Há noites em que escrevo sem saber bem para quem. Não penso em quem vem aqui ler, nem se partilhas. Escrevo porque a cabeça não se cala e porque há coisas que, se não saírem, ficam a fazer eco cá dentro.
Às vezes imagino que alguém chega aqui por acaso, abre estas palavras e fica a olhar para elas como quem olha para uma luz ao longe. Não uma luz que salva isso é fantasia bonita demais para a vida real mas algo que simplesmente está ali. Presente.
Talvez seja isso que todos procuramos nestas madrugadas: não respostas perfeitas, não frases sábias, mas um lugar onde alguém já passou pela mesma escuridão e deixou uma marca no caminho.
Se chegaste aqui agora, talvez não seja coincidência nenhuma. Talvez só precises, como eu às vezes preciso, de saber que há outra pessoa acordada no mundo a tentar perceber a mesma coisa.
Nada mais do que isso.
Dois desconhecidos
acordados na mesma madrugada
a ouvir o silêncio passar.