quinta-feira, fevereiro 26, 2026

nunca deixei
de a olhar
sinceramente ela não prometia nada
nem salvação
nem futuro
só estava lá
eu, cá em baixo
uma caneta na mão
ou uma máquina de escrever
o computador
o corpo gasto
depois o papel
mas as mãos 
a cheirar aos mesmos dias usados
e a noite a cair devagar
a lua nunca me pediu
nem julgou
não explica
ah... mas as pessoas sim
mesmo sabendo
que nunca vou pisar a lua
mesmo assim
ela ficou ali
não como um destino
mas a eterna confidente
nunca me pediu nada
não tentou salvar-me
não fez perguntas
limitou-se a ouvir
as noites mal dormidas
as frases tortas
os dias gastos
eu sempre falei pouco
ela também
e isso bastava para nós