A saudade de ti é uma doida que se amarra a mim sem explicação
quarta-feira, março 28, 2018
Se te amar
Com certeza será verdade
Pois não saberei olhar-te de outra forma
E se te amar
Serei teu
Assim como a água é da terra
E na minha vida vou querer-te
Todos os dias
Porque se te amar
Serei completo
E os dias contigo serão eternos
Com todas as horas e minutos
Se te amar
Vou dizer-te baixinho
Para que entendas todo o meu ser
E me escutes no teu interior
sexta-feira, março 23, 2018
Sem pressa desenho-te
Percorro com os meus dedos o teu corpo
Enquanto os teus olhos se debruçam nos meus
Um sonho utópico...
Foi nesta idade que o amor me foi buscar
Como um ato de coragem
Que alguém precisa de ter
E eu preciso de te ter
Sei porque te quero
Porque me fazes bem...
Quero-te por te querer também
E não te quero longe de mim um dia que seja
Pois não sei viver da saudade
Mas quando não estas aqui
Eu desenho-te neste papel branco
Para que possa tocar-te o rosto
E ver os teus olhos brilhar
Sentir-te perto de mim
terça-feira, março 13, 2018
Hoje é um dia
Em que te queria só para mim
Tocar-te no rosto e sentir-te
Fazer-te uma ternura ou um carinho
Sentir os teus braços no meu pescoço
Nascia em mim uma profunda primavera
Numa alquimia perfeita
Hoje não quero sair para a rua
Quero ficar aqui
Á espera que venhas
Que me despertes e me beijes
Me faças sonhar e divagar
Um fazer de não fazer nada
Um conto de não contar nada
Um ver-te mais que te ter
Mas só me resta pintar com palavras
O teu nome para que te sinta perto de mim
Pois entro num vazio que é só meu
Um vazio cheio de saudade
Cheio de nada
Tão densa
E misteriosamente minha
E eu passo por ela
Embriagado
Numa valsa de cristal
Onde as sombras se cruzam
Num ato quase angélico
Como se fosse um primeiro poema
Onde as palavras cantam
E as bocas se tocam
Num mistério nocturno
Onde o silêncio...
Esse se transforma num grito colectivo
E acaba numa combustão sagrada
segunda-feira, março 12, 2018
Quero-te e não estás
Preciso e não te encontro na noite
Prefiro não ter-te
A consumir-me desta maneira
Todo o teu amor será que pode ser meu?
E o tempo passa
E não estás aqui...
Encosto-me num sofá já cansado
E adormeço
Estou tão cansado de estar aqui
Se tiveres de ir
Tremo de medo
Desta solidão fria e amarga
Onde não te tenho
Entristece-me...
E por vezes prefiro não te ter
Este sonho que nos separa
Deixa-me louco
Pois penso em ti e não te tenho
E parece que tudo morre á minha volta
Talvez eu já não saiba amar como um homem forte
As palavras de amor já não me saem da boca
Que agonia
Apetece-me nascer como uma palavra escolhida
Para não estar só
Irremediavelmente só
sábado, março 10, 2018
Tenho saudades
Do leve e suave toque do teu beijo
Aquela doce sensação de te ter
É que renasceu-me a exaltação
E nesta noite de sonhos
O tentador toque dos teus olhos
Não me larga
Não me deixa
Só me consome
E nesta profunda distância
Onde a luz desmaia
Recordo-me de ti
Essa imagem fugida que quero alcançar
Não me satisfaz a fome de te ter
Quero-te
sexta-feira, março 09, 2018
De súbito os meus pensamentos foram-se
Numa clara noite fria e molhada
Mais uma que não te vejo
Nem o rosto me sai da mente
E as vozes interiores que falam
Para não se calarem com o tempo
Dizem-me que eu sou do mundo
Mas eu sou teu
Fico num canto relembrando os dias
Aqueles que nos vimos
Fugazes mas doces
Talvez os meus olhos estejam adormecidos
Na recordação do teu olhar
A verdade é que te quero
Muito mais do que um simples momento
E a utopia no meu pensamento
Deixa-me sonhar mais alto
E não me deixa sossegado
Pois tenho sido um homem simples
Errante no amor mas com paz interior
Repouso assim o meu olhar no vazio
Que me leva a ti
Aos teus olhos
Tua boca
Teu corpo
E mordo as palavras que te quero dar
domingo, março 04, 2018
Mesmo que eu não possa ver a minha poesia
Com os meus olhos de olhar interrompido
E mesmo sabendo que no oceano da vida
A própria vida se perde
E se afasta de um tanto que é nada
De uma solidão quase salpicada de sal
Pois quem sou eu que não sei
Senão um fruto de uma adolescência perdida
Mas não são as lembranças que se arrastam
Entre magnólias e noites mal dormidas
Pois há cemitérios cheios de traças e carcaças
Cheios da vida que se foi
Cheios de nada
Cheios de ossos e granitos
E então porquê os mortos?
O que subsiste para além do nada que é tudo?
Mesmo que eu não possa ver a minha poesia
Com os meus olhos de olhar incessante
Escrevo ao miudo dentro de mim
E pergunto-lhe - "Que fazes aqui neste lugar?"
De paredes débeis e tristes que não te deixam sonhar
E vejo-me detido na humildade
Um coração envelhecido e afogado
Triste
Ressoa como um relógio de parede afinado
E o sangue corre e não pára
Nada pára
Nem o amor pela noite súbita
Mas diz-me porquê os poemas?!
Se não se comem as palavras
Se não se come o poeta
Se não se ama a vida
Os poemas ficam talvez para uma eternidade estupida
E as criticas mudas e idiotas dos homens simples
Nada me dizem
Senão anunciar-lhes que não viverão para além do tempo
As pessoas morrem os poemas não
E o estranho é pensar que com um unica vida
Não se aprende o suficiente
Mas escrevo para mim
quinta-feira, fevereiro 22, 2018
Então eu voo e caio
E desço assim pra baixo
Desorientado em direcção a nada
Debruço-me nos altares do mundo
E deixo-me cair
Na terra
No mar
Ninguém sabe quem era eu
E àquela altitude ninguém jamais ousou conhecer-me
Nem eu tampouco me mostrava
Mas em camara lenta
O sonho desmontava-se
E a tela escurecia
E eu sem ninguém saber
Caia desamparado pelo ar
Como que se voasse num caminho frenético
E as nuvens passavam por mim
E eu tornava-me uno com elas
sábado, fevereiro 17, 2018
Ah... quem sabe se não morri
E não estou ali mais
Não ouço ninguém
Nem vejo quem me queira ver
Porque o que é a presença do mundo
Senão sou eu neste momento
A minha palavra não passa de uma linha mal feita
Um "gatafunho" da minha alma
Que se expressa neste papel vazio
Pois não durmo nem quero dormir
Preto no branco
Onde o melhor improviso é espontâneo
Preciso disto para me identificar
Com o mundo
Caso contrário nem na morte adormeço
sexta-feira, fevereiro 16, 2018
Se um dia destes eu andar por ai
Sozinho pela rua
A ver as montras e as pessoas que passam
Sabe que penso em ti
E me cruzo contigo na minha cabeça
E as palavras que te quero dar
São tiradas do meu intimo
Onde só eu sei sonhar
Ao ritmo brusco da vida
Que se mostra desafinada e por vezes feliz
La no meio eu paro para ver as modas que passam
Para me rir das pessoas que se cruzam comigo
Mas não sabem quem sou
O que sou
O que penso
O que sinto
Se me vires sozinho na rua
Então toca-me e abraça-me
quinta-feira, outubro 12, 2017
Mesmo que fosse de noite
Estou cansado mas dava-te um beijo
Pintado de seda era como um chocolate na minha boca
E os meus braços abraçavam-te inteira
Quem me dera que viesses esta noite
Fazer amor nos meus braços
E a minha boca apaixonada embriagar-se na tua
Gostava que viesses hoje acompanhar-me
Nesta madrugada ainda quente de Outono
E me deixasses dormir perto de ti
sexta-feira, setembro 01, 2017
Ficam entre os livros e as prateleiras
Vamos falar de mim
De ti
Que sentes quando estás longe?
Ou nos momentos mais escuros do Outono?
Mas primeiro, quero que saibas uma coisa
Quero o teu sorriso
Como o Sol que nasce
E quero rir-me da noite
Quando te vir perto de mim
Como um rapaz que te ama
Como um pássaro que repousa as asas
No fim de uma longa viagem
E encontra um refugio quieto
Porque cada dia cai dentro da noite
Então deixa-me repousar perto...
Perto de ti
Sem ver ou falar
Só respirar...
E receber o teu beijo de manhã
Debaixo dos teus olhos
Mas deixemos de lado as palavras
Porque de manhã ficam para quem as quer ouvir
É que esta noite está aqui presente e tu não estás...
E a saudade desenvolve-se de forma bruta
Neste território que é o meu corpo
Deliciosa saudade
E todos dormem mas eu estou aqui
Sinto-te aqui
Pois não me canso de ser homem para te amar
sexta-feira, agosto 25, 2017
Da-me o amor sem fim
E o teu sorriso de todas as manhãs
Pois assim eu vivo
E mesmo que a noite venha
Não quero dormir sem o teu conforto
Pois em teus braços sei para onde vou
Mesmo que a terra mude de lugar
Sei onde estou...
Mesmo que de repente eu me sinta velho e inútil
Sei que te encontrei a tempo de te amar
Como um desses Deuses do Oriente
Ou como um bobo de um castelo antigo
Não estarei tranquilo
Enquanto esta estranha ternura
Se misturar com as palavras que canto
É assim que te amo
Como uma ode prolongada
De um poema gritado
É que chegaste á minha vida
Onde tudo estava vazio
Como que apodrecido
E eu não sabia já sentir
Nem respirar
Talvez por tanto e tão pouco
Amo o teu ser
E estou alegre
Mesmo que ninguém veja
Mesmo assim no crepúsculo de todas as noites
De todos as manhãs
Para sempre
terça-feira, agosto 22, 2017
De noite...
Numa madrugada já rasgada pelo tempo
Onde o silêncio se confunde com o ar
Eu noturno divago sobre mim
Imaginando se este sentimento
Pode ser real para sempre
Como uma constante matemática
Numa formula eternamente aurea
Dou comigo a escrever estas palavras
Quase sem força nos meus dedos
Para que alcancem um vasto universo
São o meu ser
E agora sinto-me tão só
Numa solidão que é só minha
Sem tristeza por perto
E ouço o mistério da noite
Que canta só para mim
Numa paz suave que me embala a alma
A calma que arde no meu peito
Inunda a minha mente
E o que vejo com estes olhos tão cegos
O teu sorriso...
Que abre todas as janelas da minha vida
E na minha vida toda eu andei
Como que a procurar-te
E agora chegaste...
Estas perto
Numa suavidade quase secreta
Mas há outros dias que ainda não chegaram
E eu quero alcança-los
E quero saber se vens comigo
Como alguém que vem ver o ar puro
Depois de uma noite inteira a beira mar
A noite passa
E eu passo e perpasso as minhas mãos
Pelo teu corpo
Sinto-me teu...
Só teu
Num triunfo de amor que é nosso
Os meus dedos encontram-te
Os meus lábios procuram incessantemente
Os caminhos do teu corpo
E o teu sabor deixa-me num desespero
Quase louco
Com esta fome de te ter
É então que adormeces e eu te olho
E me sinto feliz num momento único
Amo a noite como te amo a ti
Tão somente quero ser teu
E quero mais desse ambar
Tao calmo e doce
Tão teu e meu
Tão triunfalmente nosso
sábado, agosto 12, 2017
Como se a complexidade da vida
Estivesse em descrever-te
E nas palavras me perdesse
Como se eu sem querer
Te quisesse tocar no rosto
E reconhecer-me nele
E ainda assim sou alguém que pensa
Que se inunda em ti
Sem saber como ou porquê
Sem mesmo ainda os nossos olhos se tocarem
Será um sonho?
Suave então é este o sonho
Pois tu enches-me a alma
E sem quereres fazes-me sonhar
Como um brutal sentir
Que me apetece dar-me á realidade
De te ter
Nestas manhãs de verão
Uma perturbaçao de saudade
Que me atrai e me faz sentir a tua presença
Como se te conhecesse durante todas as minhas vidas
Uma ansia de te ver
Como uma inexplicável força de te ter
E ao pensar em ti
Há em cada dia tudo aquilo que me anima
Tudo isto é nada e tudo
E no cansaço da noite
Atropelo-me com as palavras
Tentando descrever-te só para mim
E todo o meu corpo sem explicação
Treme de saudade
De um querer mais do que querer
Assim como quer a vida
Encosto-me a um canto
E falo prudentemente comigo
Pudesse eu, falar assim sempre
Num dia em que Deus estivesse a dormir
E talvez lhe perguntasse quem sou eu
Um simples viajante?
Encolho-me e tapo-me
E sinto-me tão perto de mim
Só o sentir me faz ser
E sinto...
Sinto tudo duplicado
Como se quisesse gritar ao mundo
O que vejo e não vejo
Na minha imaginação assim tão de repente
Encosto-me acostumado a pensar
Quem sou eu
segunda-feira, julho 24, 2017
Às vezes quando estou aqui
Tento imaginar-te junto a mim
A sorrir ou simplesmente em silêncio
O meu pensamento voa
E não quero parar
Não sei para onde vou
Nem quanto tempo demoro
Só quero imaginar-te
Pequena e confortável no meu abraço
E para mim quero que fiques tão na minha pele
Mesmo que seja por poucos minutos
Por pouco tempo
Para que me recorde que estou vivo
E que ainda sinto
Mesmo que seja um breve sentir
Como um suspiro de felicidade
Mesmo que seja curto
Pois sei que a vida voa e o tempo passa
E de certeza que passa
Então sinto-me bem
Ao sentir-te tao perto do meu pensamento
Do meu refúgio
Da minha pele
sexta-feira, julho 21, 2017
Quero que saibas uma coisa
Talvez não seja uma coisa qualquer
Porque no encanto da noite
Nada é despercebido
Então eu não sou o homem
Mas sim o menino
Que se perde no teu olhar
Talvez para se encontrar
É que no escuro da noite também te encontro
E a cor da tua pele deixa-me sonhar
E não te conhecendo, conheço-te
E não te tocando, toco-te
E não te falando, falo-te
Porque é assim a noite calma e escura
Quando penso em ti
terça-feira, julho 18, 2017
Perco-me na noite contigo
Ouço a tua voz que passa por mim
Como uma doce palpitação
Que me faz sonhar
Desconheço o sabor desse abraço
Mas quero envolver-me nos teus braços
Procurar o silêncio calmo do teu sorriso
E se assim for...
Tocar o teu rosto, o teu cabelo
E já é tarde...
Não quero deixar-te ir
É então que fecho os meus olhos
Imagino o teu beijo que se desfaz na minha boca
Como quem morde um sorriso
Adormeço já tarde mas feliz
E assim sou
quinta-feira, maio 25, 2017
Sinto saudade da saudade de te ver
E a noite passa ardente
Sem ter razão para adormecer
Podia agora nesta noite escrever
Um poema triste
Mas só me lembro de uma palavra
Saudade
De falar contigo
De te ver
Mas a noite passa e tu estas ausente
Sem que ninguém me veja
Escondo-me numa madrugada
Tao distante que mais parece uma eternidade
quinta-feira, maio 18, 2017
Menos o tempo passa
E parece que o tempo ecoa
E todo eu quero ser teu
Oh! Deixa-te ficar junto a mim
Para devagarinho os meus braços te apertarem
Os meus olhos beberem o teu sorriso
Porque o tempo passa e perpassa
E eu nos meus crepúsculos da noite
Vejo-o fugir lentamente
Talvez porque queira estar junto a ti
Aninhar-me no teu leito
E deixa-lo passar
terça-feira, maio 16, 2017
E com a noite fico
Pois é tão tarde e já não quero adormecer
Poiso as minhas mãos nos olhos
E permito-me chorar devagarinho
Como se nada fosse
E tudo fosse...
Pois que importa?
As almas também choram
Tenho saudades
E ainda só passou um dia sem te ver
Na verdade passou uma eternidade por mim
Falei de ti á noite
E na minha solidão beijei os teus lábios
Beijei-os perdidamente
Quantas vezes me apeteceu
Vem-me buscar, peço-te...
E tira-me esta saudade que eu sei de onde vem
Prende-me os braços junto aos teus
Sente o meu coração faminto
E beija a minha boca apaixonada
Fala-me como gostas de mim
Eu escuto-te calmamente
Como se das tuas palavras saíssem os acordes
De uma qualquer guitarra antiga
E quebrassem o silêncio
Da minha solidão
Da minha saudade
quarta-feira, maio 03, 2017
Como que se parasse no tempo
Escrevo algumas palavras
Não sei para onde vão
As palavras...
Contento-me que sejam puras
Só assim podem viver na eternidade
Que mais eu poderia querer...?
Se no interior da tua ausência
Me dá para escrever...
O tempo não pára de passar
E as palavras são só uma desculpa para te recordar
Pois é que te recordo nesta noite
E sabe-me tão bem
Manter-te aqui junto delas
Das palavras...
Como que se as pintasse contigo
E todo eu não estivesse longe de ti
Deixo-as aqui escritas neste momento
Para me lembrar um dia que vivi
Que fiz parte desta onda frenética
Que é a vida
Mas a tua ausência enlouquece-me
Deixa-me para aqui
Longe do mundo...
A pensar em ti
sexta-feira, abril 28, 2017
Desta minha vida agridoce
Onde sinto ainda uma profunda saudade
Que me satisfaz recordar
A chuva que caia entre nós
Por entre o mundo
Perto daquele mar
Naquela nossa monotonia alegre
O teu cabelo molhado junto ao meu rosto
E um beijo surpreso
Que de tão simples
Tocou os pilares da minha memória para sempre
É isto o amor? Pergunto aos deuses
Se for então deixem-me recordar vivendo junto a ti
Pois agora posso sonhar novamente
quinta-feira, abril 27, 2017
Sabes, as vezes quero falar-te
Pegar no telefone e dizer-te "olá como estas?"
Ouvir o silêncio do outro lado
E depois ouvir a tua voz
O teu sorriso
Imaginar-te num lugar teu
Onde só tu podes estar
E falar-te
Simplesmente contar-te coisas banais
Do meu dia
Ouvir dos teus lábios uma acolhedora cumplicidade
Ouvir o teu dia e dizer-te que gosto de ti
Que sinto isto por ti
Como que cá dentro não existisse mais espaço
E me perdesse nas palavras tentando explicar-te
Que não me apetece desligar o telefone
A noite já vai longa
Não deixo de pensar em ti
Não tenho para onde ir
Nem tampouco mão em mim...
Assumo ao mundo
Que sou louco por ti
Grito em voz alta
Sou completamente louco
Doido varrido...
Quero só para mim o teu sorriso
Aquele teu olhar apaixonado
Como quem esconde um beijo
E pede outro
E mais outro...
Quero aquele abraço apertado
Que me embala seguro
E não me deixa cair
quarta-feira, abril 26, 2017
Em ti penso...
E é quase verão nesta noite cadente
Os anjos dizem-me para te procurar a cada instante
Mas eu encontro-te todos os dias...
Pois eles não sabem que no meu pensamento
Te olho e te falo a todo o momento
Encontro-te em todas as portas
Nos carros
Nas ruas
Nas paredes nuas
Este encontro e desencontro
Que arde por mim dentro
E me queima de saudade
Inunda-me de uma triste e estranha felicidade
É então que o amor acontece
Em todos os minutos que penso em ti
Não o amor luxuriante, lascivo, esse não...
Mas sim o amor que se destina a ser vivido
Não o vais ler em nenhuma folha
Não vem nos livros
Nem em página alguma de poesia
Nem eu mesmo sei descrever
Rio-me sozinho
Pois não sei chorar quando penso em ti
domingo, abril 16, 2017
Quando te vi...
Estava tão irreconhecível para mim mesmo
Que não sabia o que pensar
Precisava ver-te
Olhar-te...
Embalar-me num qualquer convite do teu olhar
Que pudesse em mim deixar um toque de desespero
Compreender porque tenho este estranho sentimento
De gostar de ti...
Pois quando ouço a tua voz ao telefone
Sinto-te tão perto...
Mas ontem...Quando te vi...
Quis falar-te do que sinto
Dizer-te o quanto odeio o estranho sabor das palavras que não saem
Palavras que nem eu sei pensar
Palavras quase gritadas
Quis perguntar-te onde tenho de ir para te ver a todo o instante
É assim quando te vejo
Pois os meus olhos procuram-te incessantemente...
É então que caminho para além de mim
E te procuro nesta viagem
Não sei a que portas bater
Nem tão pouco tenho músculos de aço para me proteger
Nem uma espada tenho para me defender
Mas procuro-te
Procuro-te nesta angustia demorada
Neste dia-a-dia inocente
Imagino-te nestas noites em que penso em ti
E quero falar-te
Para te dizer que flutuo como uma pena
Neste silêncio esculpido
Em que pareço um quase nada
Levanto-me para cair numa madrugada distante
Que me eleva a tristeza de não te ter
sexta-feira, abril 14, 2017
Sabes...
Por vezes embarco em conversas comigo
E estava a dizer-me que tenho saudades tuas
Saudades de te pedir um beijo
Mas mais do que esse beijo
Tenho saudades de ti...
Dizia-me a mim próprio que de alguma forma necessito estar ao teu lado
Se me permites a pergunta
Queres estar comigo?
Sei que não ouviste bem
Baixa te um pouco e digo te ao ouvido
Sim curva-te um pouco
Vem aqui junto a mim
Vem comigo fazer parte da minha idade
Da minha infância até a minha velhice
Serenos e tranquilos
Cúmplices
Vens?
Desculpa o modo sincero caricato e infeliz
É que neste momento sou eu próprio sem o habitual filtro da vida
Durante tantos anos parece que me ausentei
E agora apareces de novo aqui
E eu tenho sede de ti
Anda vem comigo
O tempo agora é outro
Também tenho medo
Mas quanto mais medo tenho
Mais brilham os meus olhos
Quando penso em ti
Um bocado de tempo
Em forma de tormento
Desigual no seu todo
Distante de mim ficou o caminho
Aqui vou eu de braços abertos
Levantados ao alto
Como se chama-se por alguem
Que não ouve
Que não sente
Que não vê
Neste voo gritante
Toco o teu rosto
E afundo-me no infinito
Deixo de pensar
Não distingo o céu de corpo
Nem lágrima de mar
Emquanto a dor perde o nome
Eu, ainda de braços abertos
Deixo que o infinito me atravesse
Até sobrar o silêncio inteiro
Onde já não estou preso a mim
terça-feira, abril 11, 2017
O barulho da solidão desliza sobre mim
Penso nela...
Como nunca pensei...
Como se a tivesse beijado hoje pela ultima vez na boca
Como se tivesse feito amor com ela na cama
E ainda sentisse o meu corpo vibrar
Como se a tivesse abraçado hoje
E esse abraço durasse a eternidade
Sinto-a como a deixei há dez anos
Sinto-lhe o sabor da pele salgada
Percorro todas as noites que passaram por nós num só momento
Todos os abraços apertados
E penso-a...
Fecho os olhos e penso nela
Sinto-a...
Tenho-a aqui tão perto
Aqui comigo...
Tão junto a mim que me arrepio
Tão perto que me esqueço que estou sem ela
Tão linda
Intacta no meu pensamento...
Porquê agora?
Que fiz eu?
Porque não agora?
Apetece-me gritar o nome
Soletrá-lo devagar...
Pintá-lo nas paredes das casas
Falar dela a toda a gente...
Ser feliz...
Mas num murmurio quase aflito
Compreendo só para mim que não está aqui
Dez anos de solidão e alguns dias que não tive junto dela
E agora sozinho adormeço
Como se tivesse o coração vazio
Deixo-me ficar
Assim deitado
A pensar nela...
sexta-feira, março 10, 2017
Dormia tão nua e deserta
Numa tela que foi pintada de olhos fechados
Naquele dia a mulher amanheceu
Acordou e tornou-se água do mar
E a vaidade desapareceu e ficou a beleza
Então ela tinha cabelos de água negros
A pele dela era de sal doce
Ela era linda
Os olhos negros lindos
A mulher mais bonita do mundo
Nasceu com o mar vestido de Lua
E naquele dia estava toda ali
Ela era linda
Acordou e sentou-se á janela
Voou e entregou-se para a Luz
Reflectia as ondas do cabelo dela
O seu sorriso navegava na água doce
Para lugar nenhum e para todo o mundo
Viaja sem vela enquanto exista água no chão
sexta-feira, junho 24, 2016
Lembro-me de que algo para trás ficou
É quando me sinto triste
Por não conseguir andar para trás no tempo
É também assim nesse momento
Que sinto que o tempo não parou
E que algo em mim ficou como que estagnado
Um sentimento que não sai mas mata
Um sentimento que se congelou durante a minha vida
Um sentimento que se mantém e me destrói
Ás vezes esse sentimento dura algumas horas
Outras das vezes dura dias
Depois passa...
Mas volta...
Como um vai e vem frenético durante anos diferentes
No entanto iguais
Acompanhados por este sentimento que se mantém em alerta
Será assim para toda a minha vida?
Uma questão que coloco nos momentos em que os dias passam
E este sentimento teima continuar
Escondo-o como se estivesse a dançar
Num baile de máscaras ambulante
Que se dilata no meu sorriso
Mas habita no meu ser
E faz parte do palco da minha vida
Como uma tragédia que não tem fim
Senão o próprio trágico fim da eternidade
Este sentimento antigo que protege a saudade que eu gosto de ter
Mas que me destrói
Acompanha-me como se fosse a minha pele
segunda-feira, fevereiro 15, 2016
Analiso se estou parado no tempo
Ofuscado pela corrida desenfreada dos dias passados
Reparo então que o mundo andou ao contrário
E sem saber procuro-me
Reparo nos meus traços
Os meus anseios
As muralhas que criei
Revejo-me no Universo que não é mais do que eu
Pois sou dono do mundo
E este é dono de mim
Andamos de mãos dadas
Pois então corremos de um lado para o outro
Como duas crianças
E o tempo passa
Passa aqui e ali
Passa sem parar porque não há tempo
Não há tempo para parar
Pois quando o tempo passa fica a memória
Como se se tratasse de uma manta de retalhos
Muito elaborada e de cores tão vivas
Mas mesmo assim alguns tons passam despercebidos
Como que se ficassem esquecidos
Ocultos aos olhos de quem os não vê
Mas as cores não mentem
Assim como as recordações não se esquecem
Talvez os pensamentos outrora pensados se desvaneçam
Mas não tenho nada aqui dentro que já tivesse esquecido
E é tão bom lembrar-me do tempo que passou
quarta-feira, fevereiro 25, 2015
terça-feira, fevereiro 25, 2014
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Tempestuoso e frio
E a água gelou
Congelou...
As árvores pararam de crescer
Os meus pássaros pararam de cantar
E a minha sentença desenrolava-se
Escrita por alguém
Num livro dourado de metal
Eu fiquei á espera
Que me fosse retirado um ultimo folego
E sem querer encontrei um pequeno ramo
Ao qual me segurei
Com força...
Agarrei-me ali sem sentido
O frio congelou-me e sentia o peito apertado
O meu coração abrandou
Eu podia agora pensar mais devagar
O mundo ficava mais lento
Mais limpo
Mais puro
Deixava-me levar
E perguntei-me como será?
Como será encostar-me aqui?
Congelar o corpo nu
Até que alguém me venha resgatar da vida
Até que alguém note que existi e que vivi
segunda-feira, janeiro 13, 2014
Já não vejo ninguém...
Se alguém me vir foi um acaso
Se alguém me reconhecer é um engano
Ou um fracasso da memória de alguns
Mergulhei convicto há muito tempo
Sob um céu de águas estagnadas
Onde outrora a água era água
Vinho era vinho
E amor era amor
Esta dor que arde dentro de mim
Num perpétuo movimento
Onde numa sinfonia turtuosa nado para longe
Até ao meu desembarque
Em terras distantes
Vivo aqui na água
Mas não dentro dela
Vivo aqui no mundo
Mas não dentro dele
terça-feira, agosto 20, 2013
sexta-feira, janeiro 18, 2013
È como todos nós, livres e senhor dele mesmo
Podemos dizer que tem os nossos traços
As nossas cores
Os nossos sorrisos
Mas ele é ele
O meu tem o sorriso da minha alma
Possui o melhor de mim
Tem parte da cor da minha pele
E o cabelo igual ao meu de quando eu era assim miúdo como ele
Tem os olhos carinhosos da mãe
Quando olho para ele dá-me vontade de apertá-lo
De abraçá-lo e de o proteger
Mas é ele quem me protege...
Quem me faz sonhar e mudar
Porque quando olho para ele descubro quem eu sou
No meio da corrupção do mundo
Quando olho para ele amo-o a cada segundo
Porque sei que o tempo é vago e escorregadio
quarta-feira, junho 27, 2012
Aprender a estar connosco para após algum tempo
Reconhecermo-nos diante da face dos nossos filhos
E como que por coincidência
Revemo-nos diante do ser mais belo
Talvez com as mesmos receios, os mesmos medos
Talvez até com os mesmos olhos
A mesma voz, o mesmo sorriso
Até mesmo o andar pode ser igual
Foi necessário caminhar tanto
E de tantos passos andar
Saborear o quanto é bom ter no mundo uma parte de nós
Um bocado de mim
Uma centelha deste meu ser tantas vezes errante
È tão bom ter-te comigo
Saber que não és meu mas sim parte de mim
Como um prolongamento da minha vida
Da minha alma
Do meu ser
Amo-te
sábado, janeiro 14, 2012
Conto só para mim desde a minha nascença
Todos os minutos são meus
Só meus...
E por vezes sinto-me um farrapo
Por não os aproveitar
Não os ver ou sentir
E passa o dia e a noite
Por vezes sempre iguais
Desfaço-me em ritmo lento
E aperto o meu talismã contra o peito
È sinal de desespero dizem...
Para mim, sinal de paz
Enfim sou eu, coisas da alma
Embriagado pela busca que me conduz
Vou contando devagar
Um dia acabo no infinito
Acordado de um sonho bom
sexta-feira, dezembro 30, 2011
Uma recordação feliz do que fui
Talvez para me lembrar que um dia irei voltar atrás
Fazer uma longa caminhada de volta
Para me encontrar com a vida
A vida... Essa puta...!
Tinha umas coisas a dizer-lhe...
Até tinha...
Ainda não fiz paz comigo
Quando fizer já terei engolido todas as palavras
Mas talvez no final me lembre do que fui
Ou talvez me iluda até morrer
Quem sabe quando o tempo me deixar em paz
E o fim seja um bom final feliz
Deus saberá o que fazer de mim
terça-feira, agosto 30, 2011
Tão escondidos do mundo
Não se dão a ver
Alcançaram em tão pouco tempo
O mundo que tocaram
O mundo que quiseram ver
E perderam-se tantas vezes que perdi a conta
Percorreram distâncias que poucos tocaram
E aqui estão eles!
Uns olhos que de tão cansados
Se decidiram misturar com a multidão que não os conhece
Não os desvenda...
Nem quer saber
E aqui ninguém os vê ou sente
Ninguém os vê com olhos de ver
Ninguém os toca
Quando passamos ao lado
Quando nos passam ao lado
Por momentos sou quem mais sou
Eu mesmo num turbilhão desperto
Longe, mas de mim tão perto
E ninguém sabe por onde andei
Só eu sei o quanto aqui estou
O quanto fui e quanto amei
De tanto cair me levantei
E aqui estou passo e ando
Corro e não descanso
Porque sou eu
Sem ter mais ninguém
Só eu
Quando passam não sei quem são
Não se mostram como eu
Não me deixo ver
Não me deixo...
E quero esta solidão
Só para mim
È que ás vezes sinto-me egoista
E a solidão é a companheira dos lugares
Tão bem caminhados
Somos irmãos
Tornou-se sangue do meu sangue
Parte da minha carne
Lágrimas das minhas lágrimas
È assim que passo por quem me olha
Não se conhece...
E não me conhece
terça-feira, junho 07, 2011
Papel congelado
Uma noite de Inverno
Sem sentido a minha mão desliza
O aparo suave transporta o meu ser
A minha alma repousa agora nesta folha
Liberto-me das amarras do cansaço
E aqueço este papel branco com a minha memória
Pois que não tenho mais ambição
Senão aquela de ser eu mesmo agora
Eu próprio e este momento
È então que me liberto para descongelar esta folha
O azul borra mais umas palavras
Uns rabiscos que me lembram o frágil que sou
È que nem sempre sou forte...
È que sempre que viro as costas a mim mesmo
Congelo como este papel que agora aqueço
E não me esqueço...
Vou-me descongelando aos poucos
Com o tempo
E o tempo, esse fiel amigo vai passando
Como se não parasse
Afinal eu paro por vezes...
E não descanso
Só me canso
domingo, maio 08, 2011
Palavras á mistura...
Sentimentos sagrados que evoluem
De novo aqui para mim
Só para mim
Um novo sentimento que me abala
E para quê? Para onde?
Talvez por onde...
Por onde andei
È que por vezes confundo-me
E não me encontro
Misturo-me
Abraço-me
Fundo-me com o agora
E grito para além do que é silêncio puro
De novo aqui...
Talvez para me sentir
domingo, janeiro 30, 2011
Num estranho momento
Como se fosse numa sala vazia
As amarras do tempo mostram-se nitidas
Como se quisessem tocar o infinito
O pensamento puro e vazio
Uma sala limpa e vazia
Sem janelas
Paredes brancas
Chão branco
Independencia material
Faz-me recordar quem sou
O caminho tão perdido que fiz
As vezes que me desencontrei
Sim, no vazio encontro-me...
As vezes que o tempo me deixou parar
Que retrato cru e nu, tão vazio
sábado, agosto 07, 2010
Deixou no céu um rasto
Uma luz tremida que se reflecte
Faz lembrar um cometa
É a noite imensa carregada de mistério
Sigo vagueando pela estrada
Já tarde, são quatro da manhã
Alcanço um lugar que é meu
E a Lua caiu eternamente no meu caminho
Um sonho que já vai doce
Depois... Pergunto a Deus quem sou
Responde-me em sinais
No céu vejo os traços
Meio desajeitados
Tão perto falam-me de mim
E dizem tudo o que sinto...
domingo, junho 13, 2010
quinta-feira, maio 20, 2010
Para me confundir com a noite
Essa bebida nocturna que ofusca o Sol
Agarro a noite aqui
Pois ela deixa-me sair
Um mundo cruel que só em sonho abandono
Pinto-me de negro
De luto...
De preto...
Não sou a sombra
Sou a noite...
Sou o som do Oceano
As ondas...
E em breve sou azul
Sou a madrugada ausente
Sou o mundo
O Homem...
O Menino...
Sou eu renascido de mim
Que nasço com este som
Nesta noite de tão negro azul pintado
Embalo a Lua num abraço feliz...
terça-feira, abril 13, 2010
Nascem de mim...
Numa harmonia doce quase amarga
Inovam-se a cada instante
Bebo delas o sabor de cada segundo
E faço parte delas
Da mesma forma que elas se conservam
Então... Quase que por instantes
Elas falam a minha vida
Deixam no tempo a minha respiração
O meu olhar e a minha vida
Flutuam no mundo...
Palavras...
Unidas com o eterno sabor do momento
É um conjunto de sentimentos
Tão complexos...
Tão livres...
Tão geniais no seu Universo
Que se deixam deambular pela eternidade
Por vezes as palavras são tão brutais
Que não as quero escrever…
Nem as ouso pensar…
Andam lado a lado com a solidão
Têm diálogos com o meu ser triste
Sorriem com a satisfação
Rio-me delas e com elas me vejo
E sei que essas palavras...
Essas frases...
Contêm toda a minha vida
quinta-feira, abril 08, 2010
Falar nos dias que amo e nunca os conto
Talvez assim seja...
Porque por um dia falhado na vida
Serão mil anos de solidão intensa
Talvez então seja proibido
Como o sinal tão encarnado
É como quando passamos e ninguém nos passa
Quando vemos e ninguém nos olha
Quando falamos e ninguém nos diz nada
Talvez assim seja...
Vivermos na sombra do que passa proibido
Como o sinal vermelho...
Então passo devagar
E olho o mundo que passa
Com estes meus olhos de ler
Para que não passe de novo por mim
O que já passou
Talvez então seja assim...
Proibido...
quarta-feira, abril 07, 2010
Os meus olhos repousam
Gostava que estivesses aqui
Meu amigo, gostava que me visses agora
Já não sou o menino pequenino
Ou o Filipe pequenino
Meu velho amigo...
Como eu gostava que aqui estivesses
Partiste para tão longe
Deus... Esse grande desconhecido
Abraçou-te e levou-te para essa distância bruta
Meu velho amigo...
É com alegria que relembro o teu sorriso
A noite passa calma
segunda-feira, abril 05, 2010
domingo, abril 04, 2010
sexta-feira, abril 02, 2010
Demasiada tinta num só momento
Antes distante do que tão perto
Os meus dedos perpetuam as palavras
Que de forma desmedida
Pintam o meu rosto
E os sentimentos mudam de cor
Cem páginas brancas...
Desfiguradas por alguma batalha interior
Esfaqueadas e abertas ás feridas do tempo
Rasgadas outras cem...
Cem folhas...
Esquecidas ao vento
Cem anos de solidão
Passados num só momento
Um abismo profundo
Um sonho de heróis
Um caminho distante
Um sonho Utópico...
terça-feira, março 30, 2010
Para não cair em desarmonia com a vida
Porque sonhar nos dias de hoje
Parece o vazio que não leva a nada...
Um caminhante sem estrada
É pior do que um homem sem sonhos
E os sonhos esses ficam para os amantes
Para os casais e para as crianças
Não... os sonhos não são para os que procuram o amor
Sonhar não é amar...
E amar não é esperar pelos sonhos
Talvez seja viver dentro de um sonho
Talvez seja fundir-se com a pureza da própria harmonia
Não...
Não sonho mais, nem mais um segundo
Talvez tenha desistido
Já não sei amar também
Talvez então me tenha esquecido do amor em algum canto
E entristeço... entristeço quando me apetece
E que importa?
Ninguém se importa quando estamos sós
Tanto faz para os outros
A vida passa...
E os sonhos vão ficando pelo caminho
Pintados nas folhas,
Escritos nas árvores...
Nas paredes ou nos vidros embaciados dos carros
Mas neste vazio há sempre um resto de sonho
Talvez a cada momento que não amo
Lembro-me de algum sonho que sonhei
Merda!
Puta de vida que passa despercebida...
Rouba-me os sonhos em cada esquina
Merda, merda, merda...
Perco a esperança...
Enlouqueço...
Não quero o tormento do coração que não sabe amar
Não quero...
sábado, março 27, 2010
Olhar-te nos teus olhos com o meu silêncio
Quem sabe ouvir a tua voz
E dela retirar o teu sorriso intenso
Para me rir também
Queria ver-te nesta noite
Apenas para me deitar sossegado
E descansar em paz...
Ah... Sim apenas ver-te...
Talvez de longe
Bastava olhar-te...
Saber que estás bem
Sabia-me bem ver-te hoje
E ouvir-te...
terça-feira, março 23, 2010
Tantos e tão poucos
São meus também
Apetece-me desvenda-los...
Os segredos tão teus
Talvez na intimidade de um sorriso
No gesto do silêncio
Ou na presença de um olhar
Talvez no inicio da madrugada
Ah... Segredos...
Que seria deles sem um confidente
Que pernoita no silêncio da noite
Segredos tão secretamente guardados...
sexta-feira, março 12, 2010
Ouço o vento frio aqui fora
Entrego-me aos desafios da minha mente
Escrevo estes rabiscos numa mesa de madeira forte
E parto para um lugar mais quente
Quem sabe a praia do Sul
Parece que sinto o cheiro a maresia
E as gaivotas que costumam pousar na areia nua
O vento imagino-o mais quente
Finjo então que me sento
Nesta escada velha junto a um farol antigo
Ouço o mar que me fala mas que se zanga comigo
É que subitamente vejo passar um tempo que não é o meu
Nem sei o que sinto
Não me cabe a mim saber
Apenas desafio a minha mão
Que descreve sem sentido a minha alma
Estas palavras que não saem...
Mas que vão aparecendo timidamente
E de tanto pensar perdem-se...
Perdem-se talvez com o frio da noite
E esta meia-noite que passa
É mais uma meia-noite que de meia não tem nada
E é tão vazia como antigamente...
Tão carregada de horas vagas que não passam
Uma fria noite de Inverno que não passa
Gela-me tanto os dedos que não os sinto
E o meu corpo está todo frio, todo gelado
Assim como eu estou por dentro
Alma congelada que divaga
É só isso e mais nada...
quarta-feira, março 10, 2010
domingo, março 07, 2010
Que brincava e sorria
Aquele rapaz de cabelo louro quase branco
Talvez se tenha escondido com o tempo
Ás vezes aparecia e ria-se tanto
E o Verão parecia tão simples e puro
Tão sem medo, tão em paz
Onde está o sonho que foi o dele
Tão longe do tempo que passou
Onde está aquele miúdo que tinha medo do escuro
Escondia-se por trás do lençol
Talvez tenha crescido e sofrido
Vivido talvez...
Estou tão aqui
Observo o tempo que passa
Perpasso e passo a passo vou andando
E o tempo que passa tão fugaz deixa marca
Estou aqui...
Sou o menino já homem que quis ser
Ás vezes tento falar com o menino cá dentro
Busco o sonho ainda... Não me canso!
Mas não me reponde...
Sonho acordado, sonho tanto...
Sonho o mundo!
E sou tão voraz quando sonho!
De tão humano... Tão frágil...
Um homem menino ainda com medo do escuro
Estou aqui talvez por pouco tempo...
E quero tanto ver o mundo!
Que não me canso de procurar
Estou tão aqui... Não me vês...?
A poeira da vida ofuscou-me tanto...
segunda-feira, março 01, 2010
Ao meu ouvido ouço os acordes suaves
Deleito-me com mais um tom
Um som...
Ela fala só para mim
Uma linguagem que só eu sei compreender
Toco-lhe onde ela sente mais prazer
Suspira ao meu ouvido
Um som que lhe quero dar
Deixo-a ecoar por estas paredes nuas
Frias e cruas...
Só eu sei a timidez com que ela vibra nas minhas mãos
A minha guitarra geme esta noite
E sobe um tom quando lhe toco
Grita um acorde afinado
A minha guitarra geme...
E este gemido que não cessa
Faz-me sentir acompanhado nestas noites de solidão
sábado, fevereiro 27, 2010
Porque me esqueci de quem sou
Quanto mais entendo menos te olho
A distância afasta-me o pensamento
Quando menos te tenho no pensamento
Sento-me no chão frio
Sei que respiras a dor que sabe a frio
O frio que não vejo
Saudade... será essa sim...
A saudade vestida de dor
Que me prende a ti
Sem que eu mesmo saiba quem sou
Já me esqueci de quem sou
Afasto-me lentamente
Porque não tenho forças para sonhar além
Estou demente e sem força para me levantar
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
Deixo-me ficar por um momento
A musica ecoa pela sala fria
Não me importo de sonhar
Aliás sonhei tantas vezes
Que não me recordo de jamais sonhar
E perdi o rumo da terra dos sonhos
Dos meus sonhos...
Aqueles que tive e iniciei quando era criança
Já não sei deles
Acho que virei retrato de um espectro adormecido
Acho que abandonei alguns deles pelo caminho
Gelado caminho...
Outros vão-se ainda construindo
Fragmentos do tempo
Perdi tanto...
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
E viver o que não vivi
Não sei explicar o quanto
Por vezes não cabe em mim o tanto que já tive
Não tenho um vazio para mostrar
De certeza que não tenho
Talvez uma taça vermelha
Cheia de sonhos coloridos
Uns já feitos
Outros incompletos
Alguns tão distantes da minha estrada
Outros que perdi, que me esqueci talvez
Talvez a minha vida demasiado atribulada os fez perder
Por entre ruas e becos sem destino
E tive culpa sempre...
Porque não culpar-me?
A solidão de uma noite sempre me iluminou o dia
Estou aqui agora
A tentar escrever os sonhos que perdi
Para continuar a caminhar sem medo
Uma vela que se queima
O incenso que acalma
E este molho de sonhos na minha cabeça
Parecem-me tantos que sem querer esqueço-os
O tempo dá conta deles...
E esta certeza de não os ter
É um sentimento insuportável
Que se torna tão puro
Tão menosprezado...
E lá longe o tempo passa
Mas deixa as marcas aqui perto
Tão perto de mim
domingo, fevereiro 07, 2010
Esta estrada por onde ando
Levou-me onde não queria
Não consigo explicar o propósito
Fico cheio de medo só de pensar o que perdi
Já nem consigo acordar sossegado
Espero não me ter distanciado de mim mesmo
Espero não ter assassinado o meu interior
Se o fiz nada mais quero senão o meu silêncio
Esse não me larga
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Tronco forte e erguido
Olhar expressivo
Rosto branco e olhos claros
Meio careca e barba feita
Não tão jovem
Olhem lá vai ele
Com pressa e vontade
Mais um que se vestiu hoje
E saiu à rua tão apressado
Carteira na mão
E lá vai ele viver o dia
Olhem aqui eu vou...
Tão sem jeito
Tão marcado pelo tempo que vivi
Pela vida que amo e pelo sorriso que busco
Aqui vou eu...
Tão sem medo dessa eficaz ausência
Tão distante desse mundo
Vou com pressa de viver
De sorrir e de sonhar
Os olhos já viram tanto e tão pouco
Que não se cansam
Aqui vou eu tão ausente do mundo
Nem parece que choro por vezes
Aqui vou eu desta vez tão encolhido
A vaguear pela solidão da vida
sábado, janeiro 30, 2010
Talvez uma linha entre o real e o irreal
Um som quase sem tom
Quase que um sigilo
Como que fosse o despertar
Do meu próprio silêncio
Então assim debruço-me uma vez mais sobre mim
Neste meu ser tão distante
Fico sentado sem descanso
Fico amargo sobre o sorriso meu por enquanto
Fico aqui nesta sala fria
Fico doce
Sentado no chão e fora de mim
Fico calmo, sereno
Como se fosse um acorde
De uma guitarra que não ouvi
terça-feira, janeiro 26, 2010
Uma porta para a minha confidência
Um lugar ermo para descansar o meu corpo
Talvez seja consumido pela luz
E me transforme em puro pensamento
Talvez...
Talvez aqui fique por mais algum tempo
E me torne fiel amante da madrugada
Apetece-me ficar aqui tão sozinho
Neste canto, nesta praia
O frio toca-me o rosto como uma faca afiada
Queima-me o tempo...
Desfaço-me na tentação de estar ausente
Ausente...
Que palavra... que silêncio...
Fora de mim procuro um braço
Um abraço forte de mim mesmo
Ah... porque preciso de mim agora...
Tão longe fui que já não sei voltar atrás
Ausência tão eficaz que se torna um crepúsculo
Imponente!
Sou capitão nesta ausência
Conduzo um navio enorme
E mesmo assim dou comigo à deriva
Estranha ausência de mim
Não ofusques o meu ser...
Deixa que a minha alma me conduza para outro lugar
domingo, janeiro 17, 2010
Deixo aqui a minha mensagem de agradecimento a todos os que lêem o que escrevo e espero que gostem do que escrevo, que as minhas palavras ou frases sejam um transporte para um lugar bem mais perto dos vossos sentimentos, da minha parte contem com o meu sentimento puro que tento sempre descrever, não ouso pensar na forma da frase ou palavra, limito-me á libertação de um conjunto de sentimentos, assim como Neruda um dia descreveu o grito Agú, aquele que é o primeiro poema sem ser forjado pela alma consciente, o primeiro pensamento sem ser modificado.
Todos somos diferentes no entanto nas palavras encontramos por vezes algum conforto, eu encontro em todo o local onde existe sentimento puro, espero que aqui neste lugar por vezes tão frio e sombrio que é o mundo virtual, encontrem algum abraço acolhedor nas minhas simples palavras.
Paz e amor a todos
Guilherme
sábado, janeiro 16, 2010
Chegar aqui e ausentar-me mais esta vez
Como tantas outras noites
Esta é mais uma madrugada distante
Em que sozinho me perdi
Posso deixar a minha lágrima fria lá fora
Posso chegar tarde então nesta madrugada
Abandonar o sonho que não tenho
Trocá-lo por este momento
Permito-me a mim mesmo não mais sonhar
Hoje deixo a agonia levar-me
Só hoje...
Porque talvez até esteja triste
Porque talvez até queira viver simplesmente este momento
Deverei chegar tarde esta noite
Como se não mais voltasse
Como se me quisesse perder sem destino
Sem pensar até em me encontrar
Posso e vou chegar tarde esta noite
domingo, outubro 18, 2009
Não me lembro de me ter esquecido
Construí com tantos erros a minha bandeira
Em todo o tempo ganhei
Não me lembro de ter perdido
Trouxe sim comigo o sorriso
Cada imagem na minha mente
Para me relembrar de onde sou
De onde vim e para onde irei
Não construí estátuas nem heróis
Vou andando...
Caminhando por aí, pela vida
E que vida...
Talvez um dia pare para descansar
E repousar os meus olhos já cansados
Sobre a história que fiz com as minhas mãos
Debruçar-me sobre o meu pensamento
Escrever num papel ou sei lá
Ou talvez me ilude
Que precisei de tudo o que fiz para ser feliz
Talvez...
Não sei, quem sabe alguém conte a minha história
Ou que ela venha em algum livro velho que não li
Talvez seja apenas eu que a conte
Para mim aqui ou em outro lugar
Para que não me esqueça que a vida
É um empréstimo fiel que Deus me fez...
domingo, outubro 04, 2009
É como olhar para o conjunto do que sou
Do que vivi, do quanto amei
Vejo-me ao espelho
E em mim cada pedaço de vida vivida
Sentir-me eu mesmo
Como se tivesse acumulado em mim
Todas as experiências que conquistei
Cada minuto desesperado
Para alcançar uma batalha desprotegida
No campo do mundo...
Falo comigo por vezes em voz alta
Mas para que ninguém me ouça
Falo-me a mim mesmo sozinho...
Que sonho mais sério e real!
E a minha voz ouço-a tão perto
Ecoa pelas paredes desta sala
Murmura o meu nome devagar
Não tão grande o sonho mas a vida...
Que sem sentido morreria
Mas com tanto rumo
Só pode ter o sentido da verdadeira felicidade...
Sempre...
segunda-feira, setembro 28, 2009
Em qualquer momento descubro a minha essência
Em qualquer rua descubro-me
Amo este lugar em que subitamente me encontro
Onde em todo o tempo sinto que nasço e renasço
É aqui que pertenço
Lugar de almas simples e fugazes
Que talharam a história
Que iluminaram as fontes do saber com tanto conhecimento
Aqui sim... Também me sinto tão bem
Tão eu... Tão loucamente eu...
Que murmúrio tão perto de mim
Que voz é esta tão intensa cá dentro
Que sentimento tão sincero tenho...
Por este povo que me abraça
Sem mesmo querer faço parte deste mundo tão intenso
Nunca poderia partir deste mundo
Sem antes estar aqui tão perto de mim
sexta-feira, setembro 11, 2009
Sinto-me um estranho a cada dia
Caminho pelas ruas antigas
E guardo para mim o sabor desta viagem
Guardo só para mim...
O intenso sabor de cada momento
Olho cada pedaço de pedra erguido aqui
Faz-me feliz...
Caminho pelas ruas
Onde tantos outros já passaram
Onde tantas histórias já se fizeram
Onde tantos caminhos se cruzaram
Amarro-me a cada momento
Escrevo e evoluo
quarta-feira, agosto 19, 2009
Quantas pessoas para nos ensinar um dom
Quantas palavras num papel...
Para descrever uma vida
Quantos passos para perder o sabor
O simples sabor da noite de verão
Quantos olhares para compreender o mundo
Quantas lágrimas para perceber a tristeza
Quanto tempo para entender toda uma vida
Quantos caminhos...
Quantas ruas e quantas estátuas temos de erguer
Para sermos nós próprios
Para sermos guerreiros em cada batalha
Quantas vezes temos de perder
Para ganhar o que está por vezes tão longe
Quantas...
Agosto de 2009.
Paris.
E eu aqui, no meio da cidade que toda a gente romantiza, a tentar perceber se a minha vida avança ou só faz pose.
A casa pequena, paredes grandes, janela virada para as galerias lafayette onde ainda se ouviam passos, risos e garrafas a bater em sacos de plástico. A cama tem um lençois amarelos. Eu sou só mais um, mas a cabeça teima em achar que estou a viver uma espécie de capítulo especial.
Tenho o caderno na mesa. Sempre o caderno.
Já vem comigo desde casa, trago dentro dele metade da minha alma em rascunho.
Antes de vir, escrevi:
“É tarde e parto para outro lugar
As memórias vão comigo
Para não me esquecer quem sou
De onde vim…”
Na altura pareceu-me frase de filme.
Agora, sentado aqui num quarto parisiense com o cheiro a corredor antigo, pareceu-me só um tipo a tentar convencer-se de que fugir para outra cidade resolve alguma coisa.
A verdade é que eu queria tudo:
Queria conhecer Paris, queria conhecer o mundo, queria conhecer-me a mim, queria amar-te, queria ser escritor, queria ser tudo ao mesmo tempo.
Vinte e tal anos na cara, excesso de sonhos na cabeça e um coração que ainda acreditava que a vida, no fundo, no fundo, ia correr bem.
Foda-se
Saí de casa.
A cidade ainda não tinha adormecido.
Paris à noite parece uma daquelas pessoas bonitas que sabem que são bonitas e nem precisam de se arranjar muito. As ruas antigas, cheias de pedra, carregadas de uma história que eu não conhecia mas sentia nos pés.
Escrevi depois:
“As ruas antigas únicas
Carregadas de romantismo
Em cada esquina vêem-se beijos longos
Abraços e lágrimas…”
E é mesmo assim.
Cada esquina parece um postal ilustrado: casais encostados a paredes, a pontes, a árvores, beijos demorados, como se o mundo fosse acabar ali mesmo.
Foda-se, que cidade indecente para quem está cheio de amor e ao mesmo tempo sozinho.
Caminho sem mapa.
Gosto da sensação de me perder.
A verdade é que não me perdia de verdade – Paris está cheio de placas, de linhas de metro, de turistas, de luz. A minha verdadeira confusão não é geográfica, é cá dentro.
Aqui, nesta noite quente de agosto, eu sinto duas coisas ao mesmo tempo:
-
Uma puta de uma alegria por estar aqui.
-
Uma puta de uma saudade de ti.
É como se o meu peito tivesse sido alugado a dois inquilinos ao mesmo tempo: o miúdo encantado com a cidade e o homem que já tinha medo de te perder.
Lembro-me de olhar para o Sena e pensar que aquilo podia muito bem ser uma metáfora barata da minha vida: um rio que segue, que leva tudo, que não volta, mas que brilha à noite com reflexos bonitos para enganar quem olha de longe.
Encostei-me a uma ponte num destes dias
Vi os barcos a passar, cheios de gente a tirar fotografias
Nas margens, grupos de amigos, garrafas de vinho, música, risos grandes.
E eu ali, a viver uma cena que qualquer guia turístico descrevia, mas por dentro a viver outra coisa qualquer.
Um descompasso.
“Aqui… respira-se cultura.
Respira-se amor, transpira a verdade escondida.
Aqui… é tudo tão parecido comigo.”
Escrevi isso depois, mas naquela noite já o sentia.
Paris parecia-me uma versão visível daquilo que eu tinha cá dentro:
um misto de velho e novo, de luz e sombra, de gente perdida e gente que achava que sabia para onde ia.
Passava e perpassava pelas avenidas, a absorver tudo:
– o cheiro do metro
– o fumo dos cigarros à porta dos cafés
– o som das línguas misturadas
– vendedores ambulantes a dizer “bonjour, my friend” em todas as direções
Um mundo de culturas livres, e eu sentia que, pela primeira vez em muito tempo, o mundo lá fora combinava com a confusão cá dentro.
Mas, claro, tu estragas-me sempre a festa.
Ou melhor: a falta de ti.
Porque, no meio de tanta luz, a tua ausência faz sombra
Cada casal que via era um lembrete.
Cada riso partilhado um eco daquilo que eu queria viver contigo.
Pensei:
Se estivesses aqui, isto seria perfeito.
Nós dois a andar pelas ruas, a rir de coisas parvas, a inventar histórias sobre as pessoas que passavam, a beijar-nos nas pontes.
Mas não estás.
E então Paris é, ao mesmo tempo, a cidade onde eu me sentia em casa e a cidade onde tudo me lembrava que me faltava alguma coisa.
É lixado estar num lugar destes, lindo mas com um coração em guerra.
Regressei a casa tarde.
Tinha o corpo cansado, os pés a latejar, a cabeça cheia de imagens novas, o peito cheio de saudade velha.
Sentei-me na cama com o caderno.
Escrevi:
“Paris…
Je t’aime…”
E depois parei.
Porque senti que não era só à cidade que eu estava a dizer isso.
Era à vida.
Era a ti.
Era a tudo o que ainda podia acontecer.
Tinha medo.
Claro que tinha.
Medo de não ser capaz de fazer nada do que sonhava.
Medo de ser só mais um gajo que volta de Paris com meia dúzia de fotos e nenhuma mudança verdadeira.
Medo de te perder.
Medo de me perder.
Mas naquela madrugada, pela primeira vez em muito tempo, senti também qualquer coisa parecida com coragem.
Ali, longe de casa, longe das rotinas, longe dos sítios onde sempre fui o mesmo, percebi que talvez eu conseguisse ser outra coisa.
Não outra pessoa, eu não queria deixar de ser eu, mas uma versão minha menos encolhida.
Fechei os olhos e ouvi o som abafado da cidade a entrar pela janela entreaberta.
Pensei: “Talvez eu também seja feito disto: ruas antigas, beijos que não dou, luzes que ainda não acendi.”
Por instantes, a tristeza e a alegria fizeram um pacto de tréguas dentro de mim.
Não era paz, mas era um intervalo suportável.
Peguei na caneta e escrevi mais uma vez, como se fosse um compromisso:
“Passo e perpasso pelas avenidas
E não me canso.
Em vez disso danço.”
Na prática eu não danço porcaria nenhuma.
Ando, tropeço, penso demais.
Eu ainda acredito que podia dançar com a vida sem levar sempre um pontapé nos joelhos.
Fechei o caderno.
Deitei-me na cama estreita, com o som de Paris lá fora.
E antes de adormecer, pensei :
– Se um dia eu me esquecer quem sou, que estas páginas me devolvam.
– Se um dia tu leres isto, que saibas: eu já te amava aqui, no meio de uma cidade que não fazia ideia de quem eu era.
Depois, deixei a madrugada acabar sozinha.
domingo, agosto 09, 2009
As ruas antigas únicas
Carregadas de romantismo
Em cada esquina vêem-se os beijos longos
Abraços e lágrimas
As luzes da noite tocam as portas do céu
Iluminam este palco intenso de cultura
Onde em outros lugares é tão escuro para ver
Aqui... Respira-se cultura...
Respira-se amor, transpira a verdade escondida
Aqui... é tudo tão parecido comigo
E é tudo tão presente e antigo
Pessoas andam livres pelas ruas
É um mundo de culturas livres
Passo e perpasso pelas avenidas
E não me canso
Em vez disso danço...
São tantas as ruas únicas
Que não me perco
Cada uma tem um palco único
Cada uma um cheiro intenso
Paris...
Je t'aime...
quinta-feira, julho 30, 2009
terça-feira, julho 07, 2009
Vejo-te e conheço-te tão certa
Os teus olhos tocam-me inteiros
A música embala-te e sinto-me menino
Gosto mais do sabor deste momento
Gosto do intenso sabor da saudade anunciada
Essa saudade que sei que sinto
Cai-te bem o sorriso
E os olhos que me deixam sem jeito
Sem saber o que faço apetece-me um abraço
quinta-feira, junho 25, 2009
quarta-feira, junho 17, 2009
segunda-feira, junho 01, 2009
Eles são caminhos longos desenterrados
Deixa-os aos nobres e aos poetas
Assim... Deixa o tempo voar e as nuvens passar
Conta histórias do que não fostes
Deita-te e morre...
Embala-te no sorriso dos Deuses
Porque eles acompanham-te na viagem
Truão... Deixa-te de sentidos e sentimentos
As noites quentes e frias que percorres há anos
São iguais...
Não há nada de novo aqui para veres...
Apenas o murmúrio da penumbra da noite
O teu crepúsculo mais distante
A tua noite... Um abismo colossal
Deita-te e morre Truão...
E deixa a glória aos imortais do amor...
Porque eles são a Lua e o Sol juntos
E são estátuas constantes no caminho
Truão meu bobo não te deixes levar pela ilusão de Maya...
sexta-feira, maio 29, 2009
Deixas o olhar de quem morde um beijo
Um coração que bate doce
Porque não dizer-te...
Que quando passas deixas o perfume que sonhei
E vacilam os pilares do meu viver
Que quando passas deixas o teu nome escrito
Nos meus olhos...
Nas minhas mãos que escrevem...
Nos meus dedos...
Porque não dizer-te...
Que quando passas te sinto perto
Tão perto...
Porque não sussurrar-te...
Quando passas o meu mundo pára...
terça-feira, maio 19, 2009
Tanto para viajar
Quantos caminhos para percorrer
Numa noite de Lisboa...
Quantas ruelas e murais claros
Quantos temas de conversa pela rua
Desconversados na ternura
Olhares penetrantes e doces
Quantas vidas até te ter
A Lua tão nua...
Há tanta coisa para sonhar
Tanto que não se diz e se diz tão direito
Quantos caminhos para um beijo
E um dia uma dança tão crua
Num jardim qualquer de rua
De forma tão fugaz e nua
domingo, maio 10, 2009
Apenas eu e o meu pensamento
Uma estrada marginal
Uma madrugada cheia de sentimento
Envolvo-me com o cheiro do mar
É arrepiante todo este momento
Nem quero saber se estou perdido
Quero andar...
Vaguear...
Perder-me quem sabe...
Só eu...
Que noite... Luxuriante
De tão vazia ficou tão calma...
E de tão calma ficou tão doce
quinta-feira, maio 07, 2009
A ternura da minha viagem
Invoco os Deuses
Para me sentir acompanhado neste trilho
Aguardo o momento da chegada
Um destino sem tempo
Tempo fugaz
As minhas asas cansadas de voar
E os meus caprichos de menino homem
Agora que me vejo a viajar
Faço uma promessa...
Jamais irei parar
Guardo para mim
O cheiro e o sabor desta viagem
Tão simples e intensa
segunda-feira, abril 27, 2009
Ainda não encontrei a vida...
Tenho aqui os amigos que construí
Viajámos juntos...
Divagámos pela noite e fomos verdadeiros
Os mundos antigos deixaram-nos ser
Olho para mim...
Tenho um bom motivo para sorrir
Sou eu... mais velho
A minha cara já não é de menino
Talvez o homem menino...
O cabelo, as rugas, os sinais
O tempo passa mas eu evoluo...
O tempo passa mas eu estou aqui
E de tempos em tempos vejo o meu reflexo
Nas janelas das casas
No comboio, no carro
São espelhos de água que se dilatam no tempo
Vejo-me e sou eu mesmo assim
Assim maduro e consciente
Por vezes tão perto de mim
Que me arrepio...
domingo, março 22, 2009
As minhas próprias palavras...
Radiantes e tenebrosas
Desfaço-me delas porque não as quero
É que ás vezes caio para não me levantar
Outras levanto-me para deixar de cair
Sacudo-me das frases inundadas
E desempregadas no seu todo
Deixem-me! Palavras...
Deixem-me sozinho por momentos
Porque em todo eu não cabem as palavras
Que não quero dizer...
A minha vida toda eu procurei-as
E agora não as quero...
Elas que me transportaram
E me deixaram...
Agora eu deixo-as
Sacudo-as...
Mato-as...
Quantos caminhos até as não ter
Quantas vidas até as não querer...
domingo, março 15, 2009
E ver-te dormir
Deitar-me ao teu lado
E sentir-te perto
Sentir-me completo
Mas tu não sabes que eu estou lá
Posso sentir o teu corpo esta noite
E guiar-me por entre as cortinas do teu rosto
E enquanto adormeço
Sinto o calor do teu abraço
Do teu corpo
Saboreio o suave murmúrio do teu cheiro
Que se espalha por mim
Sonho acordado neste delírio quase divino
E deixo-me levar pelo encanto deste sentido
sexta-feira, março 06, 2009
Por entre as cortinas da minha mente
Olho o céu e tento não voar
Conto as horas para poder acordar
Uma vez mais transporto-me
Deixo-me levar por esta corrida
Encontro-me...
Desfaço-me em poucos pedaços
Esta noite há pessoas a dançar
As músicas tocam mas nenhuma é minha
Canto para mim
E envolvo-me num desencontro
Afastado do tempo
Sento-me aqui sem nada para fazer
E nem sequer uma ponta de silêncio
Para me fazer companhia hoje
Respiro este ar cansado e turbulento
Saudade do mar e do cheiro da areia
E esta folha de papel
A única coisa que tenho agora
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Vou buscá-las no caminho das estrelas
Sigo Sul a caminho da eterna glória
Sou semblante dos cometas
Atarefado no meio do cosmos
Percorro o centro do teu olhar
E desvio o meu caminho pelo Universo
Repouso numa outra galáxia também
Tento desvendar no meio deste mundo
Quem são estes seres astrais…
Voo por entre o espaço articulado
E canso-me de me cansar
Sou eu que visito os astros
E pinto no céu os sorrisos azuis
As nuvens acompanham a minha loucura
E alcançam comigo outros mundos
sábado, janeiro 17, 2009
Alcanço o meu infinito
È noite e a Lua acompanha-me
Desfaz-se um sabor amargo
Deixo-me levar pela incontornável passagem do tempo
E elevo-me ao simples gigante que sou
Levanto voo e viajo
Alucino...
Olho os meus olhos e envelheço
Voo para lá de mim mesmo
E ultrapasso a minha sombra
Distante percorro o meu pensamento
Sou transparente
Incolor...
Que fome tenho do mundo!
Sinto a noite e como-a...
Como se quisesse tocar o infinito
Talvez partilhar uma lágrima
Um sorriso...
Uma época na eternidade
Que desejo secreto...
Uma subtileza no meio do silêncio
Mais do que esta viagem
Sou eu que me encontro...
E que me satisfaço neste âmbar de mel
terça-feira, dezembro 30, 2008
A perfeita tradução do abandono
Esse abismo onde ninguém está
E que eu tanto conheço
Essa linguagem que traduzida
Se desfaz no tempo e se oculta
No abismo da renúncia
Uma súplica desesperada
Para aprisionar uma dor suprema
A palavra traduzida...
Onde cabem tantas outras palavras
Onde nela coabitam tantos outros sentimentos
Onde existem tantos e tão confusos pensamentos
Não é uma mera palavra abandonada
Deixo-a aqui nesta análise sombria
E sem dúvida ao abandono das palavras
quarta-feira, dezembro 03, 2008
sexta-feira, novembro 21, 2008
São iguais aos outros
Nada de novo aqui
Encontros desencontrados
E um cavalheiro só
Poesias, poemas e frases
Impossíveis de recortar do contexto original
Dignos mas sem valor
Talvez vitais os meus sinais
Duas casas tão brancas
E um manuscrito inédito
Tropeço nas minhas frases escritas
Rio-me de mim mesmo
E o tempo passa
Os dias, outros iguais
E as pedras da rua da mesma cor
O mesmo cheiro, o mesmo tom
Um carteiro sem cartas
A cidade não muda
Morre-se lentamente
Repetindo todos os dias os mesmos dias
quarta-feira, outubro 29, 2008
Ao tempo que passa
Pernoito aqui neste lugar
Perto da minha alma
Rendo-me a mim mesmo
E agrado os Deuses
Em todo caminho
Encontro um novo sentido
Ofusco-me entre os demais
E procuro-me a cada instante
Encontro o guerreiro
Encontro o menino e o homem
Encontro-me...
Nesta aventura deslumbrante
Sou na prática um sonho da minha alma
quarta-feira, setembro 24, 2008
A noite passa como uma vida fugaz
O ar oprime o vazio
Nas minhas mãos... um aparo
Move-se lentamente
Por entre as linhas inexistentes
Deste papel branco
Vazio...
Marcas de inutilidade absorvidas pela madrugada
A minha mão passa descontrolada
Rasgo mais uma folha entre tantas páginas
Devolvo-me ao mistério místico de estar aqui
Taça amarga deste posto inseguro
A janela com vista para a noite
Deixa-me intacto por segundos
Momentos sólidos de pensamento inactivo
Deixo-me levar nesta meditação solene
Aguardo a espiral de pensamento
Que vem como um orgasmo lento
E se espalha como um doce veneno libertador
Aguardo e movo-me pela noite já cansado
terça-feira, agosto 12, 2008
Pêlo grosso castanho
Deixou-nos como um leve beijo triste
Ficou o vazio da presença
Parece que falta qualquer coisa
Um amor incondicional
Que por vezes eu não vi
Perco o sentido quando entro em casa
Sinto-a ali à porta
Mas não a vejo
Pinto-a em tela para que sobreviva
Ou para que nunca a esqueça
Deixo-a aqui nestas palavras eternas
Neste papel seco
Foste sempre fiel
segunda-feira, agosto 04, 2008
Lábios de carne grossa
Algumas décadas de dias e noites
Pequenas rugas no tempo
A Barba misteriosamente cresce branca...
Alguns tempos mais tarde quero lembrar-me
Esta vida e este meu personagem intenso
Tanto pensamento que não cabe dentro de mim
Sou uma esponja...
Absorvo o que me rodeia
Nada de materialismo, não suporto...
Simples como água
E complexo no pensamento
A viagem... Estrada para ser feliz
A chave, o momento...
Quero-o cada momento
Amar a viagem...
Somos feras em arena de palha
Sejamos humildes no dia que vivemos
quarta-feira, julho 23, 2008
E construo o meu pensamento ofegante
Viajo por entre as montanhas cobertas de neve
Deambulo por entre a natureza pura e sou livre
Ando de mãos dadas comigo
Vivo e revivo cada momento
Abraço o oceano e deixo-me levar
Sentir-me encurralado pela água
As ondas e o cheiro do mar
Deixo-me navegar neste incrível mundo
E viajo pela vida com alegria
Consciente do meu valor
Sou eu que voo agora aqui e ali
Viajante sem rumo
Crio o meu caminho e viajo para além dele
Ultrapasso-me e movo-me...
Sou comandante nesta viagem
E direcciono-me para o infinito de cada sonho meu...
Sou eu...
quarta-feira, julho 02, 2008
Fluido como água
Bebo deste elixir
Que se prolonga até ao final da minha vida
Sorvo deste âmbar precioso que se tornou esta descoberta
Abraço este novo mundo
Como uma criança que tenta andar pela primeira vez
Aguardo pacientemente todo o resultado que advém
Desta busca interior incessante
Que reconheço no meu sentir...
Sento-me e agradeço por cada momento que tive
Que tenho, que terei...
Amo cada instante do meu tempo
E sinto-me grato
Por cada momento de desiquilibrio que tenho
Porque cada um deles me obrigou a equilibrar-me de novo
Aqui estou eu uma vez mais
Agora mais forte...
Mais sábio...
sexta-feira, junho 06, 2008
Para decidir escrever
A alegria do tormento
Eu que me revolto...
E me puxo para fora
Eu que me retiro para o nada
Onde não existem anjos
Eu que me desencontro e me encontro
Afinal quem sou eu para ser eu?
Quantas vezes falei
Quantas para mim eu ouvi
Eu sou o maior silêncio da noite
Desde então sou este eu
Que emerge do nada
E se torna neste homem menino
Posso escrever todas as palavras
Ainda até aquelas mais tristes
E pensar que não sou eu
Eu que pertenço a esta estranha tribo
Que surgiu da noite
Esta tribo de vozes caladas
Este silêncio que busca o vento calmo
O sopro das palavras
Sinto-as mágicas...
Máscaras vitoriosas contra o tempo
Pinto-as aqui neste caderno pequeno
Para que as encontrem intactas
Com restos do meu sentir...
segunda-feira, junho 02, 2008
Sem a penumbra do silêncio
Navego todos os dias pela mesma estrada
E todos os dias interrogo
Passo e perpasso no oculto
Caixeiros viajantes é o que somos
Para cá e para lá
Viajantes sem rumo nesta indiferença
Palavras que navegam
Não há nada como um poema
O vento toca a alma
E o Oceano acalma-se
Viajo e voo
Evoluo e vivo instintivamente
sexta-feira, maio 23, 2008
Traz-me de volta a nostalgia de ser criança
Terra de ninguém esta em que vivemos
Afundo-me por vezes em noites assim
Não temo mas também não caio nesta oculta magia
Deixo-me encantar pelo sorriso
E embalo-me a mim próprio
E é tão bom ser assim
Tão sagaz...
Inocentemente egoísta...
Apetecia-me ser algo nesta cidade mágica
Ser a Lua que tocasse o vidro das janelas
E acordar alguém com a minha luz
Talvez ser a guitarra que geme aqui
Aqueles acordes tremendos e alegres
Ou tristes...
Quem sabe o gato que faz a sombra na minha parede...
Quem sabe ser eu nesta cidade
E ser eu mesmo de novo neste antro imaginário
Espaço aberto à minha proposta da noite
Quem sabe não será esta a minha noite
Estas as minhas palavras
Esta a minha alma
Este o meu sentir...
quinta-feira, maio 15, 2008
Percorro a distância que não sei calcular
Por algum lado que tente ir
Não deixo que morra em mim
O segredo de ser livre
Nem que tenha de vaguear pelo mundo
O vazio retorna-me o pensamento
Do nada mancho tinta no papel
Riscos e rabiscos
Formas que me permitem expandir a minha alma
Retornar-me ao meu mundo selvagem
Instintivo e subtil
Liberto-me dos meus amigos mortais que me querem ver preso
Confronto-me assustado com a minha sombra
Deixo-me levar pelo oculto prazer
Do que as palavras significam para mim
E vivo livremente
A minha imaginação coloca-me na corda bamba
È tempo de evaporar
Não sou nada mas sou algo
E sou sempre bem vindo a este deserto
Que por vezes é a minha alma...
quarta-feira, maio 07, 2008
Tornou-se difícil agradar-me a mim próprio
Talvez exija de mim o que não existe
E o que posso dar não é moeda de troca
Sou quem sou
Sou escravo do que penso
Do que tento ser
Talvez seja mesmo o que sou
Rendido a mim mesmo
Talvez alcance metade do que me proponho
Tão farto deste solitário eu
Tão só que estou longe do meu lado
Não passo de um poema nocturno
Rendido ao que sou
Estou tão alto que o céu me perturba
Estou tão aqui que não quero este momento
Canso-me a desfazer este momento
Não quero o meu ar cansado
Nem um caminho traçado
Cujo rosto ocultado pela barba branca
Pele envelhecida já conta histórias
É o Cigano do Marquês
É o amigo da malta
Vendedor ambulante
Mas que será que ele pensa
Vi-o chorar como uma criança
Quando a mãe saiu deste mundo
Quando o vejo sinto amizade no olhar
Humilde nas palavras
Por vezes ninguém quer saber o que ele pensa
E por vezes ele nem se importa
Conheço-o e é como eu
Sangra e sofre como eu
Vive triste e alegre
Ali vai ele...
Quando não o vejo pouco me lembro dele
Quando o vejo quero voltar atrás e conhecer o interior
Parece que foi levado para algures
Por entre a selva urbana que não o deixou respirar
É o Sancho o cigano do Marquês
E parece que já não o vejo de novo
sexta-feira, maio 02, 2008
terça-feira, abril 29, 2008
Nem mais nem menos do que um passo acertado
No desacerto da noite
Ouve-se alguém num quarto vazio
É a noite viva que não adormece
Alguém mancha o meu sorriso
Tão tangente ao meu silêncio
Adormeço
Não sinto uma vez mais
Mas viajo...
Contemplo e vivo
Sou eu
A noite vazia embala o silêncio
Ternura do abraço
Esconde-se um sorriso
Descreve-se um beijo
Este coração tem de parar para respirar
Este ar que é puro
Inocente
quinta-feira, abril 10, 2008
Pode conter toda a essência
Transportar a saudade
E canalizar energia para a serenidade
É uma liberdade quase isolada
Egocêntrica...
Contudo partilhada e egoísta
Eu quero um beijo...
E quero que os outros lábios
Os lábios junto aos meus
Sejam tão egoístas quanto os meus
Nesse toque não formal...
Mas quero-o só para mim
Aquele beijo...
Esse beijo...
O teu beijo...
quinta-feira, março 27, 2008
Um arranhão por cada vez que caí...
E fui-me abaixo tantas vezes
Algumas sem razão...
Guardo para mim cada momento que me levantei
E várias recordações dos meus dias
Silêncio tão quente
O mar tão distante que me abraça
E a areia da praia que tem o cheiro do que eu amo
Esta cidade está tão suja que se perderam os dias limpos
Só quero lavar a minha alma com esta nova água
Um oceano de paz...
Uma caminhada ao sol
Sabe-me bem o sabor salgado das ondas
Da água...
Sabe-me bem...
quinta-feira, março 13, 2008
Viajo sobre o absoluto
Penso e repenso
Passo e perpasso
Alargo o passo...
Para que ninguém note
Sou quem voa...
Desço a avenida
já descansado
A noite, dormente...
Sou viajante
Sem constante destino
Sou caixeiro
Ninguém sabe de mim
Amo a vida e as pessoas
Essas passam e perpassam assim como eu
Na rua...
Tão desinteressadas dos outros
Tão nas suas vidas...
Tão egoístas quanto eu neste momento...
Como eu na minha vida
Apressada e destrutiva
Desmedida e sem tempo para o que é doce
Em passo tão acertado que me desacerto
E me descontrolo pela avenida
Paro nas ruas e sinto o cheiro das coisas
Já vividas...
Toco nas paredes e quebro o silêncio do meu rosto
Quebro o silêncio da minha saudade
Sinto a voz interior da minha alma
Que me dá forças para não parar
Para mudar a cada instante...
E este sou eu...
Caminheiro compulsivo
Num passo desacertado
Passando por aqui
Vivendo por ali
Amando algumas coisas esquecidas
Sendo diferente... Sou eu...
Sou mudança sem constante destino...
terça-feira, março 04, 2008
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Faz-me agarrar a noite
Devoro-a com os meus olhos
Sou o mundo
Sou a estrada
Sou a manhã que quero ser
Sou este homem da cidade
Que quer viajar no mar
Fugir dos corpos desenfreados da população
Sou este corpo
Que não sabe o que dizer
Unicamente sentir...
Falar ou querer...
Esta madrugada é lenta
Estendeu-se pela penumbra da noite
Sou esta alma que não se acalma
Mas que adormece...
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
O som da minha voz já não é igual
Nem o tom da minha pele
Olho-me nos olhos
Não sou eu...
Ou estou tão diferente
Que não me reconheço
Deixo-me levar por este momento
Curvo-me sobre o tempo
Esse amigo fugaz...
Que se apresenta sem forma
E nos rouba os sonhos
Luta desigual...
Estou aqui...
Estas rugas são tão reais...
Que nem as quero questionar
O tempo passa
A vida voa...
sábado, fevereiro 09, 2008
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
domingo, janeiro 27, 2008
Em Lisboa, pelas ruas frias
E as paredes antigas
Não tão longe de Sintra
Mas assim como te sinto e quero dizer-te
Amo-te...
Nem só o tom do teu sorriso
Mas também o brilho do teu olhar
Ou o simples silêncio da nossa conversa
E aqui eu amo-te
Aqui eu vivo
Neste tempo com estes meus olhos iguais
Envelhecidos ou esquecidos
Como palácios antigos sem Reis nem Rainhas
Por vezes os dias passam
E são iguais
È como eu te amo
Sem saber dizê-lo
Mas querendo escrever o teu nome
Para que todos saibam
Nas paredes...
Aqui eu amo-te
Sem sombra de duvida
Neste crepúsculo lento
Um fim de tarde em Lisboa
Nesta noite submersa em Sintra
Terra e época em que vivo
Em que me alimento da minha fome de te amar
Na qual eu sou feliz por te ter encontrado
De mão dada nesta noite fria
Se vens e vais
Se ficas...
Quero saber se estás comigo
Para te invadir em tumulto
Sem que te apercebas da minha chegada
Quero saber se me dás a mão
Para caminhar contigo
E a compasso dançar com os teus olhos
Uma valsa sem musica ou cantando
Quero saber se estás comigo para eu ser perfeito
Quero saber de ti...
E sentir-te uma arte completa no meu ser
Saber amar-te na época em que vivo...
segunda-feira, janeiro 21, 2008
A sombra do meu ser material
Deixou já de me perseguir
Navego pela porta da alegria de viver
E sentir...
Viver o momento que não mais existe
Que é único no seu universo temporal
Respiro-o e dou-me conta de que vivo
Nesse momento olho as coisas
São unicas e verdadeiras
E vislumbro...
Olho as paredes e as casas
As pessoas que passam por mim estão paradas
Neste momento sou eu que me sinto vivo
E olho através de maya
A ilusão que nos impede de sermos quem somos
Voo e sobrevoo cada centimetro de oxigénio
Cada milimetro de átomo que é nosso
Mas que a consciência não distingue ainda
Sou feliz neste momento...
Vou andando e passando a contrapasso
Nestes segundos que meço
Com a minha própria alma...
quinta-feira, janeiro 17, 2008
quarta-feira, janeiro 09, 2008
E sê livre em qualquer circunstancia
Encara o medo de frente
E deixa-te levar pela intuição
Nunca temas a mudança
E confia sempre nele
Se errares levanta-te
Confronta-te com o erro que cometeste
Entrego,
Confio,
Aceito,
Agradeço...
Ama todos os seres
Aprende o mais que possas
Ajuda todos...
E nunca desperdices os momentos que tens
Quero ser e não ter...
Sentir e mudar...
Vou por aí ás escondidas
Sintra... Estrada velha
O ar antigo das palavras
Das frases e dos caminhos
Dos risos... sorrisos...
Chuva intensa de Outono...
Será um crime amar a noite?
Quem sabe a Lua...
Quero-a em pedaços...
A noite e o mundo
Num só local...
Onde todos entendam o silêncio
E lhe prestem homenagem...
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Aquela que da saudade
Transforma a vida em liberdade
Que oculta no tempo a esperança
Da eterna busca da felicidade
Quem tem saudades das palavras…
È quem viu e sente o cheiro do mar
Sem estar perto da areia da praia
Do vento, senhor do tempo
Da terra molhada...
Chuva de Outono...
Sol de verão...
Amanhecer de Primavera!
Para quem tem saudades das palavras
Aqui vão elas…
Puras
Cristalinas e sem temor...
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Perto de mim...
Obrigado por me ouvires
E me ajudares...
Obrigado por me levantares
E me obrigares a caminhar
Cada vez de forma diferente
Obrigado por esta aventura
Esta vida que me deste
Obrigado pela mudança constante
Que ocorre a cada dia da minha vida
Não deixes de me acompanhar
E dá-me força para nunca desistir
Obrigado meu Deus
quarta-feira, dezembro 19, 2007
terça-feira, dezembro 18, 2007
É um mar de palavras ousadas
E alguns amigos desencontrados
Nos meandros do tempo...
São retalhos de momentos intensos
É uma estrada de sentidos
Sentimentos...
Riquezas e bens artilhados
É o querer ter o tempo passado
Que decorreu e não chegou
A minha cidade é assim como um mapa desajeitado
Cheio de ruas e ruelas
Avenidas e montras de mistérios
Que fui criando à medida que fui passando
Pelo tempo...
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Para pensar...
Espero que não me levem a mal
Enquanto penso ou viajo
As palavras são portas pequenas
Por onde passam e transportam
Perpassa o que é dificil acreditar
Sentimentos puros e por vezes sacrificados
Não cabem na minha vida
E preciso de mais...
Mais musica menos silêncio
Mais espaço entre as linhas
Mais silêncio puro...
Até chegar ao estado em que as nossas vozes
Se ouvem e afirmam o que somos