsa
A minha dança
Ah quero mesmo...
Só para mim toda essa beleza

domingo, março 07, 2010

Onde está aquele miúdo...
Que brincava e sorria
Aquele rapaz de cabelo louro quase branco
Talvez se tenha escondido com o tempo
Ás vezes aparecia e ria-se tanto
E o Verão parecia tão simples e puro
Tão sem medo, tão em paz
Onde está o sonho que foi o dele
Tão longe do tempo que passou
Onde está aquele miúdo que tinha medo do escuro
Escondia-se por trás do lençol
Talvez tenha crescido e sofrido
Vivido talvez...
Estou tão aqui
Observo o tempo que passa
Perpasso e passo a passo vou andando
E o tempo que passa tão fugaz deixa marca
Estou aqui...
Sou o menino já homem que quis ser
Ás vezes tento falar com o menino cá dentro
Busco o sonho ainda... Não me canso!
Mas não me reponde...
Sonho acordado, sonho tanto...
Sonho o mundo!
E sou tão voraz quando sonho!
De tão humano... Tão frágil...
Um homem menino ainda com medo do escuro
Estou aqui talvez por pouco tempo...
E quero tanto ver o mundo!
Que não me canso de procurar
Estou tão aqui... Não me vês...?
A poeira da vida ofuscou-me tanto...

segunda-feira, março 01, 2010

A minha guitarra geme esta noite
Ao meu ouvido ouço os acordes suaves
Deleito-me com mais um tom
Um som...
Ela fala só para mim
Uma linguagem que só eu sei compreender
Toco-lhe onde ela sente mais prazer
Suspira ao meu ouvido
Um som que lhe quero dar
Deixo-a ecoar por estas paredes nuas
Frias e cruas...
Só eu sei a timidez com que ela vibra nas minhas mãos
A minha guitarra geme esta noite
E sobe um tom quando lhe toco
Grita um acorde afinado
A minha guitarra geme...
E este gemido que não cessa
Faz-me sentir acompanhado nestas noites de solidão

sábado, fevereiro 27, 2010

Saudade de ti
Porque me esqueci de quem sou
Quanto mais entendo menos te olho
A distância afasta-me o pensamento
Quando menos te tenho no pensamento
Sento-me no chão frio
Sei que respiras a dor que sabe a frio
O frio que não vejo
Saudade... será essa sim...
A saudade vestida de dor
Que me prende a ti
Sem que eu mesmo saiba quem sou
Já me esqueci de quem sou
Afasto-me lentamente
Porque não tenho forças para sonhar além
Estou demente e sem força para me levantar

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Encosto-me a uma parede fria
Deixo-me ficar por um momento
A musica ecoa pela sala fria
Não me importo de sonhar
Aliás sonhei tantas vezes
Que não me recordo de jamais sonhar
E perdi o rumo da terra dos sonhos
Dos meus sonhos...
Aqueles que tive e iniciei quando era criança
Já não sei deles
Acho que virei retrato de um espectro adormecido
Acho que abandonei alguns deles pelo caminho
Gelado caminho...
Outros vão-se ainda construindo
Fragmentos do tempo
Perdi tanto...

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Lá longe deixem-me sonhar...
E viver o que não vivi
Não sei explicar o quanto
Por vezes não cabe em mim o tanto que já tive
Não tenho um vazio para mostrar
De certeza que não tenho
Talvez uma taça vermelha
Cheia de sonhos coloridos
Uns já feitos
Outros incompletos
Alguns tão distantes da minha estrada
Outros que perdi, que me esqueci talvez
Talvez a minha vida demasiado atribulada os fez perder
Por entre ruas e becos sem destino
E tive culpa sempre...
Porque não culpar-me?
A solidão de uma noite sempre me iluminou o dia
Estou aqui agora
A tentar escrever os sonhos que perdi
Para continuar a caminhar sem medo
Uma vela que se queima
O incenso que acalma
E este molho de sonhos na minha cabeça
Parecem-me tantos que sem querer esqueço-os
O tempo dá conta deles...
E esta certeza de não os ter
É um sentimento insuportável
Que se torna tão puro
Tão menosprezado...
E lá longe o tempo passa
Mas deixa as marcas aqui perto
Tão perto de mim

domingo, fevereiro 07, 2010

Já não sei se me entendo
Esta estrada por onde ando
Levou-me onde não queria
Não consigo explicar o propósito
Fico cheio de medo só de pensar o que perdi
Já nem consigo acordar sossegado
Espero não me ter distanciado de mim mesmo
Espero não ter assassinado o meu interior
Se o fiz nada mais quero senão o meu silêncio
Esse não me larga

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Olhem lá vai ele
Tronco forte e erguido
Olhar expressivo
Rosto branco e olhos claros
Meio careca e barba feita
Não tão jovem
Olhem lá vai ele
Com pressa e vontade
Mais um que se vestiu hoje
E saiu à rua tão apressado
Carteira na mão
E lá vai ele viver o dia
Olhem aqui eu vou...
Tão sem jeito
Tão marcado pelo tempo que vivi
Pela vida que amo e pelo sorriso que busco
Aqui vou eu...
Tão sem medo dessa eficaz ausência
Tão distante desse mundo
Vou com pressa de viver
De sorrir e de sonhar
Os olhos já viram tanto e tão pouco
Que não se cansam
Aqui vou eu tão ausente do mundo
Nem parece que choro por vezes
Aqui vou eu desta vez tão encolhido
A vaguear pela solidão da vida

sábado, janeiro 30, 2010

Há um som a cada noite que me separa
Talvez uma linha entre o real e o irreal
Um som quase sem tom
Quase que um sigilo
Como que fosse o despertar
Do meu próprio silêncio
Então assim debruço-me uma vez mais sobre mim
Neste meu ser tão distante
Fico sentado sem descanso
Fico amargo sobre o sorriso meu por enquanto
Fico aqui nesta sala fria
Fico doce
Sentado no chão e fora de mim
Fico calmo, sereno
Como se fosse um acorde
De uma guitarra que não ouvi

terça-feira, janeiro 26, 2010

Procuro nas palavras antigas
Uma porta para a minha confidência
Um lugar ermo para descansar o meu corpo
Talvez seja consumido pela luz
E me transforme em puro pensamento
Talvez...
Talvez aqui fique por mais algum tempo
E me torne fiel amante da madrugada
Apetece-me ficar aqui tão sozinho
Neste canto, nesta praia
O frio toca-me o rosto como uma faca afiada
Queima-me o tempo...
Desfaço-me na tentação de estar ausente
Ausente...
Que palavra... que silêncio...
Fora de mim procuro um braço
Um abraço forte de mim mesmo
Ah... porque preciso de mim agora...
Tão longe fui que já não sei voltar atrás
Ausência tão eficaz que se torna um crepúsculo
Imponente!
Sou capitão nesta ausência
Conduzo um navio enorme
E mesmo assim dou comigo à deriva
Estranha ausência de mim
Não ofusques o meu ser...
Deixa que a minha alma me conduza para outro lugar

domingo, janeiro 17, 2010

Iniciei este blog há qualquer coisa como seis anos, lembro-me de começar a escrever aos doze, recordo-me de sentir tristeza aos seis, lembro-me dos pequenos detalhes da minha vida, durante todo este caminho que percorri nunca me esqueci de que sou um ser humano e de que o sentimento não tem um valor na sociedade, neste espaço de tempo tão curto que é a vida, vivi como tantas outras pessoas confrontos de sentimentos, pensamentos, tristezas, alegrias, hoje quando entrei no meu blog apercebi-me que tenho para cima de onze mil e quinhentos registos de visitas, foi um caminho lento até chegar aqui, por vezes um ritual triste, dou comigo a pensar que pessoas e de que lugares já leram o que senti.
Deixo aqui a minha mensagem de agradecimento a todos os que lêem o que escrevo e espero que gostem do que escrevo, que as minhas palavras ou frases sejam um transporte para um lugar bem mais perto dos vossos sentimentos, da minha parte contem com o meu sentimento puro que tento sempre descrever, não ouso pensar na forma da frase ou palavra, limito-me á libertação de um conjunto de sentimentos, assim como Neruda um dia descreveu o grito Agú, aquele que é o primeiro poema sem ser forjado pela alma consciente, o primeiro pensamento sem ser modificado.
Todos somos diferentes no entanto nas palavras encontramos por vezes algum conforto, eu encontro em todo o local onde existe sentimento puro, espero que aqui neste lugar por vezes tão frio e sombrio que é o mundo virtual, encontrem algum abraço acolhedor nas minhas simples palavras.

Paz e amor a todos
Guilherme

sábado, janeiro 16, 2010

Posso chegar tarde esta noite
Chegar aqui e ausentar-me mais esta vez
Como tantas outras noites
Esta é mais uma madrugada distante
Em que sozinho me perdi
Posso deixar a minha lágrima fria lá fora
Posso chegar tarde então nesta madrugada
Abandonar o sonho que não tenho
Trocá-lo por este momento
Permito-me a mim mesmo não mais sonhar
Hoje deixo a agonia levar-me
Só hoje...
Porque talvez até esteja triste
Porque talvez até queira viver simplesmente este momento
Deverei chegar tarde esta noite
Como se não mais voltasse
Como se me quisesse perder sem destino
Sem pensar até em me encontrar
Posso e vou chegar tarde esta noite

domingo, outubro 18, 2009

Se alguma vez errei
Não me lembro de me ter esquecido
Construí com tantos erros a minha bandeira
Em todo o tempo ganhei
Não me lembro de ter perdido
Trouxe sim comigo o sorriso
Cada imagem na minha mente
Para me relembrar de onde sou
De onde vim e para onde irei
Não construí estátuas nem heróis
Vou andando...
Caminhando por aí, pela vida
E que vida...
Talvez um dia pare para descansar
E repousar os meus olhos já cansados
Sobre a história que fiz com as minhas mãos
Debruçar-me sobre o meu pensamento
Escrever num papel ou sei lá
Ou talvez me ilude
Que precisei de tudo o que fiz para ser feliz
Talvez...
Não sei, quem sabe alguém conte a minha história
Ou que ela venha em algum livro velho que não li
Talvez seja apenas eu que a conte
Para mim aqui ou em outro lugar
Para que não me esqueça que a vida
É um empréstimo fiel que Deus me fez...

domingo, outubro 04, 2009

Olhar para mim
É como olhar para o conjunto do que sou
Do que vivi, do quanto amei
Vejo-me ao espelho
E em mim cada pedaço de vida vivida
Sentir-me eu mesmo
Como se tivesse acumulado em mim
Todas as experiências que conquistei
Cada minuto desesperado
Para alcançar uma batalha desprotegida
No campo do mundo...
Falo comigo por vezes em voz alta
Mas para que ninguém me ouça
Falo-me a mim mesmo sozinho...
Que sonho mais sério e real!
E a minha voz ouço-a tão perto
Ecoa pelas paredes desta sala
Murmura o meu nome devagar
Não tão grande o sonho mas a vida...
Que sem sentido morreria
Mas com tanto rumo
Só pode ter o sentido da verdadeira felicidade...
Sempre...

segunda-feira, setembro 28, 2009

Cada dia como um dia novo
Em qualquer momento descubro a minha essência
Em qualquer rua descubro-me
Amo este lugar em que subitamente me encontro
Onde em todo o tempo sinto que nasço e renasço
É aqui que pertenço
Lugar de almas simples e fugazes
Que talharam a história
Que iluminaram as fontes do saber com tanto conhecimento
Aqui sim... Também me sinto tão bem
Tão eu... Tão loucamente eu...
Que murmúrio tão perto de mim
Que voz é esta tão intensa cá dentro
Que sentimento tão sincero tenho...
Por este povo que me abraça
Sem mesmo querer faço parte deste mundo tão intenso
Nunca poderia partir deste mundo
Sem antes estar aqui tão perto de mim

quinta-feira, setembro 10, 2009

Todos os dias as caras desconhecidas
Sinto-me um estranho a cada dia
Caminho pelas ruas antigas
E guardo para mim o sabor desta viagem
Guardo só para mim...
O intenso sabor de cada momento
Olho cada pedaço de pedra erguido aqui
Faz-me feliz...
Caminho pelas ruas
Onde tantos outros já passaram
Onde tantas histórias já se fizeram
Onde tantos caminhos se cruzaram
Amarro-me a cada momento
Escrevo e evoluo

quarta-feira, agosto 19, 2009

Quantos caminhos para realizar um sonho
Quantas pessoas para nos ensinar um dom
Quantas palavras num papel...
Para descrever uma vida
Quantos passos para perder o sabor
O simples sabor da noite de verão
Quantos olhares para compreender o mundo
Quantas lágrimas para perceber a tristeza
Quanto tempo para entender toda uma vida
Quantos caminhos...
Quantas ruas e quantas estátuas temos de erguer
Para sermos nós próprios
Para sermos guerreiros em cada batalha
Quantas vezes temos de perder
Para ganhar o que está por vezes tão longe
Quantas...

domingo, agosto 09, 2009

Paris...
As ruas antigas únicas
Carregadas de romantismo
Em cada esquina vêem-se os beijos longos
Abraços e lágrimas
As luzes da noite tocam as portas do céu
Iluminam este palco intenso de cultura
Onde em outros lugares é tão escuro para ver
Aqui... Respira-se cultura...
Respira-se amor, transpira a verdade escondida
Aqui... é tudo tão parecido comigo
E é tudo tão presente e antigo
Pessoas andam livres pelas ruas
É um mundo de culturas livres
Passo e perpasso pelas avenidas
E não me canso
Em vez disso danço...
São tantas as ruas únicas
Que não me perco
Cada uma tem um palco único
Cada uma um cheiro intenso
Paris...
Je t'aime...

quinta-feira, julho 30, 2009

È tarde e parto para outro lugar
As memórias vão comigo
Para não me esquecer quem sou
De onde vim
Quero tudo o que tenho direito
E ainda mais quero o que me resta
Tenho-te no pensamento
E não quero tristeza agora
Só um lugar calmo para repousar

terça-feira, julho 07, 2009

Há paz em mim quando te olho
Vejo-te e conheço-te tão certa
Os teus olhos tocam-me inteiros
A música embala-te e sinto-me menino
Gosto mais do sabor deste momento
Gosto do intenso sabor da saudade anunciada
Essa saudade que sei que sinto
Cai-te bem o sorriso
E os olhos que me deixam sem jeito
Sem saber o que faço apetece-me um abraço

quinta-feira, junho 25, 2009

Se no final dos meus dias eu me sentir sozinho
Então é porque nunca me encontrei
E todo o tempo que gastei comigo foi em vão

quarta-feira, junho 17, 2009

Especial assim como uma onda do mar
Como a sensação de estar vivo
E então vivo ser todo o presente
Especial como a Lua entre a noite
Uma chuva de sentidos
E a noite ser a madrugada tão doce
Especial como o cheiro das flores
Nas manhãs de sábado
Especial como um leve beijo
Suave sussurrado pelo vento

segunda-feira, junho 01, 2009

Truão... Por favor não percorras os trilhos
Eles são caminhos longos desenterrados
Deixa-os aos nobres e aos poetas
Assim... Deixa o tempo voar e as nuvens passar
Conta histórias do que não fostes
Deita-te e morre...
Embala-te no sorriso dos Deuses
Porque eles acompanham-te na viagem
Truão... Deixa-te de sentidos e sentimentos
As noites quentes e frias que percorres há anos
São iguais...
Não há nada de novo aqui para veres...
Apenas o murmúrio da penumbra da noite
O teu crepúsculo mais distante
A tua noite... Um abismo colossal
Deita-te e morre Truão...
E deixa a glória aos imortais do amor...
Porque eles são a Lua e o Sol juntos
E são estátuas constantes no caminho
Truão meu bobo não te deixes levar pela ilusão de Maya...

sexta-feira, maio 29, 2009

Quando passas aqui como um gesto
Deixas o olhar de quem morde um beijo
Um coração que bate doce
Porque não dizer-te...
Que quando passas deixas o perfume que sonhei
E vacilam os pilares do meu viver
Que quando passas deixas o teu nome escrito
Nos meus olhos...
Nas minhas mãos que escrevem...
Nos meus dedos...
Porque não dizer-te...
Que quando passas te sinto perto
Tão perto...
Porque não sussurrar-te...
Quando passas o meu mundo pára...

terça-feira, maio 19, 2009

Há tanta coisa para falar
Tanto para viajar
Quantos caminhos para percorrer
Numa noite de Lisboa...
Quantas ruelas e murais claros
Quantos temas de conversa pela rua
Desconversados na ternura
Olhares penetrantes e doces
Quantas vidas até te ter
A Lua tão nua...
Há tanta coisa para sonhar
Tanto que não se diz e se diz tão direito
Quantos caminhos para um beijo
E um dia uma dança tão crua
Num jardim qualquer de rua
De forma tão fugaz e nua

domingo, maio 10, 2009

Saí à rua sem destino
Apenas eu e o meu pensamento
Uma estrada marginal
Uma madrugada cheia de sentimento
Envolvo-me com o cheiro do mar
É arrepiante todo este momento
Nem quero saber se estou perdido
Quero andar...
Vaguear...
Perder-me quem sabe...
Só eu...
Que noite... Luxuriante
De tão vazia ficou tão calma...
E de tão calma ficou tão doce

quinta-feira, maio 07, 2009

Guardo só para mim
A ternura da minha viagem
Invoco os Deuses
Para me sentir acompanhado neste trilho
Aguardo o momento da chegada
Um destino sem tempo
Tempo fugaz
As minhas asas cansadas de voar
E os meus caprichos de menino homem
Agora que me vejo a viajar
Faço uma promessa...
Jamais irei parar
Guardo para mim
O cheiro e o sabor desta viagem
Tão simples e intensa

segunda-feira, abril 27, 2009

Foi a melhor noite da minha vida
Ainda não encontrei a vida...
Tenho aqui os amigos que construí
Viajámos juntos...
Divagámos pela noite e fomos verdadeiros
Os mundos antigos deixaram-nos ser
Olho para mim...
Tenho um bom motivo para sorrir
Sou eu... mais velho
A minha cara já não é de menino
Talvez o homem menino...
O cabelo, as rugas, os sinais
O tempo passa mas eu evoluo...
O tempo passa mas eu estou aqui
E de tempos em tempos vejo o meu reflexo
Nas janelas das casas
No comboio, no carro
São espelhos de água que se dilatam no tempo
Vejo-me e sou eu mesmo assim
Assim maduro e consciente
Por vezes tão perto de mim
Que me arrepio...

domingo, abril 05, 2009

Sinto paz em ti
Poesia amarga e doce

domingo, março 22, 2009

Sacudo aquelas palavras
As minhas próprias palavras...
Radiantes e tenebrosas
Desfaço-me delas porque não as quero
É que ás vezes caio para não me levantar
Outras levanto-me para deixar de cair
Sacudo-me das frases inundadas
E desempregadas no seu todo
Deixem-me! Palavras...
Deixem-me sozinho por momentos
Porque em todo eu não cabem as palavras
Que não quero dizer...
A minha vida toda eu procurei-as
E agora não as quero...
Elas que me transportaram
E me deixaram...
Agora eu deixo-as
Sacudo-as...
Mato-as...
Quantos caminhos até as não ter
Quantas vidas até as não querer...

domingo, março 15, 2009

Posso chegar tarde esta noite
E ver-te dormir
Deitar-me ao teu lado
E sentir-te perto
Sentir-me completo
Mas tu não sabes que eu estou lá
Posso sentir o teu corpo esta noite
E guiar-me por entre as cortinas do teu rosto
E enquanto adormeço
Sinto o calor do teu abraço
Do teu corpo
Saboreio o suave murmúrio do teu cheiro
Que se espalha por mim
Sonho acordado neste delírio quase divino
E deixo-me levar pelo encanto deste sentido

sexta-feira, março 06, 2009

É tarde e movo-me
Por entre as cortinas da minha mente
Olho o céu e tento não voar
Conto as horas para poder acordar
Uma vez mais transporto-me
Deixo-me levar por esta corrida
Encontro-me...
Desfaço-me em poucos pedaços
Esta noite há pessoas a dançar
As músicas tocam mas nenhuma é minha
Canto para mim
E envolvo-me num desencontro
Afastado do tempo
Sento-me aqui sem nada para fazer
E nem sequer uma ponta de silêncio
Para me fazer companhia hoje
Respiro este ar cansado e turbulento
Saudade do mar e do cheiro da areia
E esta folha de papel
A única coisa que tenho agora

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Prefiro vestir-te com palavras antigas
Vou buscá-las no caminho das estrelas
Sigo Sul a caminho da eterna glória
Sou semblante dos cometas
Atarefado no meio do cosmos
Percorro o centro do teu olhar
E desvio o meu caminho pelo Universo
Repouso numa outra galáxia também
Tento desvendar no meio deste mundo
Quem são estes seres astrais…
Voo por entre o espaço articulado
E canso-me de me cansar
Sou eu que visito os astros
E pinto no céu os sorrisos azuis
As nuvens acompanham a minha loucura
E alcançam comigo outros mundos

sábado, janeiro 17, 2009

Caminho sobre uma estrada já antiga
Alcanço o meu infinito
È noite e a Lua acompanha-me
Desfaz-se um sabor amargo
Deixo-me levar pela incontornável passagem do tempo
E elevo-me ao simples gigante que sou
Levanto voo e viajo
Alucino...
Olho os meus olhos e envelheço
Voo para lá de mim mesmo
E ultrapasso a minha sombra
Distante percorro o meu pensamento
Sou transparente
Incolor...
Que fome tenho do mundo!
Sinto a noite e como-a...
Como se quisesse tocar o infinito
Talvez partilhar uma lágrima
Um sorriso...
Uma época na eternidade
Que desejo secreto...
Uma subtileza no meio do silêncio
Mais do que esta viagem
Sou eu que me encontro...
E que me satisfaço neste âmbar de mel

terça-feira, dezembro 30, 2008

Guardo para mim...
A perfeita tradução do abandono
Esse abismo onde ninguém está
E que eu tanto conheço
Essa linguagem que traduzida
Se desfaz no tempo e se oculta
No abismo da renúncia
Uma súplica desesperada
Para aprisionar uma dor suprema
A palavra traduzida...
Onde cabem tantas outras palavras
Onde nela coabitam tantos outros sentimentos
Onde existem tantos e tão confusos pensamentos
Não é uma mera palavra abandonada
Deixo-a aqui nesta análise sombria
E sem dúvida ao abandono das palavras

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Adoro-te como se nada fosse
E tudo fosse
Fosse um poema eterno
Uma lágrima pendente
Um sorriso alucinante
Adoro-te porque te quero
E quero-te tanto
Que fico parado
A olhar o tempo
Adoro-te

sexta-feira, novembro 21, 2008

Os dias passam
São iguais aos outros
Nada de novo aqui
Encontros desencontrados
E um cavalheiro só
Poesias, poemas e frases
Impossíveis de recortar do contexto original
Dignos mas sem valor
Talvez vitais os meus sinais
Duas casas tão brancas
E um manuscrito inédito
Tropeço nas minhas frases escritas
Rio-me de mim mesmo
E o tempo passa
Os dias, outros iguais
E as pedras da rua da mesma cor
O mesmo cheiro, o mesmo tom
Um carteiro sem cartas
A cidade não muda
Morre-se lentamente
Repetindo todos os dias os mesmos dias

quarta-feira, outubro 29, 2008

Não deverei render-me
Ao tempo que passa
Pernoito aqui neste lugar
Perto da minha alma
Rendo-me a mim mesmo
E agrado os Deuses
Em todo caminho
Encontro um novo sentido
Ofusco-me entre os demais
E procuro-me a cada instante
Encontro o guerreiro
Encontro o menino e o homem
Encontro-me...
Nesta aventura deslumbrante
Sou na prática um sonho da minha alma

quarta-feira, setembro 24, 2008

Caminho sonâmbulo
A noite passa como uma vida fugaz
O ar oprime o vazio
Nas minhas mãos... um aparo
Move-se lentamente
Por entre as linhas inexistentes
Deste papel branco
Vazio...
Marcas de inutilidade absorvidas pela madrugada
A minha mão passa descontrolada
Rasgo mais uma folha entre tantas páginas
Devolvo-me ao mistério místico de estar aqui
Taça amarga deste posto inseguro
A janela com vista para a noite
Deixa-me intacto por segundos
Momentos sólidos de pensamento inactivo
Deixo-me levar nesta meditação solene
Aguardo a espiral de pensamento
Que vem como um orgasmo lento
E se espalha como um doce veneno libertador
Aguardo e movo-me pela noite já cansado

terça-feira, agosto 12, 2008

Olhos de mel
Pêlo grosso castanho
Deixou-nos como um leve beijo triste
Ficou o vazio da presença
Parece que falta qualquer coisa
Um amor incondicional
Que por vezes eu não vi
Perco o sentido quando entro em casa
Sinto-a ali à porta
Mas não a vejo
Pinto-a em tela para que sobreviva
Ou para que nunca a esqueça
Deixo-a aqui nestas palavras eternas
Neste papel seco
Foste sempre fiel

segunda-feira, agosto 04, 2008

Olhos claros, cara simples
Lábios de carne grossa
Algumas décadas de dias e noites
Pequenas rugas no tempo
A Barba misteriosamente cresce branca...
Alguns tempos mais tarde quero lembrar-me
Esta vida e este meu personagem intenso
Tanto pensamento que não cabe dentro de mim
Sou uma esponja...
Absorvo o que me rodeia
Nada de materialismo, não suporto...
Simples como água
E complexo no pensamento
A viagem... Estrada para ser feliz
A chave, o momento...
Quero-o cada momento
Amar a viagem...
Somos feras em arena de palha
Sejamos humildes no dia que vivemos

quarta-feira, julho 23, 2008

Voo para lá do céu
E construo o meu pensamento ofegante
Viajo por entre as montanhas cobertas de neve
Deambulo por entre a natureza pura e sou livre
Ando de mãos dadas comigo
Vivo e revivo cada momento
Abraço o oceano e deixo-me levar
Sentir-me encurralado pela água
As ondas e o cheiro do mar
Deixo-me navegar neste incrível mundo
E viajo pela vida com alegria
Consciente do meu valor
Sou eu que voo agora aqui e ali
Viajante sem rumo
Crio o meu caminho e viajo para além dele
Ultrapasso-me e movo-me...
Sou comandante nesta viagem
E direcciono-me para o infinito de cada sonho meu...
Sou eu...

quarta-feira, julho 02, 2008

Possuo agora uma fonte inesgotável de pensamento
Fluido como água
Bebo deste elixir
Que se prolonga até ao final da minha vida
Sorvo deste âmbar precioso que se tornou esta descoberta
Abraço este novo mundo
Como uma criança que tenta andar pela primeira vez
Aguardo pacientemente todo o resultado que advém
Desta busca interior incessante
Que reconheço no meu sentir...
Sento-me e agradeço por cada momento que tive
Que tenho, que terei...
Amo cada instante do meu tempo
E sinto-me grato
Por cada momento de desiquilibrio que tenho
Porque cada um deles me obrigou a equilibrar-me de novo
Aqui estou eu uma vez mais
Agora mais forte...
Mais sábio...

sexta-feira, junho 06, 2008

Quem sou eu?
Para decidir escrever
A alegria do tormento
Eu que me revolto...
E me puxo para fora
Eu que me retiro para o nada
Onde não existem anjos
Eu que me desencontro e me encontro
Afinal quem sou eu para ser eu?
Quantas vezes falei
Quantas para mim eu ouvi
Eu sou o maior silêncio da noite
Desde então sou este eu
Que emerge do nada
E se torna neste homem menino
Posso escrever todas as palavras
Ainda até aquelas mais tristes
E pensar que não sou eu
Eu que pertenço a esta estranha tribo
Que surgiu da noite
Esta tribo de vozes caladas
Este silêncio que busca o vento calmo
O sopro das palavras
Sinto-as mágicas...
Máscaras vitoriosas contra o tempo
Pinto-as aqui neste caderno pequeno
Para que as encontrem intactas
Com restos do meu sentir...

segunda-feira, junho 02, 2008

Agora a cidade parece mais calma
Sem a penumbra do silêncio
Navego todos os dias pela mesma estrada
E todos os dias interrogo
Passo e perpasso no oculto
Caixeiros viajantes é o que somos
Para cá e para lá
Viajantes sem rumo nesta indiferença
Palavras que navegam
Não há nada como um poema
O vento toca a alma
E o Oceano acalma-se
Viajo e voo
Evoluo e vivo instintivamente

sexta-feira, maio 23, 2008

A magia de uma cidade adormecida
Traz-me de volta a nostalgia de ser criança
Terra de ninguém esta em que vivemos
Afundo-me por vezes em noites assim
Não temo mas também não caio nesta oculta magia
Deixo-me encantar pelo sorriso
E embalo-me a mim próprio
E é tão bom ser assim
Tão sagaz...
Inocentemente egoísta...
Apetecia-me ser algo nesta cidade mágica
Ser a Lua que tocasse o vidro das janelas
E acordar alguém com a minha luz
Talvez ser a guitarra que geme aqui
Aqueles acordes tremendos e alegres
Ou tristes...
Quem sabe o gato que faz a sombra na minha parede...
Quem sabe ser eu nesta cidade
E ser eu mesmo de novo neste antro imaginário
Espaço aberto à minha proposta da noite
Quem sabe não será esta a minha noite
Estas as minhas palavras
Esta a minha alma
Este o meu sentir...

quinta-feira, maio 15, 2008

Assustado com a minha sombra
Percorro a distância que não sei calcular
Por algum lado que tente ir
Não deixo que morra em mim
O segredo de ser livre
Nem que tenha de vaguear pelo mundo
O vazio retorna-me o pensamento
Do nada mancho tinta no papel
Riscos e rabiscos
Formas que me permitem expandir a minha alma
Retornar-me ao meu mundo selvagem
Instintivo e subtil
Liberto-me dos meus amigos mortais que me querem ver preso
Confronto-me assustado com a minha sombra
Deixo-me levar pelo oculto prazer
Do que as palavras significam para mim
E vivo livremente
A minha imaginação coloca-me na corda bamba
È tempo de evaporar
Não sou nada mas sou algo
E sou sempre bem vindo a este deserto
Que por vezes é a minha alma...

quarta-feira, maio 07, 2008

Devo render-me a mim mesmo
Tornou-se difícil agradar-me a mim próprio
Talvez exija de mim o que não existe
E o que posso dar não é moeda de troca
Sou quem sou
Sou escravo do que penso
Do que tento ser
Talvez seja mesmo o que sou
Rendido a mim mesmo
Talvez alcance metade do que me proponho
Tão farto deste solitário eu
Tão só que estou longe do meu lado
Não passo de um poema nocturno
Rendido ao que sou
Estou tão alto que o céu me perturba
Estou tão aqui que não quero este momento
Canso-me a desfazer este momento
Não quero o meu ar cansado
Nem um caminho traçado
Conheci um homem
Cujo rosto ocultado pela barba branca
Pele envelhecida já conta histórias
É o Cigano do Marquês
É o amigo da malta
Vendedor ambulante
Mas que será que ele pensa
Vi-o chorar como uma criança
Quando a mãe saiu deste mundo
Quando o vejo sinto amizade no olhar
Humilde nas palavras
Por vezes ninguém quer saber o que ele pensa
E por vezes ele nem se importa
Conheço-o e é como eu
Sangra e sofre como eu
Vive triste e alegre
Ali vai ele...
Quando não o vejo pouco me lembro dele
Quando o vejo quero voltar atrás e conhecer o interior
Parece que foi levado para algures
Por entre a selva urbana que não o deixou respirar
É o Sancho o cigano do Marquês
E parece que já não o vejo de novo

sexta-feira, maio 02, 2008

A partir do momento
que deixas a sociedade definir a tua liberdade
perdes toda a satisfação e prazer de a definir para ti próprio...

terça-feira, abril 29, 2008

Ela caminha nua e linda, pela madrugada
Nem mais nem menos do que um passo acertado
No desacerto da noite
Ouve-se alguém num quarto vazio
É a noite viva que não adormece
Alguém mancha o meu sorriso
Tão tangente ao meu silêncio
Adormeço
Não sinto uma vez mais
Mas viajo...
Contemplo e vivo
Sou eu
A noite vazia embala o silêncio
Ternura do abraço
Esconde-se um sorriso
Descreve-se um beijo
Este coração tem de parar para respirar
Este ar que é puro
Inocente

quinta-feira, abril 10, 2008

Até um beijo...
Pode conter toda a essência
Transportar a saudade
E canalizar energia para a serenidade
É uma liberdade quase isolada
Egocêntrica...
Contudo partilhada e egoísta
Eu quero um beijo...
E quero que os outros lábios
Os lábios junto aos meus
Sejam tão egoístas quanto os meus
Nesse toque não formal...
Mas quero-o só para mim
Aquele beijo...
Esse beijo...
O teu beijo...

quinta-feira, março 27, 2008

Tenho os braços arranhados
Um arranhão por cada vez que caí...
E fui-me abaixo tantas vezes
Algumas sem razão...
Guardo para mim cada momento que me levantei
E várias recordações dos meus dias
Silêncio tão quente
O mar tão distante que me abraça
E a areia da praia que tem o cheiro do que eu amo
Esta cidade está tão suja que se perderam os dias limpos
Só quero lavar a minha alma com esta nova água
Um oceano de paz...
Uma caminhada ao sol
Sabe-me bem o sabor salgado das ondas
Da água...
Sabe-me bem...

quinta-feira, março 13, 2008

Em passo acertado
Viajo sobre o absoluto
Penso e repenso
Passo e perpasso
Alargo o passo...
Para que ninguém note
Sou quem voa...
Desço a avenida
já descansado
A noite, dormente...
Sou viajante
Sem constante destino
Sou caixeiro
Ninguém sabe de mim
Amo a vida e as pessoas
Essas passam e perpassam assim como eu
Na rua...
Tão desinteressadas dos outros
Tão nas suas vidas...
Tão egoístas quanto eu neste momento...
Como eu na minha vida
Apressada e destrutiva
Desmedida e sem tempo para o que é doce
Em passo tão acertado que me desacerto
E me descontrolo pela avenida
Paro nas ruas e sinto o cheiro das coisas
Já vividas...
Toco nas paredes e quebro o silêncio do meu rosto
Quebro o silêncio da minha saudade
Sinto a voz interior da minha alma
Que me dá forças para não parar
Para mudar a cada instante...
E este sou eu...
Caminheiro compulsivo
Num passo desacertado
Passando por aqui
Vivendo por ali
Amando algumas coisas esquecidas
Sendo diferente... Sou eu...
Sou mudança sem constante destino...

terça-feira, março 04, 2008

Não penso
Sinto...
Viajo...
Sou livre...
E livremente amo...
Sinto... Então Existo...
Sou caminheiro
Sou amargo e doce
Salgado...

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Este sabor intenso
Faz-me agarrar a noite
Devoro-a com os meus olhos
Sou o mundo
Sou a estrada
Sou a manhã que quero ser
Sou este homem da cidade
Que quer viajar no mar
Fugir dos corpos desenfreados da população
Sou este corpo
Que não sabe o que dizer
Unicamente sentir...
Falar ou querer...
Esta madrugada é lenta
Estendeu-se pela penumbra da noite
Sou esta alma que não se acalma
Mas que adormece...

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Estou aqui junto a mim
O som da minha voz já não é igual
Nem o tom da minha pele
Olho-me nos olhos
Não sou eu...
Ou estou tão diferente
Que não me reconheço
Deixo-me levar por este momento
Curvo-me sobre o tempo
Esse amigo fugaz...
Que se apresenta sem forma
E nos rouba os sonhos
Luta desigual...
Estou aqui...
Estas rugas são tão reais...
Que nem as quero questionar
O tempo passa
A vida voa...

sábado, fevereiro 09, 2008

Desencontro-me...
Passo aqui uma vez mais
Temendo não errar
Errando...
Perpasso e procuro a sombra
Que se esqueceu de me seguir
Ficou lá longe
Transporto-me para lá
Transcendo-me...
Sigo o meu rumo
Ultrapasso-me...
Caminho, ando e voo
Sou feliz
Sou amante...
Encontro-me...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Se existe a noite
Dentro de cada dia
Então porque não sobra o tempo
Para não ser esquecido
E retirar as âncoras da saudade
O sentido da vida pôs-me aqui...
Deixou-me sem jeito
Interrogo-me sem dizer nada
E faço de mim um arguído inocente
Deixo-me levar...
E levo-me neste barco desancorado
Elevo-me...

domingo, janeiro 27, 2008

Amo-te aqui...
Em Lisboa, pelas ruas frias
E as paredes antigas
Não tão longe de Sintra
Mas assim como te sinto e quero dizer-te
Amo-te...
Nem só o tom do teu sorriso
Mas também o brilho do teu olhar
Ou o simples silêncio da nossa conversa
E aqui eu amo-te
Aqui eu vivo
Neste tempo com estes meus olhos iguais
Envelhecidos ou esquecidos
Como palácios antigos sem Reis nem Rainhas
Por vezes os dias passam
E são iguais
È como eu te amo
Sem saber dizê-lo
Mas querendo escrever o teu nome
Para que todos saibam
Nas paredes...
Aqui eu amo-te
Sem sombra de duvida
Neste crepúsculo lento
Um fim de tarde em Lisboa
Nesta noite submersa em Sintra
Terra e época em que vivo
Em que me alimento da minha fome de te amar
Na qual eu sou feliz por te ter encontrado
Quero saber se vens comigo
De mão dada nesta noite fria
Se vens e vais
Se ficas...
Quero saber se estás comigo
Para te invadir em tumulto
Sem que te apercebas da minha chegada
Quero saber se me dás a mão
Para caminhar contigo
E a compasso dançar com os teus olhos
Uma valsa sem musica ou cantando
Quero saber se estás comigo para eu ser perfeito
Quero saber de ti...
E sentir-te uma arte completa no meu ser
Saber amar-te na época em que vivo...

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Sobrevoo sobre uma terra intensa
A sombra do meu ser material
Deixou já de me perseguir
Navego pela porta da alegria de viver
E sentir...
Viver o momento que não mais existe
Que é único no seu universo temporal
Respiro-o e dou-me conta de que vivo
Nesse momento olho as coisas
São unicas e verdadeiras
E vislumbro...
Olho as paredes e as casas
As pessoas que passam por mim estão paradas
Neste momento sou eu que me sinto vivo
E olho através de maya
A ilusão que nos impede de sermos quem somos
Voo e sobrevoo cada centimetro de oxigénio
Cada milimetro de átomo que é nosso
Mas que a consciência não distingue ainda
Sou feliz neste momento...
Vou andando e passando a contrapasso
Nestes segundos que meço
Com a minha própria alma...

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Estas palavras são para um homem
Cujo valor para mim é sinónimo de luta
Aventura, alegria, carinho
Amizade
Cujo o abraço por tempo algum que passe
Fica sempre na lembrança
Estas palavras dispersas entre tantas outras
São para o meu avô
Quero-te bem de novo para termos tempo para rir
Estarei em breve contigo

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Não esqueças de ser tu próprio
E sê livre em qualquer circunstancia
Encara o medo de frente
E deixa-te levar pela intuição
Nunca temas a mudança
E confia sempre nele
Se errares levanta-te
Confronta-te com o erro que cometeste
Entrego,
Confio,
Aceito,
Agradeço...
Ama todos os seres
Aprende o mais que possas
Ajuda todos...
E nunca desperdices os momentos que tens
Tenho sede de viver
Quero ser e não ter...
Sentir e mudar...
Vou por aí ás escondidas
Sintra... Estrada velha
O ar antigo das palavras
Das frases e dos caminhos
Dos risos... sorrisos...
Chuva intensa de Outono...
Será um crime amar a noite?
Quem sabe a Lua...
Quero-a em pedaços...
A noite e o mundo
Num só local...
Onde todos entendam o silêncio
E lhe prestem homenagem...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Tem saudades das palavras
Aquela que da saudade
Transforma a vida em liberdade
Que oculta no tempo a esperança
Da eterna busca da felicidade
Quem tem saudades das palavras…
È quem viu e sente o cheiro do mar
Sem estar perto da areia da praia
Do vento, senhor do tempo
Da terra molhada...
Chuva de Outono...
Sol de verão...
Amanhecer de Primavera!
Para quem tem saudades das palavras
Aqui vão elas…
Puras
Cristalinas e sem temor...

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Obrigado por estares aqui
Perto de mim...
Obrigado por me ouvires
E me ajudares...
Obrigado por me levantares
E me obrigares a caminhar
Cada vez de forma diferente
Obrigado por esta aventura
Esta vida que me deste
Obrigado pela mudança constante
Que ocorre a cada dia da minha vida
Não deixes de me acompanhar
E dá-me força para nunca desistir
Obrigado meu Deus

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Fomos tão desesperados em amar
Que não sentimos a noite
Deixámos o mundo por momentos
Mas foi nosso por instantes
Pedaços de orgasmo
Amor à queima roupa
E musica que dança
Saboreio o doce mel do teu corpo
E alcanço um extase de silêncio pleno
Sou desesperadamente teu
Sou eu...

terça-feira, dezembro 18, 2007

A minha cidade...
É um mar de palavras ousadas
E alguns amigos desencontrados
Nos meandros do tempo...
São retalhos de momentos intensos
É uma estrada de sentidos
Sentimentos...
Riquezas e bens artilhados
É o querer ter o tempo passado
Que decorreu e não chegou
A minha cidade é assim como um mapa desajeitado
Cheio de ruas e ruelas
Avenidas e montras de mistérios
Que fui criando à medida que fui passando
Pelo tempo...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Preciso encontrar um local maior
Para pensar...
Espero que não me levem a mal
Enquanto penso ou viajo
As palavras são portas pequenas
Por onde passam e transportam
Perpassa o que é dificil acreditar
Sentimentos puros e por vezes sacrificados
Não cabem na minha vida
E preciso de mais...
Mais musica menos silêncio
Mais espaço entre as linhas
Mais silêncio puro...
Até chegar ao estado em que as nossas vozes
Se ouvem e afirmam o que somos

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Sentado num canto
As paredes tornam-se crepúsculos
Nada parece matar o silêncio
Não importa o quanto eu tente
Nada faz com que os olhos cerrem
Nada se parte e tudo se desfaz
Tudo parte…
Já dei tudo o que tive
E nada me tirou da solidão
Aguardo um momento
Eterno tempo
Este nevoeiro da cidade
Ofusca o céu que se esconde
E a memória que se apaga
Sem demora…
Que se oculta na escuridão do tempo
E me guia pelo oculto do meu ser

quarta-feira, novembro 28, 2007

Estou a olhar para o céu
Tento não morrer...
Experimento não voar
É de noite e não quero voltar para casa
È tempo de dizer adeus
È tempo de ir
Meu Deus leva-me para casa
Já é tarde...
E quero viver
A noite está por ai...
E parece que vai durar uma eternidade
Quero sentir-me aqui
Quero viver este meu momento
Sozinho com os sons que só eu sei ouvir
Que só eu sei entender e pensar
E que me devolvem o brilho da serenidade
Que tento alcançar a cada instante

sábado, novembro 17, 2007

Às vezes são as palavras que morrem
E não os sentimentos que as fazem nascer…
Parece que já estivemos aqui antes
E não nos conseguimos olhar nos olhos
Somos anjos que flutuam como penas
Serpenteamos como sentinelas em alerta
Sem estarmos por perto estamos junto
E por vezes nem sabemos o que fazemos aqui
Nem pertencemos ali
Mas queremos estar mais além…
Então as palavras são as ninfas do sentir
As verdadeiras deusas perfeitas do instinto
São elas que se envolvem e se desenvolvem
Amam-se e odeiam-se
Choram e riem

domingo, novembro 11, 2007

Tenho medo desta nova esperança
Parece que cresce dentro de mim
Como se fosse uma flor
Que nunca lhe senti o cheiro
Talvez queira ser melhor do que antes
Mas... durante a manhã sinto que preciso de mais
Ao entardecer, não quero o tanto que me oferecem
Por vezes não me faz falta o que tenho
Só me apetece estar sozinho no final da rua
Quando a noite chega não quero nada que tenha forma
Só quero sentir a minha alma
Sem necessidade de moeda de troca
Perto da natureza, acampar com os sons da noite
Talvez seja louco, talvez…
Quero apenas ser o que sou e estar perto dela
E encontrar um novo caminho...

quinta-feira, novembro 08, 2007

Quando passarem por aqui
Lembrem-se que sou um artista
As palavras aqui descritas
São apenas a busca interior pela minha alma
Pintada ou colorida por vezes…
Apesar de cansado,
Não as pinto com tinta de ódio
Nem com força de homem cruel
Escrevo-as com cristais puros
E espalho-as aqui em forma de âmbar
Licor das profundezas por onde andei
Preferi morrer cem mil vezes…
Do que viver amarrado
Caminhei na penumbra da noite
Para sentir a brisa da liberdade
Quando aqui chegarem…
Lembrem-se que por cá já passei
Não sou mais do que um caminheiro
Desta estrada que é a vida
A sociedade é uma louca que nos rouba os sonhos
Não tem piedade de nós
E não fica triste quando nos vamos embora

quarta-feira, novembro 07, 2007

Vou-me embora daqui...
Desço a avenida e desapareço
Adeus amigos, pecadores e santos
Não existe um tecto aqui
Nada que me sustente
Desapareceu a base
Enquanto caminho por aí...
Tenho plena consciência que desapareço
Assim como estou triste
Por vezes também estou contente
Guardo essa experiência interior
A minha sombra caminha comigo
E não a deixo para trás
Tenho esta vida
E vou andar por aqui até morrer

domingo, outubro 21, 2007

Vou amar-te como um poeta
Porque só assim serás eterna…
E levar comigo aquilo que tenho de ti
Vou mostrar ao mundo
O quanto significas…
Imortalizando o teu brilho,
O teu olhar,
A tua voz,
O teu perfume,
E quando estiver exausto de te descrever
Vou pintar nas paredes o teu nome
Para que sinta a presença do teu ser
Mais tarde, quando morrer vou lembrar-me de ti
Para que a minha alma
Fique perto da tua alma…
E eu possa sorrir eternamente

sexta-feira, outubro 19, 2007

Ouve-me agora…
Preciso que saibas de mim
Onde quer que te encontres
Preciso da tua luz para me guiar
Mesmo que a Lua lhe roube o brilho
Acompanha-me vou voar e rir
Estar só…
Sem qualquer significado vou sentir
Estar perto ou longe
Estar aqui junto…
Agarra-me! Quero cair…
Afundar-me no interior da minha ausência
E despertar em mim o teu sabor
Confundir a madrugada com o suor dos teus braços
Mergulhar no teu leito
E ser a essência da noite

sexta-feira, outubro 12, 2007

Obrigado por todos os momentos que passámos...
Descansa em paz meu amigo
A minha alma chora por ti hoje
Os Deuses fazem-te companhia
Não te preocupes com o amanhã
Esquece o café que me querias pagar
Gostava de nunca ter escrito estas palavras
Descansa em paz suprema junto das divindades ocultas
Vou tentar não entristecer com a tua partida
O caminho para a longa viagem é teu
Viaja sem medo…
Gostava de um dia ter entendido o teu olhar
Brincámos tantas vezes
Em tempo algum serás esquecido
Serás eterno…

segunda-feira, outubro 08, 2007

Um homem com um aparo no bolso
Esconde tudo menos a sua alma
È capaz de escrever quando quiser
Onde quiser…
Nas paredes ou em simples papel
Esconde a sua solidão perante o mundo
Aquele que transporta tal mecanismo
Consegue despoletar uma revolução sozinho
Comandar um exército
Morrer numa batalha absolutamente só
Tem plena consciência da sua solidão…
E nada se comparará à escuridão por onde vagueou
Será sempre um homem único
A liberdade, o seu templo
Transporta a loucura dos heróis
O sangue dos sonhadores
Um homem com um aparo no bolso
È um monstro que se alimenta da tempestade
Deixem-no trovejar com vigor!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Algum dia pelo silêncio do tempo
Poderemos encontrar-nos
E saber existir em nós
Talvez correr pela estrada
Quem sabe estar unidos
E alcançar a sombra do infinito
Destruir a sociedade perdedora
Ou entrar na porta de um túnel desconhecido
Dançar numa qualquer corda bamba
E saborear o âmbar divino do nosso tempo

terça-feira, outubro 02, 2007

Capa preta, ligeiramente suja
Camisa branca rendada nos punhos
Antigos no mundo
Desloca-se com as palavras
Viaja a alta velocidade
Onde quer que chegues
Ele já lá esteve…
È veloz no tempo
È eterno mesmo que tu não o desejes
Já desvendou e amou a noite
Primeiro que tu…
Percorre o vácuo com avidez de um homem cego
Precede a todos em tempo, lugar ou categoria
Esse abismo que pensas entrar
Ele escavou-o cada vez mais fundo
Até ao inicio da escuridão
Fez amor com as palavras
Desses momentos brota a noite
Com ela a solidão...
As frases não ditas…
Recria a vida e ama as trevas
Com os aparos, canetas e tintas
São a arte do mundo
O sangue imperial da alma
Azul, negro ou vermelho
Esses poetas
Narradores da alma…
Loucos, apaixonados, furiosos ou arrebatados
Amarrotados pela humidade nocturna
Idealistas profundos…
Poetas e amantes…
São todos os mastros e pilares da sociedade secreta
A alma do mundo…
As pessoas fogem dos sonhos
Tentam alcançar outros mais além
Rodopiam no mundo
Deixam de ser o que são realmente
Algumas que não sabem o que valem
Não se situam no que são
Passam a ser o que os outros querem que sejam
O mundo, esse abismo infernal…
São as histórias e contos
Cheio de sonhos insatisfeitos
De demónios nocturnos que perturbam os audazes
Vivem sonhos duvidosos e afastados da realidade
Deixados para trás atraem o caos…
Vivem no sub mundo da cidade…
Dia após dia nos subúrbios…
E alucinam-se na noite…
O mundo está cheio de invenções para passar o tempo
Porque não há nada de novo aqui que te satisfaça
Então regurgita a tua alma e recria-te…
Elevei a minha até ao cume
Onde tu não alcanças…
Nem sequer tocas…
Viajo e rio-me de ti…

quarta-feira, setembro 26, 2007

Meu Deus deixa-me ser livre
Como a estrada que me guia
Assim como uma pátria sem bandeira
Como a chuva que trás água à terra seca
Deixa-me respirar de novo
Ensinaste-me a voar…
E agora cortas-me as asas
Estou cansado…
Deixa-me ser eu mesmo…
Sinto-me como uma vela apagada
No canto de uma sala vazia
Dá-me luz…
E fica na minha companhia
Morro cada vez que tu te vais…
Dá-me guarida
Não conserves mais a minha solidão
A estrada tem sido demasiado longa
Para compreender que não és as estrelas mas sim a noite

quinta-feira, setembro 20, 2007

Por vezes não há quem compreenda as palavras
Nascem de mim...
Algumas delas contêm toda a minha essência
Encerram todo o meu sorriso
Incluem-se em mim
E eu…
Incluo-me nelas…
De tal forma
Que se conservam para sempre
Narram a minha vida
E cravam no mundo a minha vivência
Deixam-se flutuar pelo tempo
E mantêm-se unidas…
Formam aquele conjunto de sentimentos
Tão complexos e livres
Tão geniais no seu universo
Que se deixam deambular pela eternidade
Por vezes as palavras são tão brutais
Que não as quero escrever…
Nem as ouso pensar…
Andam lado a lado com a solidão
Têm diálogos com o meu ser triste
Sorriem com a satisfação
Rio-me delas e com elas
E sei que elas, as palavras contêm toda a minha vida

quarta-feira, setembro 12, 2007

Navego uma vez mais pelo meu instinto primário
Abraço o mar num movimento voraz
Perco-me no sentido único que me mantém livre
Quatro oceanos fundem-se num só
E a minha cabeça roda a alta velocidade
Mergulho, deixo-me levar pela corrente
Energia pura e inocente…
A vibração das ondas, este som carregado de doçura
Retorna-me as lembranças da minha tribo
E devolve-me a esperança do meu reencontro
O tempo passa mas não muito
São seis da manhã…
Os primeiros raios de sol alimentam-me
Satisfaço a minha fome com esta droga genial
Deambulo anestesiado por momentos
E não me sinto monopolizado…
Peço unicamente permissão a deus
A ousadia que uso… um simples mantra
È um privilégio viver
Mas um desperdício morrer…
Sem sentir que estive realmente vivo

segunda-feira, setembro 10, 2007

O outro lado da manhã
Submersa na solidão...
Como forma de derrota
Temos os audazes
E alguns hipócritas
Sacrificam a vida pela riqueza
Abundante...
Cada dia mais um dia
A cruel disputa do odor nojento
Os doutores e as doutrinas
Vagas disputas de caras mal lavadas
Por onde passo tiro-lhes o chapéu…
Dou-lhes três dentadas…
Na ferida que não sentem
Não são a farpela que adornam
Nem le mobile que conduzem
Apenas um número de animais
Num rebanho pequeno…
Compõem uma companhia teatral ambulante
Que me faz rir a todo instante

sexta-feira, setembro 07, 2007

Se continuar a agarrar-me ao momento
Talvez tudo o resto passe ao lado
E não vejo o que me resta
Senão o que já passou
E passou a noite inteira
E não teve significado…
Seguro uma vela para não me sentir sozinho
A luz partilha da mesma ausência
Acendo um incenso…
Não vejo a diferença que faz o meu silêncio
Perpassa o meu sonho
E o tempo não volta para trás
Volto eu…
È que realmente a vida tem valor
Se dermos valor ao tempo
Mas o tempo… esse invejoso…
Anda de mãos dadas com a oportunidade
Esse mutante dos acontecimentos…
Opõe-se a cada dia
À minha representação da eternidade
E desfaz os sonhos não feitos

quarta-feira, setembro 05, 2007

Ouvem-se as ondas do mar
Os grilos fazem um bacanal de sons
As pessoas divertem-se…
As escadas ficam voltadas para a praia
Ouve-se uma guitarra de noite
È a minha e sou eu que toco…
Um grupo de pessoas vem sentar-se perto de mim
Era a minha noite de aniversário
Agora, tudo parece ter uma sintonia
È este presente humilde que partilho aqui
Ao mesmo tempo tão doce
Mais tarde de madrugada entrei no bar da praia…
O som… Uma Bossa melodiosa
A ausência das pessoas…
Manteve a calma que eu queria ter
Pela manhã as pessoas encontram-se
Todos vão á Mabi…
Eu vou ao Da pietro…

segunda-feira, setembro 03, 2007

Este não é um poema, faço trinta anos hoje dia 3 de setembro de 2007 e quero deixar uma mensagem especial para todos os meus amigos.

Vivemos presos no meio do mundo, um mundo que nós proprios criamos, temos momentos de amizade uns com os outros, mas nunca ou raramente nos libertamos desse mundo.
Concebemos a solidão mas temos medo dela, não a disfrutamos como se disfruta de uma boa amizade, esta é uma amizade com o nosso eu interior.
No entanto o ser humano que saiba estar só, sabe viver no mundo porque a ele nada mais lhe faz falta, ele basta-se a ele próprio e vai disfrutando do mundo em "doses suaves".
Todo o homem deveria usufruir de momentos de solidão, e solidão ao contrário do que muita gente pensa não é sinónimo de tristeza mas sim de sabedoria, pesquisa interior, filosofia, entre tantas outras palavras que possam descrever a forma de ser livre e viver no mundo mas não dentro dele.
A solidão obriga-nos também a pensar sobre os erros que cometemos e ajuda na sua resolução interior para depois os resolvermos no exterior.
Portanto meus amigos, todos, os de coração, os que estão longe, os que estão perto, os que estão comigo no meu pensamento, agradeço-vos a todos o facto de quererem estar comigo neste dia tão especial para mim, mas encontro-me num local onde me consigo reencontrar como pessoa e ou ser humano que sou, gostava que todos estivessem comigo neste dia, palavra que gostava, era o que mais queria.
Mas neste dia tão especial decidi querer estar sozinho neste local maravilhoso, unicamente estará comigo algumas horas a minha mãe, esse ser maravilhoso e belo que me ajuda em todos os momentos da minha vida, é com emoção e convicção que escrevo que te amo mãe.
Muitos de voçês já me ligaram a dizer que sou louco e até sou de certa forma. Mas viver é isto mesmo é ser louco, uns dias são solitários outros são recheados de amizade, alegria e por vezes tristeza. Aqui encontro-me quando ando perdido, aqui faço paz comigo e com Deus, aqui mantenho aberto o meu espirito para que com ele se façam coisas boas e positivas na minha vida.
Qualquer ser humano deveria usufruir deste bem, desta paz interior. Hoje não vou escrever poesia, ou algo parecido, ao contrário quero deixar algumas palavras vindas do meu interior.
Aqui ouço as ondas do mar que batem levemente na areia e formam um ruido belo, adormeço com este som suave e mantenho-me distante do pensamento. Mantenho-me perto da minha essência, aqui sou livre. A liberdade existe no mar e é tão vasta quanto ele.
Aqui ouço o riso das crianças brincarem na areia, são felizes, ouço as gaivotas, ouço as pessoas, os velhos e as ondas batem na areia. O mar é calmo e ofusca a solidão, também me dá prazer o Sol e faz de mim um ser feliz. Este mar é tão meu confidente que o procuro em qualquer praia, cabo ou ravina.
Aqui neste pontão ninguém me vê chorar ou rir. Ninguém me ouve, ninguém me fala. Aqui sou eu livre e puro.

Obrigado a todos por estes trinta anos, quero-vos junto a mim pela eternidade do mundo, junto a mim. Amo-vos meus amigos, a todos.

Guilherme ou Gui, Guilhas

quinta-feira, agosto 30, 2007

Entro no vazio que é só meu…
Aquele lado imerso de solidão
Mergulho no silêncio…
Intacto e submerso
Puro como um vórtice profundo…
Um abismo!
Retorna-me a lembrança
E partilho-a com o nada
Este ninguém que existe…
Este profundo e tácito deserto
A nudez do pensamento
Encoberto em solidão
Nem uma única fenda neste buraco
Tão silencioso que não diz nada
Tão perto do longe que o nada se impõe
Recuso-me a sair!
A lágrima cai lentamente
Saboreio-a na minha boca
Doce e salgada…
Partilho-a com a ausência
A razão… é obscura e ofusca as demais

quarta-feira, agosto 29, 2007

A noite chega na sua cor negra
Abrupta na sua solidão
Inundo-me nas palavras que não ditas
Manifestam-se na sentença da moral
Porra vem lá gente!
Que se lixe vou ficar aqui…
E vou ver onde vai dar a estrada
Pior do que está não fica!
Preciso de a ver!
De lhe falar!
A sinceridade ainda existe…
Não é abstracta
E ela também tem defeitos…
Apenas perdeu o valor
A sinceridade…
Essa puta! Mãe de todos os erros!
Será que vocês são sempre sinceros?
Foste sempre sincera?
Ela foi sempre sincera?
Não acredito!
Não são perfeitas!
E a única coisa que está entre nós…
È este momento, é este meu erro!
Só eu estou em causa…
Mas deixarei essa posição em breve!

terça-feira, agosto 28, 2007

Eu, eu sou um novo dia...
Um céu novo de estrelas ou estrelado
E então eu sou alguém que passeia pela rua
Cego pelo meu sentido de liberdade
Dividido por deixar tudo para trás
Ou continuar aqui…
Jamais me lembro de ter nascido
Mas sim de ter renascido
Ninguém fala o que não entende
Às vezes quando toco guitarra
Parto uma corda…
A corda parte violentamente e magoa-me a mão
Acontece por vezes...
Magoar-me com a minha guitarra
Nem por isso eu a deitei fora
Não interessa o instrumento que toquemos
Se é piano, guitarra ou harmónica,
Até podemos tocar reco-reco
Tambor…
O que interessa é a musica que construimos
Essa, está muito para lá do instrumento…
Parti uma corda na minha vida…
Magoei...
Magoei-me…
A guitarra continua aqui…
Não deixei de tocar a música…
Não parti o instrumento…
Não me aniquilei…
Vou colocar uma nova corda…
E vou continuar a aprender…
A vida assemelha-se por vezes a uma guitarra
Com história de cordas partidas e algumas novas
Temos de a manter afinada para não sairmos do tom
E sobretudo de continuar a tocar...
Mesmo que a música saia triste

domingo, agosto 26, 2007

Este não é um poema
Talvez uma carta a alguém que não esqueço
Se a vida se resumi-se só a bons momentos...
Então não valeria a pena viver
Com a perda aprendemos mais do que com a vitória
Na amizade, não reside vitória ou derrota
Apenas o que a palavra diz no seu sentido mais puro
Quando perdemos uma amizade...
Sentimo-nos derrotados, feios e sem gosto pela vida
È como me sinto...
Perdi na minha vida, por culpa dos meus actos
E por vezes culpamos o tempo...
Não! Neste momento o tempo nada teve a ver...
Foram apenas os meus actos!
Perdi-me mas encontrei-me, levantei-me!
Alguém que admiro não só como pessoa
Perfeita em todos os sentidos que conheci
Mas também não tocada pela corrupção da vida mundana
Escrevi palavras assim a uma única pessoa na minha vida
Volto agora a escrevê-las para alguém
A quem desejo tamanha felicidade...
Que tudo na tua vida brilhe como os teus olhos
Que a tua felicidade nunca mais seja manchada
Por pessoas como eu que te fiz sofrer
A esplanada ficou diferente...
Um dia falaremos, mas não agora
Se partires antes de mim
Pergunta se podes levar um amigo

segunda-feira, agosto 20, 2007

A vida é um dia fugaz
Com alguns minutos de tristeza e solidão
Mas com muitas horas de felicidade e amor
Bonita é a gente que é diferente

sexta-feira, agosto 03, 2007

Parto hoje para a minha terra mágica
Busco para além de mim, o meu nome
Espero reencontrar-me com os Deuses da noite
As musas do mar cósmico...
Sinto-me leve
Sigo Sul...
Voo devagar...
O meu pensamento corre já veloz
Estou lá!
Naquele lugar místico
Onde as fontes são mil
E as estrelas cadentes percorrem o céu
Parto hoje e estou a chegar...
Aqui consigo ser verdadeiro!
Aqui consigo ser eu...
Até breve...

quinta-feira, agosto 02, 2007

Espalham-se as estrelas…
Um anjo foge na penumbra da noite
Um acampamento de anjos e demónios
Deuses e criaturas da noite
Juntam-se nos meandros do Universo
Saboreiam as sentenças morais
Os seres divinos acomodam-se de longe
Provam o âmbar das distracções…
E distinguem-se pela sabedoria dos actos
Este sarau quebra as barreiras do tempo
Esta orgia de palavras deixa um sabor agridoce…
Determina o início do novo mundo…
Uma estrada para a liberdade
Este concerto divino...
Marcha para além da compreensão humana

terça-feira, julho 31, 2007

Passaram séculos…
Quartos de Lua
E algumas páginas de tinta
Absorvidas pelo tempo
Outrora sabores intensos
Ao mesmo tempo amargos
Foge-se para longe
Para conquistar o que está perto
Aguardo aqui numa noite quente
A jaula do mundo não me deixa respirar
Mas penetro no meu Universo
Torno-me o próprio mundo
Mas não me vejo na noite
Estou só a fingir…
Quando quiser levanto-me
Continuo a sentir-me fechado
Não devia temer a mudança…
Temo-a…
Mas não significa que morri
Sinto-lhe o gosto doce
Se não acreditas…
Sente a luz…
Sozinho no templo do desconhecido
Esquece o teu nome
Fecha os olhos…
E sente-te livre
Sente a tua alma…
Não significa que morreste
Simplesmente acordaste
Se não te fizer sorrir…
Também não tens de chorar
Se as minhas palavras não fizerem sentido…
Deixa-as voar livremente...
Encontrarás um sentido
E elas encontram o seu rumo...

sexta-feira, julho 27, 2007

Passo pela sombra do meu viver
Deixo uma lembrança de papel
Um copo de champanhe,
E uma palavra desmedida
Deixo ali um delírio divino…
Aqui um olhar marcante e a minha presença
Por segundos deixo também a minha alma
Talvez transborde um dia de alegria
Parto então para outro lugar
Vou agora…
Delineei já um plano para conquistar o Oceano
E vou roubar a Lua da noite!
Vou fazer uma viagem pelo Sol
Mais tarde descanso no Universo…
Vou deixá-los falar do mundo antigo
Os Deuses de outros tempos…
Vou ouvir histórias rústicas
E saber dos seres astrais…

quinta-feira, julho 26, 2007

Falamos com estranhos por vezes
Estranhos que se tornam reais
Reais como nós que respiram
Que sentem…
E que nos falam coisas que queremos ouvir
Às vezes falamos com mulheres
Outras com homens
Almas do mundo
Desperta-me o sentido de resumir em páginas tantas
O que sinto…
O que sinto em ti
Os estranhos tornam-se amigos
E amigos tornam-se inesquecíveis
São linhas paralelas que traçam um mesmo caminho
Unicamente com destinos diferentes
Mas na continuação da vida são paralelas…
Estranhos como tu que não conheço…
Mas sei que existes
Por vezes os olhos
Não divulgam a importância do próprio ser
Contudo as palavras são directas
São fortes
São robustas
Cruéis ou frias
E certas vezes são a única coisa
Que podes dar de ti a alguém
Palavras simples, puras
Estas são para ti que não conheço

quarta-feira, julho 25, 2007

Pode parecer estranho
Mas escrevo para alguém que nunca vi
Um sentimento procura abrigo
Descrevo-o em palavras
Espero que não te importes
Sei que não é muito mas é o melhor que faço
E este é para ti que os meus olhos nunca viram
Parece-me até simples de o escrever
Sento-me penso em ti
Estás entre o silêncio e a beleza do mistério
Talvez por vezes eu já não veja o mundo azul
Mas se fosse pintor pintava um sorriso teu
Para me relembrar o que o mundo tem de bom
Escrever é a minha paixão...
Podes gritar ao mundo que este poema é teu
Sento-me na cadeira e escrevo durante tempos
Rastejo pela minha alma
Enquanto escrevo algumas linhas
Espero que não te importes
Mas coloquei-o em palavras
È bom ter-te aqui mesmo que de longe
Então desculpa-me qualquer palavra
Mas esqueço-me por vezes onde estou
Ou do silêncio que me rodeia
Nem sei o que significo...
E o que realmente quero dizer
Não passa de simples palavras
Mas é que és daquelas pessoas
Que me dão força para continuar
Podes gritar ao mundo este é teu!
Agora que o acabei parece-me singelo
Um tanto natural
Talvez Etéreo...

quinta-feira, julho 19, 2007

Acordas na noite…
Sem saberes para onde ir
Os teus olhos estão cerrados
E dói-te o peito de não sorrir
As tuas mãos buscam avidamente algo
Que se distinga da sombra do teu viver
Os teus olhos não se abrem…
Rasgam-se!
E tudo o que alcanças é a parede fria do teu quarto
Rompem-se os lençóis em fúria
E alguém parece descobrir-te na madrugada
O silêncio do teu quarto é febril
Corres pela casa e acendes as luzes
Mas continuas sozinho…
O ar que respiras torna-se o teu refúgio
A tua mente engana-te com os seus truques
Gritas para quem não te ouve
Falas com os mortos que não existem
E deixas-te embalar na tua solidão
O medo ofusca a tua noite
A ansiedade toma conta do teu caminho
E deixas de viver o teu mundo
Tornas-te escravo dos teus receios
Reinventas só para ti em segundos
Toda a moral dos Homens
E descobres que nada faz sentido sem as tuas mãos
Não! O mundo não te abandonou…
Tu deixaste de o respirar…
E já não deixas entrar estranhos
Será a idade da tua existência?
Ou é o teu instinto a revelar-se
Animal selvagem desamparado
Jamais temas a noite e o que dela faz parte...
Vais levantar-te e erguer-te perante o teu mundo
E serás o Rei que flutuou no teu próprio abismo
Jamais temas perder…
Porque nas vitórias pouco tens aprendido
Nas tuas derrotas aprendes a erguer-te cada vez mais forte
E se caíres desamparado…
Ergue-te devagar…
Para vislumbrares os erros que cometeste