quarta-feira, julho 23, 2008

Voo para lá do céu
E construo o meu pensamento ofegante
Viajo por entre as montanhas cobertas de neve
Deambulo por entre a natureza pura e sou livre
Ando de mãos dadas comigo
Vivo e revivo cada momento
Abraço o oceano e deixo-me levar
Sentir-me encurralado pela água
As ondas e o cheiro do mar
Deixo-me navegar neste incrível mundo
E viajo pela vida com alegria
Consciente do meu valor
Sou eu que voo agora aqui e ali
Viajante sem rumo
Crio o meu caminho e viajo para além dele
Ultrapasso-me e movo-me...
Sou comandante nesta viagem
E direcciono-me para o infinito de cada sonho meu...
Sou eu...

quarta-feira, julho 02, 2008

Possuo agora uma fonte inesgotável de pensamento
Fluido como água
Bebo deste elixir
Que se prolonga até ao final da minha vida
Sorvo deste âmbar precioso que se tornou esta descoberta
Abraço este novo mundo
Como uma criança que tenta andar pela primeira vez
Aguardo pacientemente todo o resultado que advém
Desta busca interior incessante
Que reconheço no meu sentir...
Sento-me e agradeço por cada momento que tive
Que tenho, que terei...
Amo cada instante do meu tempo
E sinto-me grato
Por cada momento de desiquilibrio que tenho
Porque cada um deles me obrigou a equilibrar-me de novo
Aqui estou eu uma vez mais
Agora mais forte...
Mais sábio...

sexta-feira, junho 06, 2008

Quem sou eu?
Para decidir escrever
A alegria do tormento
Eu que me revolto...
E me puxo para fora
Eu que me retiro para o nada
Onde não existem anjos
Eu que me desencontro e me encontro
Afinal quem sou eu para ser eu?
Quantas vezes falei
Quantas para mim eu ouvi
Eu sou o maior silêncio da noite
Desde então sou este eu
Que emerge do nada
E se torna neste homem menino
Posso escrever todas as palavras
Ainda até aquelas mais tristes
E pensar que não sou eu
Eu que pertenço a esta estranha tribo
Que surgiu da noite
Esta tribo de vozes caladas
Este silêncio que busca o vento calmo
O sopro das palavras
Sinto-as mágicas...
Máscaras vitoriosas contra o tempo
Pinto-as aqui neste caderno pequeno
Para que as encontrem intactas
Com restos do meu sentir...

segunda-feira, junho 02, 2008

Agora a cidade parece mais calma
Sem a penumbra do silêncio
Navego todos os dias pela mesma estrada
E todos os dias interrogo
Passo e perpasso no oculto
Caixeiros viajantes é o que somos
Para cá e para lá
Viajantes sem rumo nesta indiferença
Palavras que navegam
Não há nada como um poema
O vento toca a alma
E o Oceano acalma-se
Viajo e voo
Evoluo e vivo instintivamente

sexta-feira, maio 23, 2008

A magia de uma cidade adormecida
Traz-me de volta a nostalgia de ser criança
Terra de ninguém esta em que vivemos
Afundo-me por vezes em noites assim
Não temo mas também não caio nesta oculta magia
Deixo-me encantar pelo sorriso
E embalo-me a mim próprio
E é tão bom ser assim
Tão sagaz...
Inocentemente egoísta...
Apetecia-me ser algo nesta cidade mágica
Ser a Lua que tocasse o vidro das janelas
E acordar alguém com a minha luz
Talvez ser a guitarra que geme aqui
Aqueles acordes tremendos e alegres
Ou tristes...
Quem sabe o gato que faz a sombra na minha parede...
Quem sabe ser eu nesta cidade
E ser eu mesmo de novo neste antro imaginário
Espaço aberto à minha proposta da noite
Quem sabe não será esta a minha noite
Estas as minhas palavras
Esta a minha alma
Este o meu sentir...

quinta-feira, maio 15, 2008

Assustado com a minha sombra
Percorro a distância que não sei calcular
Por algum lado que tente ir
Não deixo que morra em mim
O segredo de ser livre
Nem que tenha de vaguear pelo mundo
O vazio retorna-me o pensamento
Do nada mancho tinta no papel
Riscos e rabiscos
Formas que me permitem expandir a minha alma
Retornar-me ao meu mundo selvagem
Instintivo e subtil
Liberto-me dos meus amigos mortais que me querem ver preso
Confronto-me assustado com a minha sombra
Deixo-me levar pelo oculto prazer
Do que as palavras significam para mim
E vivo livremente
A minha imaginação coloca-me na corda bamba
È tempo de evaporar
Não sou nada mas sou algo
E sou sempre bem vindo a este deserto
Que por vezes é a minha alma...

quarta-feira, maio 07, 2008

Devo render-me a mim mesmo
Tornou-se difícil agradar-me a mim próprio
Talvez exija de mim o que não existe
E o que posso dar não é moeda de troca
Sou quem sou
Sou escravo do que penso
Do que tento ser
Talvez seja mesmo o que sou
Rendido a mim mesmo
Talvez alcance metade do que me proponho
Tão farto deste solitário eu
Tão só que estou longe do meu lado
Não passo de um poema nocturno
Rendido ao que sou
Estou tão alto que o céu me perturba
Estou tão aqui que não quero este momento
Canso-me a desfazer este momento
Não quero o meu ar cansado
Nem um caminho traçado
Conheci um homem
Cujo rosto ocultado pela barba branca
Pele envelhecida já conta histórias
É o Cigano do Marquês
É o amigo da malta
Vendedor ambulante
Mas que será que ele pensa
Vi-o chorar como uma criança
Quando a mãe saiu deste mundo
Quando o vejo sinto amizade no olhar
Humilde nas palavras
Por vezes ninguém quer saber o que ele pensa
E por vezes ele nem se importa
Conheço-o e é como eu
Sangra e sofre como eu
Vive triste e alegre
Ali vai ele...
Quando não o vejo pouco me lembro dele
Quando o vejo quero voltar atrás e conhecer o interior
Parece que foi levado para algures
Por entre a selva urbana que não o deixou respirar
É o Sancho o cigano do Marquês
E parece que já não o vejo de novo

sexta-feira, maio 02, 2008

A partir do momento
que deixas a sociedade definir a tua liberdade
perdes toda a satisfação e prazer de a definir para ti próprio...

terça-feira, abril 29, 2008

Ela caminha nua e linda, pela madrugada
Nem mais nem menos do que um passo acertado
No desacerto da noite
Ouve-se alguém num quarto vazio
É a noite viva que não adormece
Alguém mancha o meu sorriso
Tão tangente ao meu silêncio
Adormeço
Não sinto uma vez mais
Mas viajo...
Contemplo e vivo
Sou eu
A noite vazia embala o silêncio
Ternura do abraço
Esconde-se um sorriso
Descreve-se um beijo
Este coração tem de parar para respirar
Este ar que é puro
Inocente

quinta-feira, abril 10, 2008

Até um beijo...
Pode conter toda a essência
Transportar a saudade
E canalizar energia para a serenidade
É uma liberdade quase isolada
Egocêntrica...
Contudo partilhada e egoísta
Eu quero um beijo...
E quero que os outros lábios
Os lábios junto aos meus
Sejam tão egoístas quanto os meus
Nesse toque não formal...
Mas quero-o só para mim
Aquele beijo...
Esse beijo...
O teu beijo...

quinta-feira, março 27, 2008

Tenho os braços arranhados
Um arranhão por cada vez que caí...
E fui-me abaixo tantas vezes
Algumas sem razão...
Guardo para mim cada momento que me levantei
E várias recordações dos meus dias
Silêncio tão quente
O mar tão distante que me abraça
E a areia da praia que tem o cheiro do que eu amo
Esta cidade está tão suja que se perderam os dias limpos
Só quero lavar a minha alma com esta nova água
Um oceano de paz...
Uma caminhada ao sol
Sabe-me bem o sabor salgado das ondas
Da água...
Sabe-me bem...

quinta-feira, março 13, 2008

Em passo acertado
Viajo sobre o absoluto
Penso e repenso
Passo e perpasso
Alargo o passo...
Para que ninguém note
Sou quem voa...
Desço a avenida
já descansado
A noite, dormente...
Sou viajante
Sem constante destino
Sou caixeiro
Ninguém sabe de mim
Amo a vida e as pessoas
Essas passam e perpassam assim como eu
Na rua...
Tão desinteressadas dos outros
Tão nas suas vidas...
Tão egoístas quanto eu neste momento...
Como eu na minha vida
Apressada e destrutiva
Desmedida e sem tempo para o que é doce
Em passo tão acertado que me desacerto
E me descontrolo pela avenida
Paro nas ruas e sinto o cheiro das coisas
Já vividas...
Toco nas paredes e quebro o silêncio do meu rosto
Quebro o silêncio da minha saudade
Sinto a voz interior da minha alma
Que me dá forças para não parar
Para mudar a cada instante...
E este sou eu...
Caminheiro compulsivo
Num passo desacertado
Passando por aqui
Vivendo por ali
Amando algumas coisas esquecidas
Sendo diferente... Sou eu...
Sou mudança sem constante destino...

terça-feira, março 04, 2008

Não penso
Sinto...
Viajo...
Sou livre...
E livremente amo...
Sinto... Então Existo...
Sou caminheiro
Sou amargo e doce
Salgado...

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Este sabor intenso
Faz-me agarrar a noite
Devoro-a com os meus olhos
Sou o mundo
Sou a estrada
Sou a manhã que quero ser
Sou este homem da cidade
Que quer viajar no mar
Fugir dos corpos desenfreados da população
Sou este corpo
Que não sabe o que dizer
Unicamente sentir...
Falar ou querer...
Esta madrugada é lenta
Estendeu-se pela penumbra da noite
Sou esta alma que não se acalma
Mas que adormece...

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Estou aqui junto a mim
O som da minha voz já não é igual
Nem o tom da minha pele
Olho-me nos olhos
Não sou eu...
Ou estou tão diferente
Que não me reconheço
Deixo-me levar por este momento
Curvo-me sobre o tempo
Esse amigo fugaz...
Que se apresenta sem forma
E nos rouba os sonhos
Luta desigual...
Estou aqui...
Estas rugas são tão reais...
Que nem as quero questionar
O tempo passa
A vida voa...

sábado, fevereiro 09, 2008

Desencontro-me...
Passo aqui uma vez mais
Temendo não errar
Errando...
Perpasso e procuro a sombra
Que se esqueceu de me seguir
Ficou lá longe
Transporto-me para lá
Transcendo-me...
Sigo o meu rumo
Ultrapasso-me...
Caminho, ando e voo
Sou feliz
Sou amante...
Encontro-me...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Se existe a noite
Dentro de cada dia
Então porque não sobra o tempo
Para não ser esquecido
E retirar as âncoras da saudade
O sentido da vida pôs-me aqui...
Deixou-me sem jeito
Interrogo-me sem dizer nada
E faço de mim um arguído inocente
Deixo-me levar...
E levo-me neste barco desancorado
Elevo-me...

domingo, janeiro 27, 2008

Amo-te aqui...
Em Lisboa, pelas ruas frias
E as paredes antigas
Não tão longe de Sintra
Mas assim como te sinto e quero dizer-te
Amo-te...
Nem só o tom do teu sorriso
Mas também o brilho do teu olhar
Ou o simples silêncio da nossa conversa
E aqui eu amo-te
Aqui eu vivo
Neste tempo com estes meus olhos iguais
Envelhecidos ou esquecidos
Como palácios antigos sem Reis nem Rainhas
Por vezes os dias passam
E são iguais
È como eu te amo
Sem saber dizê-lo
Mas querendo escrever o teu nome
Para que todos saibam
Nas paredes...
Aqui eu amo-te
Sem sombra de duvida
Neste crepúsculo lento
Um fim de tarde em Lisboa
Nesta noite submersa em Sintra
Terra e época em que vivo
Em que me alimento da minha fome de te amar
Na qual eu sou feliz por te ter encontrado
Quero saber se vens comigo
De mão dada nesta noite fria
Se vens e vais
Se ficas...
Quero saber se estás comigo
Para te invadir em tumulto
Sem que te apercebas da minha chegada
Quero saber se me dás a mão
Para caminhar contigo
E a compasso dançar com os teus olhos
Uma valsa sem musica ou cantando
Quero saber se estás comigo para eu ser perfeito
Quero saber de ti...
E sentir-te uma arte completa no meu ser
Saber amar-te na época em que vivo...

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Sobrevoo sobre uma terra intensa
A sombra do meu ser material
Deixou já de me perseguir
Navego pela porta da alegria de viver
E sentir...
Viver o momento que não mais existe
Que é único no seu universo temporal
Respiro-o e dou-me conta de que vivo
Nesse momento olho as coisas
São unicas e verdadeiras
E vislumbro...
Olho as paredes e as casas
As pessoas que passam por mim estão paradas
Neste momento sou eu que me sinto vivo
E olho através de maya
A ilusão que nos impede de sermos quem somos
Voo e sobrevoo cada centimetro de oxigénio
Cada milimetro de átomo que é nosso
Mas que a consciência não distingue ainda
Sou feliz neste momento...
Vou andando e passando a contrapasso
Nestes segundos que meço
Com a minha própria alma...

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Estas palavras são para um homem
Cujo valor para mim é sinónimo de luta
Aventura, alegria, carinho
Amizade
Cujo o abraço por tempo algum que passe
Fica sempre na lembrança
Estas palavras dispersas entre tantas outras
São para o meu avô
Quero-te bem de novo para termos tempo para rir
Estarei em breve contigo

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Não esqueças de ser tu próprio
E sê livre em qualquer circunstancia
Encara o medo de frente
E deixa-te levar pela intuição
Nunca temas a mudança
E confia sempre nele
Se errares levanta-te
Confronta-te com o erro que cometeste
Entrego,
Confio,
Aceito,
Agradeço...
Ama todos os seres
Aprende o mais que possas
Ajuda todos...
E nunca desperdices os momentos que tens
Tenho sede de viver
Quero ser e não ter...
Sentir e mudar...
Vou por aí ás escondidas
Sintra... Estrada velha
O ar antigo das palavras
Das frases e dos caminhos
Dos risos... sorrisos...
Chuva intensa de Outono...
Será um crime amar a noite?
Quem sabe a Lua...
Quero-a em pedaços...
A noite e o mundo
Num só local...
Onde todos entendam o silêncio
E lhe prestem homenagem...

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Tem saudades das palavras
Aquela que da saudade
Transforma a vida em liberdade
Que oculta no tempo a esperança
Da eterna busca da felicidade
Quem tem saudades das palavras…
È quem viu e sente o cheiro do mar
Sem estar perto da areia da praia
Do vento, senhor do tempo
Da terra molhada...
Chuva de Outono...
Sol de verão...
Amanhecer de Primavera!
Para quem tem saudades das palavras
Aqui vão elas…
Puras
Cristalinas e sem temor...

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Obrigado por estares aqui
Perto de mim...
Obrigado por me ouvires
E me ajudares...
Obrigado por me levantares
E me obrigares a caminhar
Cada vez de forma diferente
Obrigado por esta aventura
Esta vida que me deste
Obrigado pela mudança constante
Que ocorre a cada dia da minha vida
Não deixes de me acompanhar
E dá-me força para nunca desistir
Obrigado meu Deus

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Fomos tão desesperados em amar
Que não sentimos a noite
Deixámos o mundo por momentos
Mas foi nosso por instantes
Pedaços de orgasmo
Amor à queima roupa
E musica que dança
Saboreio o doce mel do teu corpo
E alcanço um extase de silêncio pleno
Sou desesperadamente teu
Sou eu...

terça-feira, dezembro 18, 2007

A minha cidade...
É um mar de palavras ousadas
E alguns amigos desencontrados
Nos meandros do tempo...
São retalhos de momentos intensos
É uma estrada de sentidos
Sentimentos...
Riquezas e bens artilhados
É o querer ter o tempo passado
Que decorreu e não chegou
A minha cidade é assim como um mapa desajeitado
Cheio de ruas e ruelas
Avenidas e montras de mistérios
Que fui criando à medida que fui passando
Pelo tempo...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Preciso encontrar um local maior
Para pensar...
Espero que não me levem a mal
Enquanto penso ou viajo
As palavras são portas pequenas
Por onde passam e transportam
Perpassa o que é dificil acreditar
Sentimentos puros e por vezes sacrificados
Não cabem na minha vida
E preciso de mais...
Mais musica menos silêncio
Mais espaço entre as linhas
Mais silêncio puro...
Até chegar ao estado em que as nossas vozes
Se ouvem e afirmam o que somos

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Sentado num canto
As paredes tornam-se crepúsculos
Nada parece matar o silêncio
Não importa o quanto eu tente
Nada faz com que os olhos cerrem
Nada se parte e tudo se desfaz
Tudo parte…
Já dei tudo o que tive
E nada me tirou da solidão
Aguardo um momento
Eterno tempo
Este nevoeiro da cidade
Ofusca o céu que se esconde
E a memória que se apaga
Sem demora…
Que se oculta na escuridão do tempo
E me guia pelo oculto do meu ser

quarta-feira, novembro 28, 2007

Estou a olhar para o céu
Tento não morrer...
Experimento não voar
É de noite e não quero voltar para casa
È tempo de dizer adeus
È tempo de ir
Meu Deus leva-me para casa
Já é tarde...
E quero viver
A noite está por ai...
E parece que vai durar uma eternidade
Quero sentir-me aqui
Quero viver este meu momento
Sozinho com os sons que só eu sei ouvir
Que só eu sei entender e pensar
E que me devolvem o brilho da serenidade
Que tento alcançar a cada instante

sábado, novembro 17, 2007

Às vezes são as palavras que morrem
E não os sentimentos que as fazem nascer…
Parece que já estivemos aqui antes
E não nos conseguimos olhar nos olhos
Somos anjos que flutuam como penas
Serpenteamos como sentinelas em alerta
Sem estarmos por perto estamos junto
E por vezes nem sabemos o que fazemos aqui
Nem pertencemos ali
Mas queremos estar mais além…
Então as palavras são as ninfas do sentir
As verdadeiras deusas perfeitas do instinto
São elas que se envolvem e se desenvolvem
Amam-se e odeiam-se
Choram e riem

domingo, novembro 11, 2007

Tenho medo desta nova esperança
Parece que cresce dentro de mim
Como se fosse uma flor
Que nunca lhe senti o cheiro
Talvez queira ser melhor do que antes
Mas... durante a manhã sinto que preciso de mais
Ao entardecer, não quero o tanto que me oferecem
Por vezes não me faz falta o que tenho
Só me apetece estar sozinho no final da rua
Quando a noite chega não quero nada que tenha forma
Só quero sentir a minha alma
Sem necessidade de moeda de troca
Perto da natureza, acampar com os sons da noite
Talvez seja louco, talvez…
Quero apenas ser o que sou e estar perto dela
E encontrar um novo caminho...

quinta-feira, novembro 08, 2007

Quando passarem por aqui
Lembrem-se que sou um artista
As palavras aqui descritas
São apenas a busca interior pela minha alma
Pintada ou colorida por vezes…
Apesar de cansado,
Não as pinto com tinta de ódio
Nem com força de homem cruel
Escrevo-as com cristais puros
E espalho-as aqui em forma de âmbar
Licor das profundezas por onde andei
Preferi morrer cem mil vezes…
Do que viver amarrado
Caminhei na penumbra da noite
Para sentir a brisa da liberdade
Quando aqui chegarem…
Lembrem-se que por cá já passei
Não sou mais do que um caminheiro
Desta estrada que é a vida
A sociedade é uma louca que nos rouba os sonhos
Não tem piedade de nós
E não fica triste quando nos vamos embora

quarta-feira, novembro 07, 2007

Vou-me embora daqui...
Desço a avenida e desapareço
Adeus amigos, pecadores e santos
Não existe um tecto aqui
Nada que me sustente
Desapareceu a base
Enquanto caminho por aí...
Tenho plena consciência que desapareço
Assim como estou triste
Por vezes também estou contente
Guardo essa experiência interior
A minha sombra caminha comigo
E não a deixo para trás
Tenho esta vida
E vou andar por aqui até morrer

segunda-feira, outubro 22, 2007

Vou amar-te como um poeta
Porque só assim serás eterna…
E levar comigo aquilo que tenho de ti
Vou mostrar ao mundo
O quanto significas…
Imortalizando o teu brilho,
O teu olhar,
A tua voz,
O teu perfume,
E quando estiver exausto de te descrever
Vou pintar nas paredes o teu nome
Para que sinta a presença do teu ser
Mais tarde, quando morrer vou lembrar-me de ti
Para que a minha alma
Fique perto da tua alma…
E eu possa sorrir eternamente

sexta-feira, outubro 19, 2007

Ouve-me agora…
Preciso que saibas de mim
Onde quer que te encontres
Preciso da tua luz para me guiar
Mesmo que a Lua lhe roube o brilho
Acompanha-me vou voar e rir
Estar só…
Sem qualquer significado vou sentir
Estar perto ou longe
Estar aqui junto…
Agarra-me! Quero cair…
Afundar-me no interior da minha ausência
E despertar em mim o teu sabor
Confundir a madrugada com o suor dos teus braços
Mergulhar no teu leito
E ser a essência da noite

sexta-feira, outubro 12, 2007

Obrigado por todos os momentos que passámos...
Descansa em paz meu amigo
A minha alma chora por ti hoje
Os Deuses fazem-te companhia
Não te preocupes com o amanhã
Esquece o café que me querias pagar
Gostava de nunca ter escrito estas palavras
Descansa em paz suprema junto das divindades ocultas
Vou tentar não entristecer com a tua partida
O caminho para a longa viagem é teu
Viaja sem medo…
Gostava de um dia ter entendido o teu olhar
Brincámos tantas vezes
Em tempo algum serás esquecido
Serás eterno…

segunda-feira, outubro 08, 2007

Um homem com um aparo no bolso
Esconde tudo menos a sua alma
È capaz de escrever quando quiser
Onde quiser…
Nas paredes ou em simples papel
Esconde a sua solidão perante o mundo
Aquele que transporta tal mecanismo
Consegue despoletar uma revolução sozinho
Comandar um exército
Morrer numa batalha absolutamente só
Tem plena consciência da sua solidão…
E nada se comparará à escuridão por onde vagueou
Será sempre um homem único
A liberdade, o seu templo
Transporta a loucura dos heróis
O sangue dos sonhadores
Um homem com um aparo no bolso
È um monstro que se alimenta da tempestade
Deixem-no trovejar com vigor!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Algum dia pelo silêncio do tempo
Poderemos encontrar-nos
E saber existir em nós
Talvez correr pela estrada
Quem sabe estar unidos
E alcançar a sombra do infinito
Destruir a sociedade perdedora
Ou entrar na porta de um túnel desconhecido
Dançar numa qualquer corda bamba
E saborear o âmbar divino do nosso tempo

terça-feira, outubro 02, 2007

Capa preta, ligeiramente suja
Camisa branca rendada nos punhos
Antigos no mundo
Desloca-se com as palavras
Viaja a alta velocidade
Onde quer que chegues
Ele já lá esteve…
È veloz no tempo
È eterno mesmo que tu não o desejes
Já desvendou e amou a noite
Primeiro que tu…
Percorre o vácuo com avidez de um homem cego
Precede a todos em tempo, lugar ou categoria
Esse abismo que pensas entrar
Ele escavou-o cada vez mais fundo
Até ao inicio da escuridão
Fez amor com as palavras
Desses momentos brota a noite
Com ela a solidão...
As frases não ditas…
Recria a vida e ama as trevas
Com os aparos, canetas e tintas
São a arte do mundo
O sangue imperial da alma
Azul, negro ou vermelho
Esses poetas
Narradores da alma…
Loucos, apaixonados, furiosos ou arrebatados
Amarrotados pela humidade nocturna
Idealistas profundos…
Poetas e amantes…
São todos os mastros e pilares da sociedade secreta
A alma do mundo…
As pessoas fogem dos sonhos
Tentam alcançar outros mais além
Rodopiam no mundo
Deixam de ser o que são realmente
Algumas que não sabem o que valem
Não se situam no que são
Passam a ser o que os outros querem que sejam
O mundo, esse abismo infernal…
São as histórias e contos
Cheio de sonhos insatisfeitos
De demónios nocturnos que perturbam os audazes
Vivem sonhos duvidosos e afastados da realidade
Deixados para trás atraem o caos…
Vivem no sub mundo da cidade…
Dia após dia nos subúrbios…
E alucinam-se na noite…
O mundo está cheio de invenções para passar o tempo
Porque não há nada de novo aqui que te satisfaça
Então regurgita a tua alma e recria-te…
Elevei a minha até ao cume
Onde tu não alcanças…
Nem sequer tocas…
Viajo e rio-me de ti…

quarta-feira, setembro 26, 2007

Meu Deus deixa-me ser livre
Como a estrada que me guia
Assim como uma pátria sem bandeira
Como a chuva que trás água à terra seca
Deixa-me respirar de novo
Ensinaste-me a voar…
E agora cortas-me as asas
Estou cansado…
Deixa-me ser eu mesmo…
Sinto-me como uma vela apagada
No canto de uma sala vazia
Dá-me luz…
E fica na minha companhia
Morro cada vez que tu te vais…
Dá-me guarida
Não conserves mais a minha solidão
A estrada tem sido demasiado longa
Para compreender que não és as estrelas mas sim a noite

quinta-feira, setembro 20, 2007

Por vezes não há quem compreenda as palavras
Nascem de mim...
Algumas delas contêm toda a minha essência
Encerram todo o meu sorriso
Incluem-se em mim
E eu…
Incluo-me nelas…
De tal forma
Que se conservam para sempre
Narram a minha vida
E cravam no mundo a minha vivência
Deixam-se flutuar pelo tempo
E mantêm-se unidas…
Formam aquele conjunto de sentimentos
Tão complexos e livres
Tão geniais no seu universo
Que se deixam deambular pela eternidade
Por vezes as palavras são tão brutais
Que não as quero escrever…
Nem as ouso pensar…
Andam lado a lado com a solidão
Têm diálogos com o meu ser triste
Sorriem com a satisfação
Rio-me delas e com elas
E sei que elas, as palavras contêm toda a minha vida

quarta-feira, setembro 12, 2007

Navego uma vez mais pelo meu instinto primário
Abraço o mar num movimento voraz
Perco-me no sentido único que me mantém livre
Quatro oceanos fundem-se num só
E a minha cabeça roda a alta velocidade
Mergulho, deixo-me levar pela corrente
Energia pura e inocente…
A vibração das ondas, este som carregado de doçura
Retorna-me as lembranças da minha tribo
E devolve-me a esperança do meu reencontro
O tempo passa mas não muito
São seis da manhã…
Os primeiros raios de sol alimentam-me
Satisfaço a minha fome com esta droga genial
Deambulo anestesiado por momentos
E não me sinto monopolizado…
Peço unicamente permissão a deus
A ousadia que uso… um simples mantra
È um privilégio viver
Mas um desperdício morrer…
Sem sentir que estive realmente vivo

segunda-feira, setembro 10, 2007

O outro lado da manhã
Submersa na solidão...
Como forma de derrota
Temos os audazes
E alguns hipócritas
Sacrificam a vida pela riqueza
Abundante...
Cada dia mais um dia
A cruel disputa do odor nojento
Os doutores e as doutrinas
Vagas disputas de caras mal lavadas
Por onde passo tiro-lhes o chapéu…
Dou-lhes três dentadas…
Na ferida que não sentem
Não são a farpela que adornam
Nem le mobile que conduzem
Apenas um número de animais
Num rebanho pequeno…
Compõem uma companhia teatral ambulante
Que me faz rir a todo instante

sexta-feira, setembro 07, 2007

Se continuar a agarrar-me ao momento
Talvez tudo o resto passe ao lado
E não vejo o que me resta
Senão o que já passou
E passou a noite inteira
E não teve significado…
Seguro uma vela para não me sentir sozinho
A luz partilha da mesma ausência
Acendo um incenso…
Não vejo a diferença que faz o meu silêncio
Perpassa o meu sonho
E o tempo não volta para trás
Volto eu…
È que realmente a vida tem valor
Se dermos valor ao tempo
Mas o tempo… esse invejoso…
Anda de mãos dadas com a oportunidade
Esse mutante dos acontecimentos…
Opõe-se a cada dia
À minha representação da eternidade
E desfaz os sonhos não feitos

quarta-feira, setembro 05, 2007

Ouvem-se as ondas do mar
Os grilos fazem um bacanal de sons
As pessoas divertem-se…
As escadas ficam voltadas para a praia
Ouve-se uma guitarra de noite
È a minha e sou eu que toco…
Um grupo de pessoas vem sentar-se perto de mim
Era a minha noite de aniversário
Agora, tudo parece ter uma sintonia
È este presente humilde que partilho aqui
Ao mesmo tempo tão doce
Mais tarde de madrugada entrei no bar da praia…
O som… Uma Bossa melodiosa
A ausência das pessoas…
Manteve a calma que eu queria ter
Pela manhã as pessoas encontram-se
Todos vão á Mabi…
Eu vou ao Da pietro…

segunda-feira, setembro 03, 2007

Este não é um poema, faço trinta anos hoje dia 3 de setembro de 2007 e quero deixar uma mensagem especial para todos os meus amigos.

Vivemos presos no meio do mundo, um mundo que nós proprios criamos, temos momentos de amizade uns com os outros, mas nunca ou raramente nos libertamos desse mundo.
Concebemos a solidão mas temos medo dela, não a disfrutamos como se disfruta de uma boa amizade, esta é uma amizade com o nosso eu interior.
No entanto o ser humano que saiba estar só, sabe viver no mundo porque a ele nada mais lhe faz falta, ele basta-se a ele próprio e vai disfrutando do mundo em "doses suaves".
Todo o homem deveria usufruir de momentos de solidão, e solidão ao contrário do que muita gente pensa não é sinónimo de tristeza mas sim de sabedoria, pesquisa interior, filosofia, entre tantas outras palavras que possam descrever a forma de ser livre e viver no mundo mas não dentro dele.
A solidão obriga-nos também a pensar sobre os erros que cometemos e ajuda na sua resolução interior para depois os resolvermos no exterior.
Portanto meus amigos, todos, os de coração, os que estão longe, os que estão perto, os que estão comigo no meu pensamento, agradeço-vos a todos o facto de quererem estar comigo neste dia tão especial para mim, mas encontro-me num local onde me consigo reencontrar como pessoa e ou ser humano que sou, gostava que todos estivessem comigo neste dia, palavra que gostava, era o que mais queria.
Mas neste dia tão especial decidi querer estar sozinho neste local maravilhoso, unicamente estará comigo algumas horas a minha mãe, esse ser maravilhoso e belo que me ajuda em todos os momentos da minha vida, é com emoção e convicção que escrevo que te amo mãe.
Muitos de voçês já me ligaram a dizer que sou louco e até sou de certa forma. Mas viver é isto mesmo é ser louco, uns dias são solitários outros são recheados de amizade, alegria e por vezes tristeza. Aqui encontro-me quando ando perdido, aqui faço paz comigo e com Deus, aqui mantenho aberto o meu espirito para que com ele se façam coisas boas e positivas na minha vida.
Qualquer ser humano deveria usufruir deste bem, desta paz interior. Hoje não vou escrever poesia, ou algo parecido, ao contrário quero deixar algumas palavras vindas do meu interior.
Aqui ouço as ondas do mar que batem levemente na areia e formam um ruido belo, adormeço com este som suave e mantenho-me distante do pensamento. Mantenho-me perto da minha essência, aqui sou livre. A liberdade existe no mar e é tão vasta quanto ele.
Aqui ouço o riso das crianças brincarem na areia, são felizes, ouço as gaivotas, ouço as pessoas, os velhos e as ondas batem na areia. O mar é calmo e ofusca a solidão, também me dá prazer o Sol e faz de mim um ser feliz. Este mar é tão meu confidente que o procuro em qualquer praia, cabo ou ravina.
Aqui neste pontão ninguém me vê chorar ou rir. Ninguém me ouve, ninguém me fala. Aqui sou eu livre e puro.

Obrigado a todos por estes trinta anos, quero-vos junto a mim pela eternidade do mundo, junto a mim. Amo-vos meus amigos, a todos.

Guilherme ou Gui, Guilhas

quinta-feira, agosto 30, 2007

Entro no vazio que é só meu…
Aquele lado imerso de solidão
Mergulho no silêncio…
Intacto e submerso
Puro como um vórtice profundo…
Um abismo!
Retorna-me a lembrança
E partilho-a com o nada
Este ninguém que existe…
Este profundo e tácito deserto
A nudez do pensamento
Encoberto em solidão
Nem uma única fenda neste buraco
Tão silencioso que não diz nada
Tão perto do longe que o nada se impõe
Recuso-me a sair!
A lágrima cai lentamente
Saboreio-a na minha boca
Doce e salgada…
Partilho-a com a ausência
A razão… é obscura e ofusca as demais

quarta-feira, agosto 29, 2007

A noite chega na sua cor negra
Abrupta na sua solidão
Inundo-me nas palavras que não ditas
Manifestam-se na sentença da moral
Porra vem lá gente!
Que se lixe vou ficar aqui…
E vou ver onde vai dar a estrada
Pior do que está não fica!
Preciso de a ver!
De lhe falar!
A sinceridade ainda existe…
Não é abstracta
E ela também tem defeitos…
Apenas perdeu o valor
A sinceridade…
Essa puta! Mãe de todos os erros!
Será que vocês são sempre sinceros?
Foste sempre sincera?
Ela foi sempre sincera?
Não acredito!
Não são perfeitas!
E a única coisa que está entre nós…
È este momento, é este meu erro!
Só eu estou em causa…
Mas deixarei essa posição em breve!

terça-feira, agosto 28, 2007

Eu, eu sou um novo dia...
Um céu novo de estrelas ou estrelado
E então eu sou alguém que passeia pela rua
Cego pelo meu sentido de liberdade
Dividido por deixar tudo para trás
Ou continuar aqui…
Jamais me lembro de ter nascido
Mas sim de ter renascido
Ninguém fala o que não entende
Às vezes quando toco guitarra
Parto uma corda…
A corda parte violentamente e magoa-me a mão
Acontece por vezes...
Magoar-me com a minha guitarra
Nem por isso eu a deitei fora
Não interessa o instrumento que toquemos
Se é piano, guitarra ou harmónica,
Até podemos tocar reco-reco
Tambor…
O que interessa é a musica que construimos
Essa, está muito para lá do instrumento…
Parti uma corda na minha vida…
Magoei...
Magoei-me…
A guitarra continua aqui…
Não deixei de tocar a música…
Não parti o instrumento…
Não me aniquilei…
Vou colocar uma nova corda…
E vou continuar a aprender…
A vida assemelha-se por vezes a uma guitarra
Com história de cordas partidas e algumas novas
Temos de a manter afinada para não sairmos do tom
E sobretudo de continuar a tocar...
Mesmo que a música saia triste

domingo, agosto 26, 2007

Este não é um poema
Talvez uma carta a alguém que não esqueço
Se a vida se resumi-se só a bons momentos...
Então não valeria a pena viver
Com a perda aprendemos mais do que com a vitória
Na amizade, não reside vitória ou derrota
Apenas o que a palavra diz no seu sentido mais puro
Quando perdemos uma amizade...
Sentimo-nos derrotados, feios e sem gosto pela vida
È como me sinto...
Perdi na minha vida, por culpa dos meus actos
E por vezes culpamos o tempo...
Não! Neste momento o tempo nada teve a ver...
Foram apenas os meus actos!
Perdi-me mas encontrei-me, levantei-me!
Alguém que admiro não só como pessoa
Perfeita em todos os sentidos que conheci
Mas também não tocada pela corrupção da vida mundana
Escrevi palavras assim a uma única pessoa na minha vida
Volto agora a escrevê-las para alguém
A quem desejo tamanha felicidade...
Que tudo na tua vida brilhe como os teus olhos
Que a tua felicidade nunca mais seja manchada
Por pessoas como eu que te fiz sofrer
A esplanada ficou diferente...
Um dia falaremos, mas não agora
Se partires antes de mim
Pergunta se podes levar um amigo

segunda-feira, agosto 20, 2007

A vida é um dia fugaz
Com alguns minutos de tristeza e solidão
Mas com muitas horas de felicidade e amor
Bonita é a gente que é diferente

sexta-feira, agosto 03, 2007

Parto hoje para a minha terra mágica
Busco para além de mim, o meu nome
Espero reencontrar-me com os Deuses da noite
As musas do mar cósmico...
Sinto-me leve
Sigo Sul...
Voo devagar...
O meu pensamento corre já veloz
Estou lá!
Naquele lugar místico
Onde as fontes são mil
E as estrelas cadentes percorrem o céu
Parto hoje e estou a chegar...
Aqui consigo ser verdadeiro!
Aqui consigo ser eu...
Até breve...

quinta-feira, agosto 02, 2007

Espalham-se as estrelas…
Um anjo foge na penumbra da noite
Um acampamento de anjos e demónios
Deuses e criaturas da noite
Juntam-se nos meandros do Universo
Saboreiam as sentenças morais
Os seres divinos acomodam-se de longe
Provam o âmbar das distracções…
E distinguem-se pela sabedoria dos actos
Este sarau quebra as barreiras do tempo
Esta orgia de palavras deixa um sabor agridoce…
Determina o início do novo mundo…
Uma estrada para a liberdade
Este concerto divino...
Marcha para além da compreensão humana

terça-feira, julho 31, 2007

Passaram séculos…
Quartos de Lua
E algumas páginas de tinta
Absorvidas pelo tempo
Outrora sabores intensos
Ao mesmo tempo amargos
Foge-se para longe
Para conquistar o que está perto
Aguardo aqui numa noite quente
A jaula do mundo não me deixa respirar
Mas penetro no meu Universo
Torno-me o próprio mundo
Mas não me vejo na noite
Estou só a fingir…
Quando quiser levanto-me
Continuo a sentir-me fechado
Não devia temer a mudança…
Temo-a…
Mas não significa que morri
Sinto-lhe o gosto doce
Se não acreditas…
Sente a luz…
Sozinho no templo do desconhecido
Esquece o teu nome
Fecha os olhos…
E sente-te livre
Sente a tua alma…
Não significa que morreste
Simplesmente acordaste
Se não te fizer sorrir…
Também não tens de chorar
Se as minhas palavras não fizerem sentido…
Deixa-as voar livremente...
Encontrarás um sentido
E elas encontram o seu rumo...

sexta-feira, julho 27, 2007

Passo pela sombra do meu viver
Deixo uma lembrança de papel
Um copo de champanhe,
E uma palavra desmedida
Deixo ali um delírio divino…
Aqui um olhar marcante e a minha presença
Por segundos deixo também a minha alma
Talvez transborde um dia de alegria
Parto então para outro lugar
Vou agora…
Delineei já um plano para conquistar o Oceano
E vou roubar a Lua da noite!
Vou fazer uma viagem pelo Sol
Mais tarde descanso no Universo…
Vou deixá-los falar do mundo antigo
Os Deuses de outros tempos…
Vou ouvir histórias rústicas
E saber dos seres astrais…

quinta-feira, julho 26, 2007

Falamos com estranhos por vezes
Estranhos que se tornam reais
Reais como nós que respiram
Que sentem…
E que nos falam coisas que queremos ouvir
Às vezes falamos com mulheres
Outras com homens
Almas do mundo
Desperta-me o sentido de resumir em páginas tantas
O que sinto…
O que sinto em ti
Os estranhos tornam-se amigos
E amigos tornam-se inesquecíveis
São linhas paralelas que traçam um mesmo caminho
Unicamente com destinos diferentes
Mas na continuação da vida são paralelas…
Estranhos como tu que não conheço…
Mas sei que existes
Por vezes os olhos
Não divulgam a importância do próprio ser
Contudo as palavras são directas
São fortes
São robustas
Cruéis ou frias
E certas vezes são a única coisa
Que podes dar de ti a alguém
Palavras simples, puras
Estas são para ti que não conheço

quarta-feira, julho 25, 2007

Pode parecer estranho
Mas escrevo para alguém que nunca vi
Um sentimento procura abrigo
Descrevo-o em palavras
Espero que não te importes
Sei que não é muito mas é o melhor que faço
E este é para ti que os meus olhos nunca viram
Parece-me até simples de o escrever
Sento-me penso em ti
Estás entre o silêncio e a beleza do mistério
Talvez por vezes eu já não veja o mundo azul
Mas se fosse pintor pintava um sorriso teu
Para me relembrar o que o mundo tem de bom
Escrever é a minha paixão...
Podes gritar ao mundo que este poema é teu
Sento-me na cadeira e escrevo durante tempos
Rastejo pela minha alma
Enquanto escrevo algumas linhas
Espero que não te importes
Mas coloquei-o em palavras
È bom ter-te aqui mesmo que de longe
Então desculpa-me qualquer palavra
Mas esqueço-me por vezes onde estou
Ou do silêncio que me rodeia
Nem sei o que significo...
E o que realmente quero dizer
Não passa de simples palavras
Mas é que és daquelas pessoas
Que me dão força para continuar
Podes gritar ao mundo este é teu!
Agora que o acabei parece-me singelo
Um tanto natural
Talvez Etéreo...

quinta-feira, julho 19, 2007

Acordas na noite…
Sem saberes para onde ir
Os teus olhos estão cerrados
E dói-te o peito de não sorrir
As tuas mãos buscam avidamente algo
Que se distinga da sombra do teu viver
Os teus olhos não se abrem…
Rasgam-se!
E tudo o que alcanças é a parede fria do teu quarto
Rompem-se os lençóis em fúria
E alguém parece descobrir-te na madrugada
O silêncio do teu quarto é febril
Corres pela casa e acendes as luzes
Mas continuas sozinho…
O ar que respiras torna-se o teu refúgio
A tua mente engana-te com os seus truques
Gritas para quem não te ouve
Falas com os mortos que não existem
E deixas-te embalar na tua solidão
O medo ofusca a tua noite
A ansiedade toma conta do teu caminho
E deixas de viver o teu mundo
Tornas-te escravo dos teus receios
Reinventas só para ti em segundos
Toda a moral dos Homens
E descobres que nada faz sentido sem as tuas mãos
Não! O mundo não te abandonou…
Tu deixaste de o respirar…
E já não deixas entrar estranhos
Será a idade da tua existência?
Ou é o teu instinto a revelar-se
Animal selvagem desamparado
Jamais temas a noite e o que dela faz parte...
Vais levantar-te e erguer-te perante o teu mundo
E serás o Rei que flutuou no teu próprio abismo
Jamais temas perder…
Porque nas vitórias pouco tens aprendido
Nas tuas derrotas aprendes a erguer-te cada vez mais forte
E se caíres desamparado…
Ergue-te devagar…
Para vislumbrares os erros que cometeste

segunda-feira, julho 02, 2007

Que todos sejam luz
E que a luz se transforme em paz
Esta deve ser de tal forma grande
Que se estenderá pelo universo
E possa fazer feliz todos os seres
Fisicos, Astrais e Causais
Sai Ram

sexta-feira, junho 22, 2007

E houve um som todas as noites
Desde aquela noite
Que deixou o refrão dos teus olhos no meu sorriso
A capital do meu ser definiu o sonho
Este abismo secreto…
Corredor vasto de lembranças subtis
Percorri avidamente as paredes
Em busca do teu nome
Estava escrito afinal nas portas
Que não entrei…
Explorei intensamente o delirio dos teus olhos
Para saborear na eternidade da minha alma
Não nos ouviram?
Aqueles sons nocturnos
Nobres e distintos silêncios…
Que só nós sabemos pensar
Que ousámos ouvir e até criar
Somos aquelas vibrações que deixámos
Lá longe…
A voz de todas as cores
Longe do que somos hoje
Ruídos na noite…
Ofuscam a nossa escuridão
Desloco-me fugaz neste mundo transitório
Somos antigos demais para deixar voar o tempo
Que se agonia no mundo material...

segunda-feira, junho 11, 2007

Perde-se por vezes
Encontrado no tempo
Algumas gotas de suor lúgubre
Asfixiado lentamente na noite
O latir dos cães medrosos…
Foge por vezes a noção do equilíbrio
Da gente fina e sem jeito
Sombras de fel
Quadros de papel
Subo ao céu
Junto-me com os pássaros
Místicos irreais…
Levam-me para uma ou outra dimensão
Vou nu…
Voo assim leve
Escondo-me na noite
Para ninguém me ver sangrar
Distante a minha alma
Permanece ainda presente no tempo
Inundo-a no descontrolo deste voo
Não quero pousar
Agradeço aos deuses…
Por me darem a melhor memória da minha vida…

segunda-feira, junho 04, 2007

Rasguei algumas páginas hoje
Páginas tantas
Poemas loucos
Frases que de não ditas… desaparecem
Tornam-se imortais
Os silêncios…
Aqueles gritos calados
Rasguei-as e vi-as subir ao céu
As cinzas…
O cheiro rebelde queimado
Páginas quantas…
Páginas tantas…
Deixei-as voar… as palavras
Para de seguida as ver livres
Uma fogueira lancinante
Mas terrivelmente pura

segunda-feira, maio 28, 2007

Se deixares este local
Eu irei atrás de ti
Está tudo tão diferente
Sou este céu que vês
Para ficar junto a ti
Trepei pela lua e deixei-me ficar por aqui
Sou o céu hoje
Vim cá para te abraçar
Não quero sair
Nem daqui a um milhão de anos

terça-feira, maio 22, 2007

Alcanço o som por vezes
Entre o rugir do barco de madeira
E a água que balouça aos meus olhos
As cordas estão presas à beira do rio
O vento move-se lentamente
È tarde de domingo e ando descalço
A praia está deserta…
E o frio já não me incomoda
Uns bancos de areia mais à frente
O Sol é o mesmo que outrora me queimou
Os dias são diferentes
Ando por aqui ás escondidas
Por entre ruas e ruelas
Casas e casinhas…
O rio termina e começa o mar
As ondas vêem seguidas
Fortes e mortais
A minha alma satisfaz-se com este pedaço de vida
Procuro na noite a saudade que me faz viver
A paz que encontro torna-se divina
E a magia do meu tempo
Torna-me real
Este cheiro intenso a maresia…
Obriga-me a sonhar alegremente
Deito-me na areia
Sabe-me bem o toque dela
No céu vejo uma ou outra gaivota
Estou completamente embriagado…
Refaço só para mim a formula da minha essência
Reconstruo na minha alma os pilares do meu ser
Aqui ninguém me vê ou sente
Sou eu e o meu percurso divino
Transbordado aqui nas minhas palavras

quarta-feira, maio 09, 2007

Arrasto-me na noite
Indomável na minha escuridão
Levo ao limite este momento
Sonho sublime com o tempo
O meu corpo… vê como ele se move
Arrastado e sangrento
Talhado pela sensação de viver livremente
Ou estar vivo simplesmente
Vê como me sinto…
Estas frases
Nutro-me de palavras
Renovo-as de alegria
E fico leve…
Arrastado pela noite
Deixo-me fluir no meu Universo
Selvagem e discreto
Instinto secreto
Navego no oculto…
Arrasto-me pela noite…

segunda-feira, maio 07, 2007

Recanto de prazeres inoculados
Estou aqui
Alguns dias são cinzentos
Em concordância com outros
Vou-me rindo nas madrugadas
Já nem durmo
E esta minha persistência abusadora
Para tentar crescer
Faz-me ficar parado
Fico velho…
Fico longe…
Quero agradecer-vos então
Por estes anos bem passados
Nada mais do que puras palavras
Despejadas do meu ser
Poesia chamam-lhe…
Digo eu que são descrições abreviadas
Do meu sentir
Crónicas reais… do meu viver
Cara de miúdo e sorriso inocente
Ando aqui e ali…
Perdido por vezes
Encontra-me o tempo
Esse amável cambiante do meu ser

quarta-feira, maio 02, 2007

Lembro-me de ti
Quando me recordo de rir
Abertamente como se fosse criança
Voa o tempo quando estou na tua presença
E sou feliz nesses momentos
Não tenho a presença de tudo
Mas tenho a tua companhia
Que me faz sentir feliz
Sou finalmente eu
E o que me faz infeliz
Abandona-me...
Não sei porque é que tem de ser assim
Se tudo o que eu quero é falar por mim
Gosto de ti porque gosto
Gosto dos pedaços que ocupas em mim
Faz frio agora...
E tenho medo que saias do meu viver
Gosto de ti porque gosto

segunda-feira, abril 30, 2007

Um anjo voa pela luz celeste
Coagula o meu sonho
Longe do mundo oscilante
Arrastou o meu corpo para lá do oceano
Enfim parámos para descansar e caímos
Posso agora deslocar-me onde eu quiser
Avançar no tempo…
Recuar no espaço
Trago duas boas qualidades
O vinho dos deuses
E as criaturas da noite
Uma loura outra ruiva
Espasmos melodiosos
Gritos selvagens nas noites quentes
Deixo os sons lá longe
Esqueço a noite…
Entristeceu-me o olhar
Ah… vem connosco…
Forja o teu sentido com o nosso
E viaja ao sabor deste mel
Vento doce
A noite é ainda infantil
Sou um guia deste rochedo
È o meu hábito
A Lua está carregada e orgulhosa
A genealogia do suicídio
Para justificar a perda da visão celeste

terça-feira, abril 24, 2007

Estou aqui
Presente neste momento
Eu e as memórias
Épocas passadas
Quero sair mas não sei para onde
Só sinto o silêncio amargo
Das palavras não ditas
Registo no papel este momento
A tinta simbólica da minha vivência
Sinto-me distante
Sinto-me sem rumo
Circo de malte
Palhaço de palha
Arlequim de ferro
Tão longe que não sinto a diferença

sexta-feira, abril 13, 2007

Ficas-me no pensamento
Olho-te nas ruas mas não te sinto
Mantenho o silêncio do teu olhar
Não te vejo no meu caminho por vezes
Procuro-te sem te alcançar
Quando chega a madrugada
Não quero acordar…
Quero ver-te… sem que seja na minha recordação
O teu nome não sei…
Só a cor do teu cabelo
A calma do teu olhar
Adivinho o teu cheiro por entre a minha mente
Com o meu sorriso percorro o teu corpo avidamente
E descubro um novo caminho desta saudade
Tenho-te não te tendo…
Conheço-te não te conhecendo…
E invento para mim o tom da tua voz
Que nunca ouvi… mas sei que é doce…

quarta-feira, abril 04, 2007

Passo e perpasso por aqui
Não sei já onde passo...
Passo distante do templo
Glória antiga
Mistico tempo...
Passo e desfaço...
O tempo...
Essa palavra que se diz longe de tão perto...
Que se atravessa no meu caminho
Opõe-se a cada momento
Na minha ideia da eternidade...
Passo e passo a contrapasso
Com majestade...
Sem sentido plangente
Por aqui passo
Cada dia, mais um dia...
Busco a bússola do meu viver
A verdadeira alma do meu templo
A voz do meu sentir...

terça-feira, março 27, 2007

Vi um anjo hoje
Toquei-lhe no olhar
Deslizou no meu sentido
Passou por mim a correr
Deixou-me o cheiro
Cedeu-me a vontade…
Deu-me um pensamento…
Segui sul…
Não quero entrar neste lugar para perder…
Preciso então de acreditar
Sei que é um sonho…
Vi um anjo hoje…
Sem medo de me olhar
Tocou uma melodia nos meus olhos
Deixou-me feliz
Sereno…
Pensador…
Retirou-me do crepúsculo por uns tempos
Devolveu-me um sorriso…

terça-feira, março 20, 2007

Tempo do tempo
Que é tempo que quero
Para te conhecer
São as curiosidades do tempo
Que perco por não te ver
Passa por mim o tempo
Que se mostra desatento
Na onda do meu desencanto
Sou eu que passo pelo vento
Rápido… místico
Senhor do tempo…
Passo após passo num mundo que não vejo
Mas silenciosamente alcanço
Tenho sede
São os meus olhos…
Neste mundo deserto
Multidão descabida que me afasto
Desamarro-me deste mundo oscilante
E vejo-te como se te quisesse alcançar
Mas não sei como procurar
Ninguém me disse onde está escrito
Formula do tempo
Tempo do tempo
Tempo que se fez e se foi
Se faz e se mostra desatento
Para comigo este tempo
Não sei procurar-te no tempo
Leva-me com o vento…
Pelo tempo…

segunda-feira, março 19, 2007

È bom ver-te quando te vejo
E não te vejo…
Quando te tenho e não te procuro
È bom sentir-te…
Ainda que no limite do tempo
Quando o sabor do teu cheiro
Se confunde com a saudade
E se esvanece da minha pele
Ardem os acordes do teu toque
Para me deixar sonhar
O véu ainda transparente do teu corpo
O segredo primitivo que me comanda
Pelo templo da minha alma
Pelos arredores do meu quarto…
Faz-me sentir-te não te sentindo
Querer-te não te querendo
Tocar-te não te tocando
Ver-te…
Sem te ver…

domingo, março 18, 2007

Perdi a noite no meu poema
Sem te alcançar
Não durmo mais hoje...
Posso vaguear por aqui de madrugada
Cruzar os abismos da minha mente
Sem te ter...
Os campos cercados do meu jardim
O qual já não vejo
Por onde andei
Deixo-me levar pelas incertezas
E a tua ausência não me deixa dormir
Nascem no chão as sementes desta solidão
Nunca mais chega o Verão
Refaço para mim de novo
O cheiro da tua pele
Para não me esquecer que existes
Choro um poema agora...
Passaram séculos de paixões
Pergunto-me se alguém me vê ou sente
Neste esconderijo secreto...
Retorno ao meu carreiro por onde passo
Marcado por tantos passos
Errante e desacompanhado...

segunda-feira, março 05, 2007

Trago uma carta amarfanhada no meu bolso
Marcada com as letras do meu olhar
E a tristeza do meu sorriso
A tinta despojou no papel
As palavras do meu sentir
Estão borradas as palavras...
Trago-a rasgada nos cantos
De tantas vezes a reler
Finalmente consigo agora ver o mar
Por entre as ameias da cidade
E no mistério da noite os anjos calam-se
Num ritual solene
Embriagados pela melancolia do meu olhar
Como se me levantassem em silêncio
Para me embalarem num culto secreto
Nesta estrada distante ouço as marés
As verdadeiras marchas do oceano
Que se esbatem contra as rochas
Os novos sons são perseguidos
Pelo cheiro dos amantes
A areia oculta nesta madrugada
O segredo do meu sentir
Quase nem a sinto no meu canto de desespero
Fecho os olhos e releio a minha carta novamente
Desta vez acompanhado pela minha voz interior
Pois sabe a côr de todas as letras que pintei
Com o sangue da minha alma
Despojei-a assim...
Com o vigor da minha mão
E a coragem do meu aparo

sexta-feira, março 02, 2007

Deixei a Lua hoje
E não sei o que me mantém agarrado aqui
Parece então que passaram séculos de silêncio
Sentado de frente para o mar
Estou aqui…
O meu rosto sujo toca o vento
Sei que em outros recantos já ouvi o mar…
Em outras terras também…
Contudo a recordação não me satisfaz
Preciso sentir a sua eterna presença
Fala-me ele em poucos sentidos
Contorna-se no meu ser
E despoja-se no meu olhar
Oceano misterioso
Antigo e contador de histórias
Verdadeiro sal da antiguidade
Oscila no meu ouvido a voz das sereias
Embalam-me neste momento
Para que me sinta real novamente
Ah... dá-me guarida neste dia
Sinto tamanha tristeza...
Talvez peça conselhos ás Tágides
Essas ninfas do Tejo
A quem Camões devolveu a eternidade

quinta-feira, março 01, 2007

Faz tempo que não me prendia
Deixei-te prostrada na cabeceira
E a minha mão que por vezes teme em tocar-te
Esqueceu-se de ti por tempos
Simples aparo…
Nem a tinta secou…
E esse odor que tens
Ainda que por vezes cruel
Faz-me navegar por entre castelos de palha
Saudade de te pegar de novo
Dialogas comigo tempo inteiro por vezes
Encontro o meu refúgio pelas tuas linhas
Por vezes até as escondo por entre os meus papéis
Ah… serás, tão inanimada como dizem?
Por detrás de ti…
Escondes essa vaidade de saberes o que sou…
Tu és sim um bom confidente...

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Segue a minha mão
Porque teme em escrever
A minha alma jovem
Acompanha-me por aqui…
E despejado… deixa-me então sonhar…
Sou eu quem te escreve…
Palavra por palavra
Letra por letra
Por estas linhas estranhas e vazias
Lágrima por lágrima
Segura-me de novo doce poesia
O meu sentido neste instante deixou-me voar
Sorriso por sorriso
Deixa-me ir neste túnel
Sem rasto e sem caminho
Deixa-me descansar no teu leito
E poder adormecer
Neste mistério mais que oculto
Onde sou caminheiro
Estrada viva que se mostra…
Ainda fria…
Este rumo… desnorteado…
Atalho subtil para a glória mística
Distância já cansada por onde ando
Deixa-me rastejar pelo teu trilho…
A minha via láctea…

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Como uma droga…
Experiência infinita
A minha mão separa-se do meu pensamento
Para te descrever…
Sou eu agora quem te escreve
No calor deste silêncio que imaginas
No teu quarto…
Sou eu que te toco
Sou a tua pele…
Quero ser eu que arrepio…
Estou curioso no teu sono
Vejo-te por entre as ameias deste meu castelo
Penetro no teu sonho
Para desvendar o teu sentido oculto
Deixo-te cansada
O suor que escorre pelo teu peito
Sou eu sim…
Que me desfaço no teu leito
E me desafio no teu pensamento
Navego pela noite para te deixar aqui
Prostrada e doce…
Azul...
Minha…
Quero o teu cheiro que me embala…
Para me deixar demente
Dormente…
E constantemente louco

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Já nem sei por onde ando
Marchamos juntos num deserto obscuro
Por vezes somos brutais
Somos únicos…
Outras das vezes… Somos vulgares demais
Naquela noite…
Vivemos uma visita intensa
Um momento melancólico de tristeza
Luz das luzes…
Não estou por cá
Apaguem as luzes então…
E o som deixou de se ouvir
Silêncio… é o que quero ser agora
Vou tentar correr para outro lado
As lágrimas escorriam suaves pela pele brilhante
Não deveríamos nunca ter medo de chorar
Não me lembro do sonho
Nem sequer me recordo das cores
Nem dos temperos da saudade do amor
Costumava lembrar-me…
E escrevia sobre essas recordações
Estarei a morrer?
Sim, aos poucos diz-me ela, calma e suave…
Quem me faz divagar nesta noite?
Quem me deu impulso para navegar?
Já nem sei…
Perdi a bússola do meu viver…

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Quero que me conheçam
Então não sei por onde começar…
Gosto de escrever, adoro escrever
Adoro o mar, adoro o dia, amo a noite
Gosto das pequenas coisas
Gosto da Lua quando estou triste
Adoro cantar sozinho
Gosto das saudades que sinto
Gosto do sabor da chuva num dia calmo
O cheiro da terra húmida
Amo os meus amigos
Gosto do sabor de estar sozinho
Mas tento não dispensar uma boa companhia
Adoro o cheiro da pele das pessoas
Os olhares, as vidas e as histórias
Amo o Sol…
O cheiro do Natal…
E aquele perfume de mulher numa manhã de Outono
Gosto da troca de olhares
Atrevidos ou não…
Gosto de beijos
Amo os abraços
Amigos ou algo mais
Gosto que gostem de mim
Gosto de tatuagens, mas não tenho nenhuma
Sinto prazer em amar
Amo viver!
Prefiro apreciar e escolher
Adoro ler!
Faz-me bem treinar até ao meu limite
No dojo adoro o momento em seza num final de tarde
Gosto do sabor a suor quando escorrega nos meus lábios
Gosto do cheiro das oficinas
Adoro os castelos antigos
Fragmentos de livros velhos
E as ruas estreitas mais antigas
Amo a música composta, clássica
Que tenha sido criada com alma
Adoro o mundo
A vida, e aprecio os animais
Adoro os tigres
E orgulho-me de fazer parte deste fragmento
Deste momento que representa uma época
Desta vivência infinita que representamos
Gosto de mais coisas
Mas gosto do sabor de não ter palavras para as descrever
Mantém o mistério que eu também adoro

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Quando passares por aqui…
Estarei longe…
Perto demais do meu refúgio
Longe de ti
Distante deles…
Não irei sair daqui vivo
Nem por um momento…
Não quero!
E se tiver de me ocultar…
Será aqui…
Um eremita na cidade do caos
Afastado de todos esses déspotas…
Injustos e cruéis…
Não…
Não conseguem alcançar-me aqui…
Nem que me procurem pelas trevas…
Aqui… Estou rodeado de todos os meus amigos
Abrigo tranquilo…
Protecção constante…
E se passares por cá, estarei por fora…

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Perco-me no deserto da mente
Navego pela sentença moral
Entre nós não há espaço para o tempo
Somos trágicos
Entre nós não há tempo
Só aquele sabor dormente
O suor quente
O desesperado momento de solidão
Vou ter contigo…
Acompanha-me nesta viagem
Vou atravessar o oceano
Flutuo serpenteando por esta auto-estrada sublime...
A minha pele está fria…
Pálida…
Estou cansado de correr
Farto de não me encontrar
Então voo…
Cabeça latente... e enjoo...
Muito perto… No entanto lá longe
Longínquo
Busco em ti novamente…
Algo mais intenso…
Um beijo mais profundo que este mistério
Uma emoção que me retorne o prazer de ser livre

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Acorda-se numa manhã
Tudo está diferente…
Não há tempo para rodeios…
Não somos mágicos
Não há momento para ilusão
Apenas o fim anunciado…
De tudo o que existiu
Sem nada para trás
Sem surpresas…
Não voltaremos a olhar-nos…
Foi o fim miúda…
Sou humano
Entristeço…
Mas não sou um ser vulgar
Nem pensar nisso
Sou de carne…
E por onde andas eu já lá estive
Não existe nada de novo aí…
Mas procura bem fundo
Para não caíres em desespero
Apaga as luzes quando saires

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Ela deixou um bilhete na minha cama
“Se tiveres fome… liga-me…”
Deixou-me imóvel…
Sereno
Inconsciente
Azul…
Partiu sem deixar rasto
A manhã era melancolicamente submersa
Diria poética…
A noite foi sem tino mas instintivamente nossa
Deixou-me ausente…
Como se vivesse na água
Mas não dentro dela…
Como se abraçasse um sonho
E se fosse aquele sonho
Jamais queria acordar
Deixou-me nu…
Satisfeito…
Calmo…
A pele dela tão macia
Corpo esguio, magro
Lânguido…
Rodopiou por mim noite inteira
Doce…
Mulher…

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Andamos diferentes...
Com medo...
Gostamos de construir as nossas paredes de ferro
Para não termos o trabalho de olhar para dentro
Andamos nulos...
Já cá estamos e navegamos...
Não existe nenhum outro lugar para onde ir
Sem destino parte-se
E deixa-se de sentir
Talvez esconder o que está perto
Arranjar espaço para o que está longe
Andamos diferentes...
Sem sentido...

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Pensei fazer um poema
Mas… não sou poeta
E jamais quero ser catalogado como tal
Decidi então deixar algumas palavras
Mais algumas…
Não escrevo poemas
Descrevo-me apenas…
E nada mais do que a descrição
Que neste momento tenho do que sinto
È, que todos os seres de todas as formas
De todos os mundos
Sejam felizes…
È o meu voto sincero nesta época
Neste tempo…
Mas é-o também em todos os tempos
No entretanto, existe uma pequena diferença
A receptividade dos nossos pensamentos
Está mais aberta nestes dias…
E quem sabe sejamos mesmo todos felizes
Ao menos por breves momentos…

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Sombra a sombra
Alcanço o limiar da minha ausência
Desesperadamente louco
E ansiosamente teu
Flutuo num pântano de miragens incolores
Deixo-me levar pelo murmúrio das palavras
Alcanço o meu norte…
Sigo sul depois…
Parto para longe
Sombra a sombra
Passo a passo
Sigo sem destino o meu caminho
Longe do mundo
Perto de mim
Ausente do meu sentir
Consciente do meu viver
Sigo longe

terça-feira, dezembro 19, 2006

Por demasiado tempo
Existiram segredos na minha mente
Algo que deveria ter dito
Sentei-me aqui…
Com uma estranha aos meus olhos
Sozinho com os meus pensamentos
Ainda nostálgico… Perpassei nos locais de outrora
As lágrimas que não pude chorar
Não tenho controle sobre mim…
Tenho medo…
Escorrego e atiro-me
Liberto-me…
Escorrego novamente
E levantam-me…
Diz-me então que pensamentos te talharam
Por onde passaste e por quem choras
Tudo o que somos é pó ao vento
Então envia-me um anjo…
Daqueles que não te abandonam
E deixa-me sonhar novamente
Diz-me com quem falaste
Quem te fez chorar…
Mas volta para a luz
O vento que sopra na tua cara
São os anos que vão passando
Um sinal do teu coração
A repetir que estás cansada
Fecha os olhos e deixa-te levar…
Não troques a amizade pela solidão
Já lá estive…

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Tanto que foi deixado para escrever
Que já nem me quero sentir
Preservo o momento de jamais aqui estar
E deixo-me levar pelo tempo que passa
Deixei um relógio no chão
Talvez tenha abandonado o tempo
E se o abandonei…
Já nem me lembro dele
Esse tempo… que se desfaz
E anula toda a existência dos momentos
Nem sequer sinto as minhas rugas
Já nem as quero ter
Culpa do tempo…
Sempre o tempo…
Irreal mas infinitamente conciso!
Tantas palavras que deixei de escrever
Para dar gosto ao tempo
Tempo esse…
Que quis saboreá-lo com algum tempo…
Que perdi tempo

terça-feira, dezembro 12, 2006

Posso tentar escrever hoje
Nem assim haveriam palavras
Para descrever a minha alma
Hoje não quero sonhar…
Nem quero sentir-me ausente
Nada de vale a minha voz
Hoje nem quero estar aqui…
Nem sei onde me esconder
Vou fugir da minha sombra
E procurar um abrigo
Cortar as minhas asas
Para ficar longe do céu
Mais perto do mar
Nem quero já escrever…
Só ficar por perto…

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Dói-me a cabeça do mundo
Universo incerto alucinado
Fugi da estrada onde outrora descansei
Cor púrpura e amargo sapore…
O meu corpo jaz desfeito na sombra
Deste êxtase de sentimentos inoportunos
Deixei-me adormecer neste canto do mundo
Então… Já nem sei acordar
Ocultei-me outrora no reflexo da madrugada
Elevei-me na imensidão dos pensamentos
E cai de novo…
Sento-me aqui uma vez mais ausente
Sem caminho por onde passar
Deixo a minha presença moribunda
No canto deste lugar
Parto talvez para outra estação
Ah… dói-me tanto a cabeça
Sem sentido e sem chegada marcada
Parto por entre a minha campa camuflada
Pela sombra da minha presença aniquilada
Deixo-me sentir na madrugada
Ah.... Dói-me a cabeça do mundo...
E as pernas do meu Universo
Dói-me o corpo dela que não conheço
E o meu sorriso que deixei de ter
Dói-me o mundo todo no meu pensamento
A consciência do meu viver
E a esperança do meu etéreo e fraco momento

quarta-feira, novembro 29, 2006

Agora que descanso a minha alma
Respiro satisfeito…
E repouso neste momento
Repito o silêncio do teu cheiro
Perto da madrugada deixo a minha roupa
Já ausente do meu sentir…
Não me importa já a noite
Jamais me sente…
Crio um sentido para além da minha mente
E descrevo-o no meu pensamento
Navego milhões de anos
E refaço só para mim…
O cremoso segredo do teu olhar…

sexta-feira, novembro 17, 2006

Voo para além do tempo
E deixo-me sentir pairar
Desloco-me por um momento eterno
E tento alcançar-te nesta viagem
Ainda sou aquele que se senta sozinho
Não quero perder o meu caminho
Ainda distante
Não quero parar
Vou voar até me cansar…
Nesta ausência do meu viver
Perco o meu vigor…
Estou desprotegido, sem sentido
Voo para além do mundo
Numa viagem sem rumo
Sem tempo
E com forte desejo de não aterrar
Hoje... Quero voar até me cansar…

quarta-feira, novembro 15, 2006

Sou velho então
Polido há mais de mil anos
Marcado na eternidade
Sento-me e troco algumas palavras com Deus
Deverei ter mais do que carne aqui dentro
Para não querer desistir
A vida apresenta-se de diversas formas
A necessidade de a sentir cada vez mais
Só preciso de estar aqui por mais algum tempo
Para me relembrar o que perdi
No entretanto… Deus não responde
È um silêncio amigo
Uma solidão sóbria…
Talvez alguma paz na escuridão
Abraçam-me os sentidos
Alguns perdidos…
Os amigos sentem a minha satisfação
Mas não vêem a alma que lhes fala cansada e sozinha
Talvez ainda me responda ao final do dia…
Ou ela me atravesse no caminho por um momento

terça-feira, novembro 14, 2006

Vou tentar esquecer os riscos que me fizeste
E acompanhar ainda o teu olhar
Com pouca esperança
Então assim tentarei viver
Porque nada mais há...
Para além de uma lágrima
Que por vezes ainda cai...
Então abandono este lugar etéreo
E parto por um outro caminho incerto
Riscado pelo teu sentido...
Nada mais há...
Do que aquele momento
Uma estrada antiga oposta aos teus sonhos
Paralela ao meu desejo de me ver feliz
Vou então tentar esquecer os riscos que me fazes
Para me lembrar o quanto te amo
Porque só assim posso sonhar

sexta-feira, novembro 10, 2006

Desisti de te ver...
Porque sei como me sentes…
Estás tão perto de mim que nem quero acordar
O sabor deste momento é eterno
Mais tarde ou mais cedo vai parecer ter um fim
Só não quero que me vejam agora
Ninguém iria entender como me sinto
Nem iriam conseguir parar as lágrimas que caem
Também não consigo definir este momento
Sinto-te tão perto…
Parece que te vejo no meu sonho…
Só quero que tudo isto acabe rápido
Para que ninguém me veja assim
Também quero que saibas que estou triste
Tanto que nem o mundo me iria compreender…

quarta-feira, novembro 08, 2006

Desfaz o teu sorriso no silêncio do teu olhar
E deixa-me vaguear pelo teu corpo
Distante a minha alma funde-se
Ainda que presente no tempo
Ela inunda-se em ti
Perco-a no descontrolo deste voo
Já me esqueci de voar
Nem quero sequer pousar
Abro as minhas asas neste sonho
E deixo-me pairar
Desejo então cair no teu olhar
Para embalar o meu sentido
Deixa-me sonhar
Deixa-me voar
Ensina-me de novo a amar

quarta-feira, outubro 25, 2006

Embriago-me suavemente…
Numa qualquer tasca
Sintra…
Estrada velha alucinada
Papeis no bolso, capa preta
Aparo de madeira lustre
Dor de cabeça ou voraz sentimento?
Dor da vida…
Suavemente engulo mais um gole
Deste insano momento…
Devoram-me os olhares inconstantes
Elas rasgam-me o pensamento
Olhares cultos e desmedidos
Provocantes…
Sozinho… aqui estou…
Não sei mais para onde ir
Satisfazem-me os olhares cruzados
Os meus olhos fitam-nas sem segredo
Prostrado aqui estou…
Perdido neste momento
Tasca ou bar já nem sei…

segunda-feira, outubro 09, 2006

Se o amor se resumir a uma só palavra
Então quero soletrá-la…
Para que não me falte o ar
Quero dizê-la baixinho ao teu ouvido
Quero lambuzar a tua alma
Com o mel desta minha palavra
Esta, será tão doce que rasteja…
Por entre o teu sorriso…
Quero que ela se estampe no passeio por onde passas
E tropeces nela quando quiseres
Esta palavra não tem tempo
E digo-a devagarinho como se toda a minha voz
Fosse eterna…
A… m… o… te…
Esta simplicidade de uma palavra
Pode caminhar pelas barreiras do infinito
Nada mais é triste quando dela te lembrares
Nada mais é irreal quando a sentires perto do teu ouvido
Dita por mim…
Amo-te...

domingo, outubro 01, 2006

Amo-te num só momento
Em todo o tempo
Como se todo eu quisesse ser teu
Amo-te…
A minha alma voa por entre a tua
Sem sentido abraçando o mundo eterno
Deixo de lutar contra o que é incerto
Deixo-me levar pela curva do teu silêncio
Amo-te como se nada fosse
Como se a minha vida dependesse de todo eu ser teu
Amo-te… e voo pela incerteza do teu beijo
Deixando-me levar pelo amor que ainda vejo
Porque só a voar consigo sentir-te
Amo-te como se ainda te sentisse sem ter de respirar
O ar que tu sentes…
Sem deixar rasto deixo-te um sorriso de mel
Doce como o sentimento que me consome
Nem mesmo a morte põe fim a este meu sentir
Mais forte que a eternidade dos homens
Mais claro que todos os pensamentos de Deus

sexta-feira, setembro 29, 2006

Ela tem o cheiro do que eu amo
Jamais me conseguirei separar
Preciso de vivê-la todos os dias
Mais que dois amantes
Eu e ela tão juntos
Um sonho de lua…
Deslizou devagarinho pelo meu pensamento
Adormeceu ela nos meus braços
Quisera ser a vida dela neste sonho de água
Até que veio o silêncio
Silêncio…
A respiração dela tão calma
Despertou o meu horizonte
E deixou-me adormecer por mais uns tempos
Neste sonho doce
Amor… Chamam-lhe os deuses
Oculto no silêncio da noite
Não sei porque me sinto assim
Encurralado nesta vida e neste lugar
Acho que vi a tua cara uma vez mais
As memórias abraçam o meu pensamento
Será que cheguei ao meu destino
Talvez nem esteja vivo…
Não posso mais…
Tudo me parece verdadeiro…
Já escrevi isto antes
Procuro uma explicação
Será que estou a perder o juízo?
Ainda aqui estou…
Dentro deste sonho
Mas sinto-me tão perdido
Tão verdadeiro…
Tenho medo de cair no infinito uma vez mais
Sinto que já ouvi a tua voz
Algo me faz lembrar que ando à tua procura
Mas não tenho explicação
Sinto-te tão perto…
Que tenho de me proteger de mim mesmo
Ando perdido nesta visão paralela da minha existência

sexta-feira, setembro 22, 2006

Os sonhos são para os que ambicionam o infinito
Quero apenas flutuar na imensidão da tua presença
Não quero ir para o céu onde os anjos voam
Quero andar por aqui
As pessoas choram e sorriem
Vivem e morrem
Aprendem...
Quero ver-te e tocar-te
Amar-te
Quero ser o que tu queres que eu seja
Quero-te na presença de todas as coisas
Os sonhos são para os que deixaram de viver
Quero respirar-te
Sentir-te
Não quero sentir a tua ausência
Porque as cores tornam-se cinzentas
E as memórias mais curtas

quarta-feira, setembro 20, 2006

Estou morto por dentro
Será que já não penso em ti?
Estiveste sempre tão longe…
Que a dor deixou de me perturbar
De me fazer fugir…
Como costumava fazer antigamente
A dor…
Consegui um pacto com ela
Tornou-se a minha aliada
Um escudo…
Mas algo sempre me impediu de a ver
Essa dor antiga e demente
Estiveste sempre tão longe
Que perdi o sentido da minha fuga
Já nem consigo suportar o cheiro da solidão
Estás sempre tão longe…

terça-feira, setembro 12, 2006

Agarra-me porque amanhã vou estar longe
Jamais estarei por aqui…
Então agarra-me agora porque me vou
Louco e livre…
Sem sentido…
Prende-me porque vou querer fugir
Agarra-me na sombra para não ver o mundo
Deixa-me repousar na ternura deste momento
Então seduz-me de novo porque me vou...
Ama-me porque necessito…
Jamais virei aqui de novo para vos ver
Esta pobre solidão precária aniquila-me
Mata-me lentamente…

domingo, setembro 03, 2006

Os dias para mim
Noites que perco…
Sou aquele viajante…
Sou toda a saudade
Perdi já as mágoas no mar
E não te vi…
Não duram mais que um verão
Dias cinzentos…
Cercado pelos caminhos incertos
Onde tantas vezes me perdi
Onde quantas vezes errei
Bebi alguns sonhos e desvarios
Nestes rios…
Onde andei eu?
Nasceram os sonhos no tempo
Mas não se fizeram as coisas belas
Vimos a Lua e o encanto da noite
Puro âmbar dos poetas
Sem curso continuo a viajar pelas estradas
Vejo as ruas
As casas…
As portas…
As janelas…
As pessoas e as crianças
Caminho pelas ruelas
E pergunto-me se alguém me vem ver
Neste fado que me entristece

sexta-feira, setembro 01, 2006

Estou tão longe
E tão perto
Neste meu desejo secreto
Na subtileza do silêncio
Desenho um poema discreto
Uma lua brilhante...
Sem pedir licença entrou no meu mundo
Lá de fora vejo a vida diferente
Não quero esquecer este momento
E de repente, sinto-me tão viajante...
Saio da cama, percorro os corredores
Desta intensa viagem…
Abraço um sonho
Desenho mais uma palavra
E desejo-a...
Oculta na magia do meu pensamento
Sem autorização, ela borra-se no meu poema
E ama-me lentamente
Sento-me do lado de fora
Na imensidão da minha ausência
Para vislumbrar este cenário de saudade

segunda-feira, agosto 28, 2006

Vozes que se falam
Que se calam
Calmamente no delírio dos olhares
Indiscretos…
Vozes que se odeiam
Que se mentem
Calmamente na passagem do tempo
Morrem as vozes que se sentem
Morrem por vezes na eternidade das palavras
As vozes que se amam
Morrem as palavras
As palavras que não dizem nada
E que vão dizendo tudo
Falam as palavras ao coração
E morrem…
Morrem por vezes as palavras que não se movem
Na ausência dos corpos
Morrem as palavras ditas
Morrem as palavras dos idosos
Na solidão agreste da idade
Morre a cultura das palavras ditas
E não ditas…
Morre a palavra culta e a palavra sensata
Morre a palavra humilde e desinteressada
Todas elas morrem por vezes
Morrem estas palavras depois…
Na imensidão do tempo
Matam-se umas às outras
Pelas bocas ou expressões
Matam-se a cada dia e também na noite
As pessoas e as palavras
Que não se sentem…
Que se odeiam…
Matam-se!
Matam-se as pessoas…
E esquecem-se as boas palavras
Que nunca morrem
Mas que vivem na ternura da eternidade

terça-feira, agosto 22, 2006

Tacitamente toco o teu rosto
Com a sombra dos meus dedos
Faço escala nos teus seios
E falo com as tuas ancas
Avidamente toco no teu silêncio
Para com ele desfrutar deste momento
Âmbar etéreo de sentidos
Fugaz como o vento…
Provo sem sentido do teu corpo
Tudo aquilo que me queres dar
Com apetite voraz…
Deleito-me com o teu cheiro
Deixando-o carimbado pelo meu corpo
Aproveito agora cada som do teu gemido
Para alcançar o auge deste prazer alienado
Que me deixa fortemente prostrado
Na sombra desta madrugada ausente

terça-feira, agosto 08, 2006

Desculpa pelos actos
Que não pratiquei
Desculpa pelas palavras
Que não disse
Desculpa este olhar que te incomoda
Desculpa o silêncio que me invade
Desculpa
Desculpa
Desculpa...

quarta-feira, agosto 02, 2006

Gosto da forma como ela se move
Por entre os meus dedos
A forma como me descreve por entre a tinta
E me despoja no papel claro
Humedece os meus dedos
Desfaz-me na eternidade das palavras
Deixa-me onde quero estar
E acredito até que posso lá ficar
Movo-me pela tranquilidade dos sentidos
Cada lágrima deixa então um olhar
E acende por vezes uma vela
Para deixar memórias em papéis
Que vivem dentro da minha pele

terça-feira, agosto 01, 2006

Quando pensares em provocar o meu olhar
Lembra-te do que sentimos e das conversas que não tivemos
Lembra-te que ainda te amo
E se estás feliz não troques essa felicidade
Pelas palavras que queres ouvir mas não queres sentir
Quando olhares nos meus olhos
Não me vejas como antigamente
Vê-me agora…
Magoado, triste e por vezes alegre
Sou eu assim…
Tenho ainda um grande pedaço de ti
Tenho ainda para dizer o que não disse
Se estás feliz então limita-te a não me olhar com olhos de desejo
Porque eu vejo nesses teus olhos
O que a tua boca me quer dizer
E isso para mim...
È uma morte lenta...

quarta-feira, julho 19, 2006

Viajo pela triste decadência do mundo
Os sentimentos esvaem-se no tempo
Enfrento a triste essência da humanidade
Numa luta constante de mudança
Um anjo simétrico aproxima-se do meu corpo
Frio e imortal, deixo o meu respirar
Dos meus lábios flutua um murmúrio
Um suspiro…
Queria eu sentir-me como em tempos passados
Mas vida assim…
Seria para mim um pranto salgado
Deixem-me neste lugar ermo
Nesta vida lúgubre
Deixem-me deitar agora…
Avizinha-se a hora de descansar…
Sou assim…
Como uma fonte no jardim de um castelo abandonado
Deixo os meus sentidos pela eterna loucura do mundo
Intemporal no seu conceito real

segunda-feira, julho 17, 2006

Quero uma capa preta
Como os poetas antigos
Para viajar pelas tabernas e bares
Quero as palavras de todos os homens
As vozes de todas as mulheres
Quero sentar-me e não hesitar em ser louco
Descrever a noite… jamais a Lua
Quero ainda ser um poema
E lutar pelo meu desejo de ser quem sou

segunda-feira, junho 26, 2006

Gosto de ti quando estás perto
Porque te moves na ausência do meu ser
E me intimidas com o teu olhar
Gosto de ti porque tu és alma da minha alma
E moves a tua solidão por entre o meu rosto
Tocas a sombra do meu túmulo
E dás-me a eternidade de um sorriso
Gosto ainda de ti…
Porque sou teimoso e teimo em amar o teu brilho
Gosto de ti porque gosto…
Não saberia amar-te em outro estado

quinta-feira, junho 22, 2006

Nada resta para escrever
Sozinho com velas e papéis
O futuro ficou lá atrás
E o passado mal consigo vê-lo
Serei eu do outro lado
Ela distante de cada recanto da minha prisão
E foge como um anjo
Não esqueço onde a deixei
Para me relembrar de te lembrar
Nada mais resta apenas eu e tu
Nada mais...
Não é alguma coisa?
Nada resta
Ah... Ela sorri
Alimentando a minha vida
Como se mergulha-se no Sol
Queimando as minhas asas
Esperar deixa-me louco
Mas chegaste na altura certa
Para me veres no chão
Agora não consigo dar-te a mão
Queria fugir mas nem sequer sei já andar
Apenas me sento aqui sozinho como antes
A porta trancada
E tenho a chave do teu poema
Descrevo-te pela noite
Posso dizer que a lua é bela…
Posso amar-te aqui hoje neste palco
Cristal puro e transparente
Posso deixar uma lágrima cair no meu papel
E borrar um poema qualquer
Posso desejar-te aqui hoje e sempre
Até me cansar de sonhar
Ou viver…
Hoje tenho a chave to teu poema
E com ela vou redesenhar a fórmula da eternidade

sexta-feira, junho 16, 2006

Assim… Quando pensares que me deixaste cego
Serei já o rei que rasteja pelo corpo teu
Então diz-me para onde vou
Para eu seguir o teu respirar pela noite
Ou então fala-me do limite
E das terras mágicas…
Deixa-me louco pela madrugada
Explorando este teu beijo
No silêncio do teu sonho
Onde a lua uiva ainda pela noite
Saboreando a doçura deste açúcar
Doçura de mil noites
Chocolate quente ardente
Vinho puro amargo
Sozinho rastejo pelas tuas costas
Até ao novo dia…
Deixando marcas dos meus dedos nas tuas ancas

terça-feira, maio 30, 2006

Navego então para esta terra mágica
Uma vez mais…
Sustendo este incrível pensamento
Acordo distante deste mundo irreal
E mantenho contacto com a minha origem
Chamam-lhe essência…
Quero adormecer num momento aqui
Perto do mar e do som das estrelas
Brinco então com o tempo
Perco-me na alvorada
E faço amor com a noite…
Ah… madrugada desesperada
Gritante
A lua está mais perto deste lugar
Ali vai ela…

sexta-feira, maio 26, 2006

Já lá estive…
No limite da tristeza
È lá que me queres?
Queres saber mais…
Permaneci lá tanto tempo
Que por algumas vezes
Confundi o sabor amargo
Com a suavidade da doçura
Andei perto da luz também
Amei uma ou duas divindades femininas
E provei aquele âmbar das sereias
Ah… Mel doce mel…
Como que enfeitiçado…
Seduzido…
Deveras fascinado…
Já lá estive…
Já lá estive…
Naquele mar azul e negro
Frio e quente
Mas não é lá que me queres…
Importas-te que pense em ti?
Nariz bonito e olhos de sereia
E não me interessa o que tens…
Também não gosto da forma como me manténs preso
Então persegue-me
Vem ter comigo ou afoga-te em mim
Deixa-me ou arrasa-me
Porque nada parece matar-me
Nem mesmo que eu me esforce…
Então anda e apaga-me
Obriga-me a ter-te ao meu lado
Rebenta com este mundo obtuso
E partilha comigo esse prazer divino

quinta-feira, maio 25, 2006

Então atrás de nós…
Ficaram as conversas que pouco partilhámos
E alguma coisa que não restou
Ficou um sorriso
E um toque de cristal
Baton de mulher
Olhos doces de mel
Ficaram as palavras por dizer
E um beijo por dar
Um abraço por sentir
E uma vida para conhecer
Ficou o silêncio de uma noite perdida
E o gosto amargo de uma lágrima no chão
Posso dizer "foda-se"?
Quer dizer... Afinal é só uma palavra
A não ser que indique um estado de espirito elevado ao rubro
Bom se puder entretanto dizer eu digo
Mais que não seja para libertar um grito
Um gemido...
Para meter medo á morte...
Se é que é humanamente possivel fazer-lhe frente...
Poderei então dizer que se "foda" a morte
E tudo o que dela faz parte...
Seria a utilização da linguagem para manifesto
De um ritual que não se compreende
E no ponto de vista da sociedade até seria aceitável
Então posso dizer como diria Bocage "fode-me"
Provavelmente seria entendido como luxúria
Ou parte de um acto sexual quase consumado
Bom então não é expressamente proibido usar a palavra "foda-se"
Então foda-se!

quarta-feira, maio 24, 2006

Hoje não...
Hoje sinto-me como que eterno
Hoje quero gozar este momento
Quero que todos os meus pilares fraquejem
Neste mundo invisível
Deixa-me sonhar hoje
Porque hoje é um bom dia para morrer feliz
Bato as asas ao vento num voo frenético
Como quem se ri na multidão
Não... hoje não...
Hoje sou livre e eternamente jovem
Sou discreto
E avassalador
Poeta e escritor num só momento
Amante e amado
Hoje sou eu e mais eu
Hoje sou feliz
Hoje sou mel…
Mais doce que os anjos
Mais invulgar que as estrelas
Mais subtil e louco que Galileu
Mais verdadeiro que Deus
Porque dias assim são poucos na minha vida
Hoje estou no auge deste orgasmo
Hoje estou brutal!
Estou demais!
E estou aqui!
Presente no mais presente do futuro
È bom estar assim
Neste estado de êxtase perpétuo
Hoje vou escrever cem páginas
Mil páginas
Vou abanar o altar da madrugada
E a noite vai contornar-me em cada momento
Com medo deste homem menino
Olha para mim e sente o que digo
Eu hoje estou no auge de todos os tempos
Sou todos os homens
Sou Portugal
Sou o mundo e o Universo num só local
Olha as minhas mãos
Manchadas de tinta
Sangue do mortal dos imortais
Sou eu assim hoje
Vou desmascarar cada falso poeta
E readmiti-lo nos portões da eternidade
Hoje estou feliz
Implacável!
E sem medo…
Estou no extremo da mais excitada expressão da paixão
Estou tão triste como estou feliz e alegre
Estou amado
Estou eu…
È como se tivesse tocado em Deus
Sentido a sua forma
E ficasse contagiado pela monstruosidade do seu poder
È como se todo eu fosse um raio de luz
E conseguisse abrir toda a minha alma
È como se tivesse criado os alicerces de uma nova religião
Como que se tudo fosse um e eu um fosse
Milhões de palavras escreverei hoje
Até que toda esta exaltação morra
Derrotarei qualquer mago da humanidade
Hoje estou aqui…
Para me relembrar que há dias assim na vida de um ser humano
Há dias assim...
Em que o sol queima de uma forma tão quente as asas da Lua
Somos poetas hoje…
Somos poetas…
Sou pintor…
Desta tela que é a minha vida
Nada me pára…
Não hoje…
Se fosse anjo seria de algodão doce
Simples e discreto como todos os anjos
Sinto-me hoje assim
Como se a minha alma tivesse sido tocada por um anjo
Como se a minha mão desejasse descrever-te
A todo segundo…
E os meus olhos quisessem ver-te a todo o instante
Como se a minha tristeza desaparecesse desta existência
E abanasse os pilares da minha oculta paixão
Sinto-me hoje assim…
Mais forte que a eternidade
Se a felicidade pudesse ter um rosto
Eu seria essa face…
Tão delineada…
Mas sinto-me hoje assim
Tão miúdo e apaixonado
Tão adolescente de novo
Assim tão feliz
Tão real…
Como se a madrugada
Tivesse sido um minuto
E na madrugada encontro a fórmula de todo o meu ser
Sinto-me hoje assim despojado
De todas as armas que deixei contigo de noite
Como se fosses tu a minha essência
Desarmado alcanço este novo dia
Com um sorriso nestes lábios
Que querem ser teus a todo o instante
Para te amar até ao final dos tempos
Stick de baton numa mão…
Caneta na outra,
Madrugada transparente distante da tristeza
Descrevo o teu sorriso como um miúdo
Meu Deus tenho medo…
Mas é tão real ter-te no meu pensamento
Quero escrever-te e descrever-te
Neste meu papel seco
Palco tão teu…
Momento tão nosso…
Deixa-me carregar-te pela madrugada
E secar as tuas asas de anjo
Silenciar a noite com o teu olhar
E navegar contigo pela eternidade
Deixa-me ser quem sou e conduz-me
Guia-me a este estado de paixão constante
Que se mantém pelo mais longo dia
E se prolonga pela noite eterna

terça-feira, maio 23, 2006

Hoje sinto-me assim
Como que jovem…
Prostrado neste banco
As memórias são curtas
Ainda boas…
Algumas fortes demais para as relembrar
Aqui neste lugar etéreo
Vejo-me assim hoje
Não me apetece caminhar hoje
Porque hoje… Sinto-me eterno
E quero ser imprevisível
Nada mais…
Quero ser o meu ser
Envolto em loucura e desejo
Ah… Se vocês soubessem como me sinto…
Por mais que me esforce nunca iriam compreender
Nada se compara a este estado de paixão
Nada parece corromper-me
E não importa o quão longe eu vá
Ninguém me pode matar hoje
Não hoje que me sinto assim…

sexta-feira, maio 19, 2006

Passou tanto tempo que perdi o gosto
Champagne de Paris
E ruelas de Sintra
Ah…
Sinto-lhe o cheiro apenas
Caí na luz e violei aquele silêncio
Aquela inocente voz madura
Não consigo já chegar ao centro
Amargo sorriso…
Permito-me crescer de novo
Para me perder na luz como antigamente
Eternas madrugadas de cristal
Noite fria e cruel
Passou tanto tempo que finjo então um sorriso
Para me afastar calmamente do passado
Anjo doce ou eterna paixão
Sorriso frágil e delicado
Ostento um cálice de pedra
Mais água que oceano
Paz leva-me de novo ao teu encontro
Pássaro feliz ou pincel de palha
Borra uma vez mais uma página fiel
Deixa-me um sorriso de papel
Neste palco ofuscante de sentimentos

sexta-feira, maio 12, 2006

Assim como se te contasse um segredo
Digo-te quem sou
Existe na noite uma magia
Que toca todos os sentidos
Essa arte mágica sou eu...
Durante a madrugada
Existe também aquele silêncio
Que nos obriga a sonhar
Sou eu esse ser tactiturno
Sou também aquele sorriso
Que se desfaz e se transforma
Num calmante suave
Como se te desvendasse um desejo
Deixo então estas palavras ao vento
Gostei de sorrir de novo

quarta-feira, maio 10, 2006

Sangro as palavras
Que me envolvem e me destroem
Envolvem praça e mente da minha alma
Este meu povo que morreu
Será que se lembra do vapor da liberdade?
Acorrentado a uma livre irresponsabilidade
Apaga-me então este silêncio
E transforma-me em orgasmo
Luxúria mais que masturbação
Palavra mais que palavra
Quero comê-la no meu prato
E dar-lhe o condimento da minha alma
Sou Lisboa e Portugal num momento
Sou Águia viva que voa
Sob as águas tenras deste mar
Mostremos a eles quem manda
Para que nos devolvam o etéreo cheiro
Sonhar é encanto
Poesia é paixão
O orgasmo do povo é ser poeta
Não faço greve de fome nesta parada
Palavra puxa palavra
Escrevo a prosa com o meu aparo
E engulo cada momento de prazer

quarta-feira, maio 03, 2006

Satisfaço-me com o silêncio das palavras sóbrias
Desfruto assim deste âmbar de momentos
Um dia em qualquer dia
Sou capitão deste instante
Meu instinto, eu e este sossego
Mais que um segredo
Sou eu
Alma simples
Toco também nos quartéis deste recanto
Nos conventos desta existência
E oculto-me na madrugada
Salgada…
Nesta prisão material que é o mundo
Há ainda a confidência
Lugar santo ou esconderijo
Nesta furna de prazeres
Sou infiel e amante
E bebo da mesma taça
Suco ou raça…
Talvez engula então uma lágrima
Uma gota de água lustre de diamantes
E pérolas…
E abandone este testamento
Para amar este encontro
Sigo comandando este navio
Por uma expedição de sentimentos
Um encontro de acontecimentos…

sexta-feira, abril 28, 2006

Move-se por entre os corpos
Ela anda por ai
Em liberdade
Contudo não a posso amar
Amando-a vou
Amada amo-te
Estes dias estão nas páginas que escrevo
A esperança e o medo
Encontro-os num sentido unico
Sobrevive a exaltação da dor
Com a doçura desses lábios
Carne mais que carne do que carne
Acorda o meu espirito atento
E beija-me...
Pensa por ele e consome-me
Procura-me...
Satisfaz então essa denúncia de prazer

terça-feira, abril 18, 2006

Jamais sei se respiro,
Nem sequer sei se escrevo
Abate-se em mim algo que não compreendo
Tornei-me neste homem que dialogou com as palavras
Li inúmeras vezes a minha alma
Espelhada nestes papéis
Nesta tinta
Neste caderno de poemas ou prosas
Reli toda a minha existência
Contudo não lhe consigo dar o devido apreço
Nem sequer a compreendo
Não faço ideia do que ela é
Nem do que sinto por ela
Ando á deriva
Desculpem-me meus amigos
Mas este é o derradeiro texto, poema ou prosa
Estou cansado de viver este jogo
Deito-me com as palavras e acordo sem elas
Vivo então dentro delas...
Amargas e frias
Tristes...
Não sei se continuarei a escrever aqui
Nestes sentidos...
Sou louco demais para não descrever esta vida
Também sei que procuro aqui
As palavras da minha alma
Nunca encontrei em outro recanto senão nestas folhas
Manchadas de suor, lágrimas e tinta
Nada então é mais poderoso
Do que o doce sentido de estar vivo
E acreditem falo de puro sentido
Sento-me então uma vez mais nesta mesa
Sozinho...
No meu mundo
Como que num retiro espiritual intenso
E deixo a minha mão mover-se por entre o papel seco
Áspero e frio
E dou comigo a escrever este relato nocturno

terça-feira, abril 04, 2006

Sou as terras
As pedras
As portas
Sou a madrugada
Sou um touro
Sou todas as palavras
A tinta
As imagens
Sou todo o mar
Sou a Lua
Sou paz
Sou então livre
Sou eu
Sou a calçada
As ruas e o campo
Sou eu assim
Sou todos os homens
Um espírito aberto
Sou todas as mulheres
Todos os pensamentos
Sou as velas içadas ao vento
Os barcos
A inércia da saudade
Sou eu a cada dia
Assaltado pela vida

segunda-feira, abril 03, 2006

Não voltaremos a encontrar-nos
Não pela antiga noite…
Por onde vagueámos
Somos sombras ou espectros da madrugada
Separados pela agonia do tempo
Não falaremos senão por sinais
Uma telepatia intelectual...
Será que a lua ainda continua no mesmo palco
Ou atingimos a intensidade da tristeza
E espera-nos uma sentença moral
Que nos projecta para o caos do silêncio
Essa Lua trepou o infinito da minha alma
E seguiu por um caminho incerto
Procuro assim um coração despojado
Neste mundo obscuro…
Não voltaremos a cruzar-nos
Neste lugar ermo e lúgubre
Onde a solidão alcança por vezes
Uma magia letal
Que ofusca o próprio sentimento
Não voltaremos a juntar-nos
Para seguir esta estrada velha

terça-feira, março 28, 2006

Amante da madrugada
Triste e envolta em sorriso
Desce á selva rústica de pensamentos
Já incolores...
Amante da noite de prazer
Intensa boémia
Orgia no meu andar
Paredes nuas
Com portas cruas
Sorrisos caros e lágrimas pesadas
È aqui na terra
Onde as voltas se dão ás caladas
E os monstros esses
Batalham sem cansaço
Então juntam-se no átrio
O pensamento corrupto e intenso
Com a nobreza inunda
Esquece o amargo cheiro
E volta para o buraco
Onde por dentro a alma cresce
E se inunda de solidão abrupta
E se desfaz num prazer inato
Num orgasmo de abundância divina

quarta-feira, março 22, 2006

A minha mão está tão cansada de te descrever
O meu corpo teima em ceder a este intervalo
Solene...
Encontrei aqui na linguagem algo sublime
Deixei então um rosto nas palavras
Por entre as linhas deixei o meu prazer
Pintado em tela de carvão
Tinta de aparo ou sangue de guerreiro
Alcanço então os meus idolos
Para que com eles consiga disfrutar de alguma paz
Estou inerte neste momento
E estagnado neste sentimento
Procuro então a minha caverna
Para repousar este corpo cansado
Espero um sinal
Para volver esta lágrima
Majestosa mas triste

quinta-feira, março 16, 2006

Quero a vós então agradecer
A todos que vêm aqui ler
As memórias, caprichos e coisas mil
Desta alma ainda juvenil

Atingi por vós a conta mil
E grato estou pelo vosso tempo
Não sou então mais do que um amante senil
Deste eterno mundo por um momento

Então convosco fico na esperança
De um dia vos encontrar
Com grande amizade e confiança
Deixo-vos um carinho para vos melar

Queiram então levar este poema
De agradecimento pelo vosso interesse
Levem-no numa folha ou num esquema
Mas espero que no sentimento ele se expresse

terça-feira, março 14, 2006

Cansei-me de te encontrar nas avenidas
De te procurar nas ruelas
Cansei-me de te beijar o rosto
Procurei ainda na sombra
Um lugar para me esconder
Tanta ilusão e tanta doçura
Num só beijo…
Não derramei lágrimas
Mas sangue…
Estou fatigado de tanta doença mental
Paragem cerebral…
Molesta-me este rosto oculto
Dissimulado…
Sedento de paixão e amor
Mas que doença?
Os sintomas latentes…
Ah… Cansei-me e estou morto!
Duro e limpo
Sujo de lama
Desta guerra infecta e corrupta
Anormal e dissimulada…
Despojei-me de todas estas armas camufladas
E procuro lentamente um sorriso
Nesta asfixia de inúteis pensamentos
Neste mundo humilhado
Exterminei-me até ao tutano
E procuro ainda um espectro
Para o retirar deste mundo obtuso
Onde nada mais é expressivo
Apenas confuso…
E demasiado estúpido

sexta-feira, março 10, 2006

Amo-te nesta linguagem divina
E venero-te para além da virtude da humanidade
Consequentemente gosto de ti
Em pleno sentido da liberdade
Que ainda consigo sentir...
Alcanço também o teu olhar em plena vida
E não morro para te deixar
Não te amo somente em meu lugar
E satisfaz-me o encanto que tenho em te amar
Aborrece-me pensar que não te tenho
E mata-me não te ver todo o dia
Amo-te ainda sem deixar rasto
Nos papéis e nas paredes
Nas praias e no oceano
Amo-te sem contar as palavras
Que daria para te descrever